JORNALISMO EM XEQUE

O papel do jornalismo frente às mudanças sociais: Silvia Martins analisa o atual jornalismo.

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“Obrigado e adeus”, a última capa do jornal britânico “News of the World”, afundado em denúncias de escutas ilegais.

O mundo gira veloz. O tempo passa e, assim como na Teoria da Evolução de Charles Darwin (1809-1892), a mensagem é a mesma: sobrevivem os que melhor se adaptam às mudanças.

O papel do jornalismo na sociedade exige muita reflexão e, atualmente, sofre profundas transformações. Há muito seus princípios mais básicos, como o de servir noticiando com isenção, pluralidade e ética, são sobrepostos por interesses comerciais, pessoais ou políticos.

Em teoria, o verdadeiro jornalismo ocuparia o lugar de investigar os fatos e informar a sociedade de maneira que ela fosse capaz de construir sua própria opinião e, assim, lutar por seus direitos. Na prática, a grande maioria dos veículos de comunicação aliena o público em um mundo superficial. Como se não bastasse, na televisão brasileira, o jornalismo se funde ao entretenimento, ficando, às vezes, impossível desmembrar essa união.

O Jornalismo não é apenas noticiar.

O jornalismo descontraído, como exibido em programas esportivos, seria perfeitamente justificável. Afinal, seu foco é o esporte, que dispensa as formalidades exigidas em outras apresentações. No entanto, são frequentes situações em que esses programas, ainda sob a bandeira do “bom jornalismo”, mostram apenas entretenimento ou “conversa de boteco”, deixando de lado a essência da profissão: “Nossos editores tiveram dificuldade de se concentrar no trabalho, dificuldade para dizer o que aconteceu no jogo, tonteados por Hope Solo, goleira americana… Em nome do bom jornalismo, temos que mostrar Hope Solo”, ouvi de um jornalista em seu quadro esportivo.

Esse tipo de comportamento também pode ser visto em outros programas, em entrevistas nas quais os repórteres “esquecem” da seriedade do trabalho e incluem comentários estranhos ao teor das matérias, incluindo, por exemplo, denotação sexual: “Quer dizer então que você viu a Amy Winehouse só de calcinha e sutiã?”, dispara o jornalista para a costureira que atendeu a cantora em sua passagem pelo Brasil.

Sim, mudar é preciso!

Com a febre das redes sociais, entramos em uma era na qual o público tem poder de voz. Portanto, adequar-se às mudanças inclui moldar os formatos do veículo para cada perfil. O que não acontece sempre é uma transição para as mudanças pautada em responsabilidade e respeito, o que pode manchar a imagem da profissão e colocar em xeque a sua própria relevância e futuro.

JORNALISMO EM XEQUE, pelo viés da colaboradora Silvia Vieira Martins*

*Silvia cursa o 2º ano de Comunicação Social.

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