NEGLIGÊNCIA

O descaso reincidente da prefeitura de Santa Maria com os Indígenas da cidade. Pelo viés do Grupo de Apoio aos Povos Indígenas – GAPIN.

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   No ultimo domingo, 23 de outubro, cansados de esperar a Prefeitura Municipal, estudantes da UFSM e membros do GAPIN – Grupo de Apoio aos Povos Indígenas – retomaram uma jornada de trabalho voluntário para recolher o lixo que se encontra nos fundos do acampamento Kaingang localizado nas imediações da Estação Rodoviária de Santa Maria.

   Há cerca de um mês e meio atrás, os mesmos estudantes se reuniram a pedido da comunidade Indígena para dar inicio a retirada de uma grande quantidade de resíduos depositados ao longo de muitos anos junto às margens de uma afluente do arroio Cancela. Este lixo tem colocado em risco a saúde das sete famílias que se encontram de forma permanente no local. Naquela ocasião, tanto representantes estudantis quanto do GAPIN contataram a Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente que se responsabilizou pela retirada dos montes de lixo no prazo máximo de dois dias após seu recolhimento. No entanto, o acordo não foi cumprido, a comunidade esperou em vão a ação do Poder Público e os resíduos empilhados continuam no mesmo lugar.

   Ao invés de resolver o problema que há mais de um ano acompanha a comunidade Kaingang, a negligência da Prefeitura Municipal acabou por agregar aos indígenas uma imagem pejorativa, como conta a liderança do acampamento, Natanael Claudino: “Nós indígenas temos consciência do meio ambiente, tentamos resolver um pouco esta situação, mas com a demora da prefeitura estão pensando que foi a gente que colocou aquele lixo lá, ficou feio pra nós”.

    Frente a esta demora, os estudantes voltaram ao acampamento no último domingo para, além de retomar as atividades, buscar um diálogo com os vizinhos e protestar contra o descaso da Secretaria de Proteção ao Meio Ambiente colocando uma pequena quantidade do lixo que se encontra entulhado na parte posterior do acampamento, entre a cerca e meio fio, junto a uma faixa. A secretaria alega não contar com veículos em condições para realizar o recolhimento, no entanto não parece disposta a tomar nenhuma outra providência.

    Como já é da ciência de todos, de novembro até o Natal uma quantidade bem maior de famílias Kaingang chega a nossa cidade para vender seu artesanato. Se nada for feito até o próximo mês, os indígenas, além de acampar mais uma vez em situação precária, terão que disputar com os montes de lixo o mísero espaço oferecido pelo local. Desde 2008 existem tentativas de diálogo para viabilização de um Centro de Cultura e Convivência Kaingang, para fins de resolver esta situação. Em maio deste ano, na presença do MPF, a Prefeitura e o Estado do RS se responsabilizaram em encontrar e oferecer uma área adequada para construção do tal centro. Pelo jeito esta será uma espera ainda mais longa.

“NEGLIGÊNCIA” pelo viés do Grupo de Apoio aos Povos Indígenas – GAPIN.

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