O CASO DA CENTRAL DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS DA CATURRITA

Análise da dinâmica operacional no tratamento de resíduos sólidos e dos benefícios ambientais: O caso da Central de Tratamento de Resíduos da Caturrita, Santa Maria-RS Introdução No âmbito Geografia é de grande importância entender a relação sociedade/natureza, pois hoje não existe natureza que não tenha sofrido a influência humana através dos diferentes meios de atuação […]

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Análise da dinâmica operacional no tratamento de resíduos sólidos e dos benefícios ambientais: O caso da Central de Tratamento de Resíduos da Caturrita, Santa Maria-RS

Introdução

No âmbito Geografia é de grande importância entender a relação sociedade/natureza, pois hoje não existe natureza que não tenha sofrido a influência humana através dos diferentes meios de atuação antrópica sobre os recursos naturais. A transformação do meio natural pelo homem em áreas com fragilidades ambientais resulta na degradação ambiental.

A geração e o destino dos resíduos sólidos resultantes das atividades domiciliares e urbanas é um dos principais problemas ambientais identificados nos pequenos, médios e principalmente nos grandes centros urbanos. Esses resíduos quando não gerenciados tecnicamente passam a ser uma ameaça à saúde pública e principalmente aos recursos naturais.

A partir disso objetiva-se apresentar um relatório síntese do processo de operacionais ocorridos no tratamento de resíduos sólidos com destinação à Central de Tratamento de Resíduos da Caturrita (CTRC). O empreendimento possui uma área de 24,7ha, localizada junto à estrada Vicinal para a Boca do Monte, distando 8,7km do centro da cidade. A base para elaboração deste trabalho foi a visita realizada ao aterro realizada dia 29/06/2010.

 

Análise do local

A empresa responsável pelo gerenciamento do aterro é a REVITÁ, uma filial da empresa Solví Resíduos. Essa empresa atua em vários estados brasileiros e também fora do país, no Peru.

São empregados no aterro, em média, 170 funcionários. Estes estão distribuídos entre administração geral, refeitório, descarga do lixo, seleção do lixo nas esteiras, administração da coleta, depósito de materiais recicláveis, aterro e queima do chorume.

O perfil de funcionários requisitados são ex-catadores ou carroceiros, devido a esses melhor se adaptarem a esse tipo de trabalho, por já estarem acostumados a lidar com lixo. O ambiente de trabalho dos selecionadores de material reciclável é coberto, além disso recebem EPIs e carteira assinada, tornando-se trabalhadores formais, possibilitando melhores condições de trabalho do que nas ruas.

O aterro recebe resíduos sólidos de 23 municípios em um raio de 100 km. Somente o município de Santa Maria gera 200 toneladas de resíduos por dia, os demais municípios geram 100. No final do mês o total de recolhimento atinge em média 8.500 toneladas de resíduos. Em peso são separados para reciclagem aproximadamente 11% do material recolhido para reciclagem, mas em volume esse material atinge 33% do total de resíduo recolhido.  Tem-se teste de utilização da matéria orgânica através de compostagem para geração de fertilizante, no entanto ainda é insignificante essa prática no aterro. O material reciclável é vendido para outras empresas que fazem a transformação do material para ser reutilizado novamente. Dentre as empresas a GERDAU é a que mais se destaca. A receita gerada pelo material reciclável no aterro é de 80 mil reais, sendo que não se consegue manter as despesas com essa receita, porém a reciclagem aumenta a vida útil do aterro. A reciclagem de resíduos sólidos no Brasil está em constante desenvolvimento, não somente pela evolução da educação e da preocupação com o meio ambiente, mas principalmente pela necessidade do povo (catadores) por trabalho e renda e pela exaustão dos recursos naturais. O crescimento desse mercado e a maximização dos seus lucros vêm chamando a atenção das empresas do setor, o que pode fazer com que os catadores voltem a ter um papel secundário, ou até mesmo sejam excluídos.

Para a elaboração da proteção do solo no aterro, são utilizados 3 métodos: compactação  da argila, colocação de lona resistente e impermeável e colocação de uma estopa para proteger a lona de cortes.

A vida útil do aterro é de 30 anos, esse prazo foi possível ser estipulado a partir da reutilização de partes dos resíduos que chegam ao local. Um fator de grande importância para a manutenção correta do aterro é a atuante fiscalização da FEPAM, órgão responsável de avaliar os laudos emitidos obrigatoriamente de 3 em 3 meses pela empresa responsável pelo aterro.

O ultimo local destinado aos resíduos inutilizáveis é o aterro, nesse local tem-se um projeto teste da queima do chorume. Dentro do aterro tem-se uma serpentina que esquenta o lixo através da queima do gás metano liberado pelo próprio aterro, assim o aterro torna-se auto queimável, aumentando ainda mais ávida útil do mesmo.

 

Considerações finais

O aterro sanitário da CTRC contempla a maioria das exigências estipuladas no RIMA, procurando minimizar ao máximo os impactos gerados ao meio ambiente. Além disso, cumpre sua função social para a sociedade, gerando emprego e eliminando os rejeitos dos municípios da região.

A exigência perceptível presente no RIMA, que não foi cumprida  ainda é o plantio de 300  de arvores nativas. A cortina vegetal foi construída com o plantio de um carreira de eucalipto, uma planta exótica, essa cresce mais rapidamente, no entanto deve ser substituída por uma espécie nativa.

Dessa forma a o aterro serviu como objeto de estudo para entender a dinâmica  existente em um aterro sanitário, no caso o CTRC.

ANÁLISE DA DINÂMICA OPERACIONAL NO TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E DOS BENEFÍCIOS AMBIENTAIS: O CASO DA CENTRAL DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS DA CATURRITA, SANTA MARIA-RS, pelo viés do colaborador Gerson Jonas Schirmer.

Gerson Schirmer é Geógrafo formado pela Universidade Federal de Santa Maria (RS) e trabalha no Lageolam.

 

Para ler mais artigos acesse nosso Acervo.

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  • gabriela alvarez

    Bom dia, gostaria de saber se vcs fazem uma análise dos resídous plásticos que podem ser coletados por vcs, e um número de telefone que eu possa entrar em contato,.

    Aguardo, obrigada!!!

    • revistaovies

      Olá Gabriela,
      esse texto é do colaborador Gerson Jonas Schirmer,
      estudante de geografia da UFSM.
      Repassamos sua dúvida e seu e-mail de contato para ele,

      Obrigado pelo comentário,
      a Redação.