UNIVERSALIZAR ESTÁ DEMODÊ

Universalizar está demodê, pelo viés de Caren Rhoden e Gianlluca Simi

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UNIVERSALIZAR ESTÁ DEMODÊ

Mas, afinal, qual é o homem que se expande? Se considerarmos a expansão como o espalhar de uma ideia, notamos uma predominância de conceitos estreitos e que levam ao pensamento conservador do atual estágio do capitalismo, tratando esse termo com o devido respeito: um sistema em que estamos inseridos e com o qual relacionamo-nos ainda que com desconfiança e certo grau de certeza de sua já falência. Quem se expande é a última voz: da sobrevivência, da imediatez, do vazio, provisório e desesperado. Porém, se agarrarmos a ideia de expansão como se agarra a ideia de Homem, vemos um horizonte vago de possibilidades práticas, e, ele mesmo, efervescente em perguntas.

Para termos chegado ao lugar em que estamos, por devida racionalidade (podemos muito bem ser acidentes no espaço, mas), não nascemos do nada. Se há o éter luminífero, se a luz for de partículas, se o vácuo está cheio de coisas. A expansão se dá pelos mínimos invisíveis e, talvez, nem cabíveis na consciência. Ainda que sejamos determinados por um punhado de causalidades, quais são os gostos possíveis que encontramos em nós e dos quais ouvimos falar através das histórias? Como é crescer sem conhecer nem uma história? Como é crescer de uma perspectiva local? Como é crescer do global? Mais, o que são as impressões sobre o mundo e o que nelas é diferente do mundo?

Dentro e ao lado de todo caos subjetivo de um curioso, a necessidade. Pois temos necessidades, não quer dizer mais importantes, no entanto anteriores às respostas, como manter o corpo vivo para seguir a formular as perguntas e, talvez, resolvê-las. Existe uma linearidade da vida media que chega e passa pela instituição chamada Universidade, surgida no século 13 europeu. Porém, essa instituição acompanhou as mudanças de nosso sistema capitalista e transformou-se em uma organização, servindo também e quase exclusivamente aos interesses privados. É disso que trataremos: a condição inerente à expansão do Homem.

Em seu artigo “Universidade Operacional”, Marilena Chauí escreveu, em 1999, sobre a flexibilização da universidade:

Uma organização difere de uma instituição por definir-se por uma prática social, qual seja, a de sua instrumentalidade: está referida ao conjunto de meios particulares para obtenção de um objetivo particular. Não está referida a ações articuladas às idéias de reconhecimento externo e interno, de legitimidade interna e externa, mas a operações definidas como estratégias balizadas pelas idéias de eficácia e sucesso no emprego de determinados meios para alcançar o objetivo particular que a define. É regida pelas idéias de gestão, planejamento, previsão, controle e êxito. Não lhe compete discutir ou questionar sua própria existência, sua função, seu lugar no interior da luta de classes, pois isso, que para a instituição social universitária é crucial, é, para a oganização, um dado de fato. Ela sabe (ou julga saber) por que, para que o onde existe.

É fácil perceber. A universidade desistiu da contestação, de provocar ações locais por pensamentos abrangentes depois que “democratizou-se”. Parece que compreendemos por democrático e popular a informação de que existe conhecimento, mas não se pode dizer onde. ‘Como muito bem defendem os professores’: de nada adianta atulhar a cabeça dos jovens com questionamentos que contradizem a realidade hegemônica e depois jogá-los para ela. Qual a solução? Anulá-la! Não, não a realidade hegemônica, a questão. Pois parece haver algo de contraditório aí. Mas e não é que tudo é uma contradição? Melhor deixar pra lá e tratar da adaptação.

O pensamento global (o que é diferente de universalizar o indivíduo) é uma mentira careca, sem pernas, desgastada. Ouvimos os cochichos da nova mão de obra, os alunos, insatisfeitos; e a universidade fingindo seu educar por ainda manter as mesas de estudo enfileiradas e o professor à frente.

Mas, então, o que é uma universidade? Uma Universidade é o local de fomentação, o grande painel do pensamento no tempo, a visão ampliada pelos percursos para se criar o próprio percurso, reinventar a sequência e fazer crítica aos implantes cegos, que são criações de um novo que sempre está velho e oco. Então, como andamos, não digam que o futuro está nas mãos dos jovens, porque eles estão velhos. Novo seria Rockefeller, a sorte, o milionésimo suporte inventado para que o homem possa falar, falar ao léu.

Os que esperam aprender, ouvir, conhecer, desbravar, recriar, reformular, mais do que fingir fazer tudo isso, esperam, vejam só, sentados no engodo do ar condicionado. O dinamismo da Universidade se reduz ao suporte, bem como o capitalismo, regurgitando velhas fórmulas em luminescências atrativas. Estamos interessados em dinamismo de conteúdo, estamos Interessados. E, agora, o que é que se faz com todos os que, depois de aprender sociologia em três livros, saem por aí gabando seus currículos crivados de engenhocas intelectuais com títulos em inglês? O que esperar? De nada adianta, professor, preocupar-se, muito menos, despreocupar-se, é preciso ser mais que um ativista calado como profissional. De nada adianta fingir que a Universidade abriu as suas portas para todos, se todos vão sair do mesmo jeito. A Universidade é o espremedor de culhões.

As parcerias público-privadas crescem e os alunos repetem o mesmo procedimento sem perspectivas senão ser o melhor, ou seja, o mais fiel ao pedido do novo cliente. A Universidade espera que sejamos intelectuais servis, que rendamos, que nos submetamos a ela como ela à fórmula sistemática da mais valia. E pouco valemos. Somos seres humanos dependentes da biblioteca que inventamos em nossos quartos.

Finalizamos essa primeira parte com mais um trecho do artigo de Marilena Chauí:

Essa universidade não forma e não cria pensamento, despoja a linguagem de sentido, densidade e mistério, destrói a curiosidade e a admiração que levam à descoberta do novo, anula toda pretensão de transformação histórica como ação consciente dos seres humanos em condições materialmente determinadas.

 

 

NÃO SE ESTUDA NA COLÔNIA

Durante o período colonial, a Coroa Espanhola foi a única a criar universidades em suas colônias. Era parte da política espanhola ‘letrar’ os latino-americanos da época à luz do pensamento que mais convinha à Espanha. Nunca foi de interesse português (nem inglês, nem francês, nem holandês), em contramão, possibilitar que os brasileiros tivessem acesso à educação formal, como diz Maria de Lourdes de Albuquerque Fávero, “o que denota uma política de controle por parte da Metrópole de qualquer iniciativa que vislumbrasse sinais de independência cultural e política da Colônia”. Apesar de a Coroa Portuguesa nunca ter criado universidades no país, criaram-se escolas de formação específica – Medicina, Direito, Engenharia, áreas cujo trabalho poderia ser altamente lucrativo para a manutenção do estado maior das coisas, tanto filosófica quanto estruturalmente. Uma das primeiras dessas escolas foi criada no mesmo mês em que chegou a Família Real, em 1808 – o Curso Médico de Cirurgia, na Bahia.

Vale que notemos que, isoladamente, uma escola ou uma faculdade não chegam nem perto da ideia de universidade – “convocada a ser o palco de discussões sobre a sociedade, mas não em termos puramente teóricos, abstratos. Deve ser o espaço em que se desenvolve um pensamento teórico-crítico de ideias, opiniões, posicionamentos, como também o encaminhamento de propostas e alternativas para solução de problemas”, nas palavras de Fávero. A universidade vai além da formação específica numa área, vai além da própria pequeneza da formação sola – bom, pelo menos a ideia de universidade vai.

Desde a criação das primeiras escolas até a fundação da primeira universidade de fato no Brasil, vão-se 112 anos. Só em 1920 é criada a Universidade do Rio de Janeiro enquanto, no Peru, a Universidad Nacional Mayor de San Marcos completava 369 anos e, na Argentina, a Universidad Nacional de Córdoba já tinha 307 anos de funcionamento. Mesmo que, na década de 1920, o Brasil já fosse um Estado independente, o pensamento colonial se manteve sob os mesmo moldes de marasmo e embrome que atrasaram tanto as universidades brasileiras.

O surgimento delas coincide com o advento do pensamento positivista no Brasil, sendo assim, primavam (teoricamente no passado) pela manutenção das funções do Estado e escanteavam a pesquisa e a produção de conhecimentos que não aqueles vistos como ‘fundamentais’ para o ‘progresso’ do Brasil.

Todos esses episódios – citados aqui ou não – convergem para um retrato maior das universidades nacionais: centralizadas no Estado, mirando à ideia positiva de Nação e trabalhando pelo mero repasse de informações vistas como necessárias para manter o estado das coisas como já são.

Durante o período Vargas, as universidades brasileiras se quedavam a poucas instituições, com grande destaque à criação da Universidade do Brasil em 1937, mera mudança do nome da Universidade do Rio Janeiro, cuja razão ainda é controversa. No período que segue a era varguista, no pós-1945, o Brasil vê o número de instituições de ensino superior explodir (até as 2.270 atuais), mas, ainda assim, a universidade (e a educação) é um privilégio de elite, focada na formação de profissionais, sem ênfase à pesquisa ou à produção autônoma de conhecimento.

Nesse âmbito pós-1945 e de deslumbre de crescimento econômico, é criada a Universidade Federal de Santa Maria, em 1960, centrada na imagem de José Mariano da Rocha Filho. Basta que se conheça alguém de Santa Maria para saber que o Prof. Mariano da Rocha funciona como um mito fundador do espírito da ‘primeira universidade federal no interior do país’. Fora esse reclame descentralizador, a UFSM é como qualquer outra universidade federal – teoricamente existe para a sociedade, teoricamente é autônoma.

Com a adesão da UFSM, entre 2007 e 2008, ao REUNI (Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), a universidade teve de se adaptar às demandas do plano, a coisas como aumento do número de vagas para estudantes e professores, criação de uma penca de cursos novos e remodelação dos currículos – tudo isso só quantitativamente, mesmo que discursadas como melhorias para mais pessoas. E é daí que falamos por experiência de casa do curso de Comunicação Social – Jornalismo, de sua recente reestruturação curricular e da experiência universitária como um todo.

A EXPERIÊNCIA UNIVERSITÁRIA

– E CURRÍCULO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL (JORNALISMO)

Quando, no final de 2009, soubemos que nosso currículo mudaria, de acordo com as demandas do REUNI, havia a leve impressão de que ele se aproximaria duma formação mais ampla e transdisciplinar, como se pretende num curso de Jornalismo e como, desde antes, já conversávamos. No entanto, quase dois anos depois de sua aplicação, o agora atual currículo tem se mostrado, como constatamos informalmente, extremamente falho – ou melhor, passível de ainda várias alterações.

Primeiro vejamos: a análise que pretendemos fazer do currículo de Jornalismo da UFSM não se baseia na utopia dum currículo perfeito; tampouco cremos que os professores que decidiram pelas tais mudanças visassem a algo menos do que uma boa formação a seus estudantes. Tendo isso em mente, que ninguém arquitetou um currículo ruim e que nenhum currículo é perfeito, quedamo-nos a formular teses sobre nossa formação, que iniciam a partir da estrutura curricular, sua organização e seus conteúdos para se projetar, então, na experiência universitária como um todo.

Antes de partirmos para as teses em si, proponho que comecemos com três questões básicas e que as mantenhamos em mente ao lermos (e criticarmos) as teses por vir:

1. Que formação se almeja a um jornalista?

2. Quão naturalizados já estão alguns conceitos, como disciplina obrigatória, atividades complementares etc.?

3. Dentro das condições políticas maiores (Ministério da Educação, Reitoria, Departamentos, normas), como podemos propor mudanças palpáveis?

Essas três perguntas nos põem em face ao estado das coisas relativas à formação de jornalistas postos num sistema de normas e práticas estabelecidas dentro duma instituição de ensino superior e dos órgãos que a ela se ligam. O princípio básico, ao enumerarmos estas teses, é o de que, primeiro, a universidade é um lugar de descoberta e de crítica – tendendo à liberdade! – e, segundo, os estudantes devem ter a oportunidade não só de expressar suas demandas e condições mas também influenciar nos processos de decisão que moldam as vias dum período tão polivalente como a experiência universitária é.

[TESE UM E PRIMEIRA] De acordo com a resolução do Ministério da Educação, de 2007, são obrigatórias 2.700 horas de atividades para que um estudante se gradue em Comunicação Social. O atual currículo de Jornalismo da UFSM demanda 3.135 horas. Dessas, só 240 são destinadas a disciplinas escolhidas pelo estudante, de acordo com seu interesse, e menos ainda, 180 horas, às atividades ditas complementares, incluídas aí atividades de pesquisa e de extensão por exemplo. É necessária a diminuição de carga horária determinada (isto é, quanto tempo se estuda de quê) e o consequente aumento de carga destinada a disciplinas que caibam a cada estudante, como indivíduo-comunicólogo em formação. Na mesma linha, faz-se necessário que as atividades que compõem o tripé da UFSM (ensino, pesquisa e extensão) sejam mais valorizadas para fins de atendimento curricular.

[TESE DOIS] Existe uma naturalização das disciplinas obrigatórias, que não só representam carga horária obrigatória mas também determinada. Tendemos a vê-las como imutáveis e completamente necessárias à formação. Precisamos notar que, mesmo que as áreas tenham conhecimentos fundamentais, quais são eles se torna uma questão eternamente discutível. Os estudantes precisam ter uma representação ativa na estruturação de seus currículos.

 

[TESE TRÊS] Há uma tendência a considerar que todos os assuntos pertinentes na área de conhecimento em questão são indispensáveis para todos os estudantes. Há de se levar em conta que os estudantes são diferentes entre si e que um currículo pelo qual 86,6% de sua carga horária é rígida se transforma numa prática de repressão das potenciais descobertas de cada um. Nesse sentido, não é necessário que se crie uma disciplina dum semestre inteiro para tópicos, muito práticos, que podem ser sanados com oficinas e tutoriais (edição de imagens, criação de negócios, normas técnicas de redação etc.).

 

[TESE QUATRO] Não se pode fazer com que todas as suas atividades de formação visem ao mercado. Este-cá não deve ser objetivo duma formação, mas a atuação profissional deve ser uma consequência das trajetórias do conhecimento. Obrigar os estudantes a, todos, terem currículos semelhantes poda a diversidade de interesses e personalidades, as quais, livres, congregam-se melhor e mais efetivamente no cumprimento teórico, crítico e social da universidade.

 

[TESE CINCO] Assim, vemos que o estudante deve ter mais liberdade para decidir sua trajetória curricular ao ir buscar, em outros departamentos, conhecimento que também fazem parte da Comunicação. Sabemos, no entanto, que a inserção de estudantes dum departamento em disciplinas de outro não depende só da vontade do estudante mas também dos responsáveis pelos departamentos em abrir suas portas a todos os estudantes, num exercício de auto-crítica e, acima de tudo, de humildade.

 

[TESE SEIS] Muitas disciplinas mudaram de nomes e/ou de conteúdo programático, mas a carga de disciplinas deveras novas soma 510 horas (18,8% da carga de disciplinas obrigatórias). Nesse novo currículo, vê-se a supervalorização do terceiro setor através de ONGs. Não negamos a força das entidades do terceiro setor, mas devemos ter em mente que é um setor cheio de falhas de princípio, que se desocupa de ação sócio-política em detrimento da ação civil organizada por elites. Isso se percebe na criação das disciplinas de ‘Comunicação e Cidadania’, ‘Mídias e Políticas Públicas’ e ‘Comunicação para 3º Setor’. Vemos também a dúbia razão das disciplinas de ‘Comunicação e Empreendedorismo’, ‘Gestão de Portais na Comunicação’, ‘Técnicas de Apuração e Redação Jornalística’ e ‘Entrevista Jornalística’ – sendo que, a primeira citada não precisa ser uma disciplina obrigatória dum semestre e as outras propõem atividades que podem (e são) desenvolvidas colateralmente durante o curso.

[TESE SETE] Mesmo que os conteúdos oficiais das disciplinas devam ser diferentes, na prática muitas cadeiras se assemelham entre si. De pronto, podemos ver as sobreposições no quadro abaxio, que soma 570 horas.

[TESE OITO] A atuação dos estudantes de jornalismo não deve se fechar nas disciplinas que cursam, mas deve se alongar a projetos de pesquisa e de extensão. É preciso fomentá-los na UFSM! A produção de revistas, programas de rádio, documentários etc. não precisa ser exclusividade de programas disciplinares.

 

[TESE NOVE] O que nos leva às disciplinas-laboratório, que podem ser divididas em cinco domínios: 1) Audiovisual, 2) Fotografia, 3) Jornalismo impresso, 4) Jornalismo digital e 5) Radiojornalismo. [continua]

 (1)   Audiovisual

  • Produção Audiovisual (60h)
  • Teoria e Técnica de Telejornalismo (90h)
  • Documentário (90h)
  • Edição de Imagens (30h)

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270 horas

 (2)   Fotografia

  • Produção e Tratamento de Imagem (30h)
  • Laboratório de Fotojornalismo (60h)

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90 horas

 (3)   Jornalismo impresso

  • Produção Gráfica (60h)
  • Teoria e Técnica de Jornalismo Impresso I (90h)
  • Teoria e Técnica de Jornalismo Impresso II (90h)
  • Teoria e Técnica de Jornalismo Impresso III (90h)

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330 horas

 (4)   Jornalismo digital

  • Comunicação e Mídias Digitais (30h)
  • Gestão de Portais na Comunicação (30h)
  • Teoria e Técnica de Jornalismo Digital I (90h)
  • Teoria e Técnica de Jornalismo Digital II (90h)
  • Teoria e Técnica de Jornalismo Digital III (90h)

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330 horas

 (5)   Radiojornalismo

  • Teoria e Técnica de Radiojornalismo I (90h)
  • Teoria e Técnica de Radiojornalismo II (90h)
  • Teoria e Técnica de Radiojornalismo III (90h)

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270 horas

[continuação] O volume de carga horária é imenso. Devemos nos perguntar a que esse tanto de programas de rádio e de televisão, fotografias, sites e revistas que produzimos se refere? Embasado em quê? Em prol de quem? Temos 1.290 horas destinadas a esses domínios mais práticos, mas temos entendimento histórico, filosófico, linguístico, social, legal para tratar dos assuntos de que tratamos (tentamos)?

[TESE DEZ] A carga horária citada na tese anterior deve ser diminuída. Nem todos os estudantes querem trabalhar com jornalismo digital, por exemplo, mas são obrigados a fazê-lo quando poderiam investir mais tempo na área que mais lhes interessa (seja qual for). O fato de não sabermos com o que trabalharemos profissionalmente é, na verdade, o resultado duma formação que nos generaliza, afasta-nos de conhecermos aquilo que deveras são nossas fortalezas. A especialização em cada domínio (entre os cinco citados, por exemplo) se expande a projetos de extensão, aos veículos de comunicação da própria universidade e a empreitadas independentes.

[TESE ONZE] Há parca presença de estudantes de semestres mais avançados como monitores de outras disciplinas. Da mesma forma, os estudantes de cada curso de Comunicação Social são segregados e formados independentemente dos outros cursos. Assim, só estamos nos locais que nos são permitidos e acabamos por perder chances de dividir experiências e aprender com trajetórias alheias.

[TESE DOZE] Podemos identificar, de pronto, a inexistência ou miséria de acesso a domínios importantes para comunicólogos: Filosofia da Ciência; Sociologia do Conhecimento; Filosofia da Linguagem; História da Arte; Sociolinguística; Geopolítica; Geografia Cultural; História da América Latina, do Brasil e do Rio Grande do Sul; Antropologia da Mídia; Recursos Humanos; Introdução ao Direito; Sociologia do Trabalho; Estudos Culturais; Legislação e Deontologia etc. Lembrando que não se trata de transformar tais domínios em disciplinas obrigatórias, mas, sim, dum esforço mútuo entre os departamentos a possibilitar acesso a qualquer estudante interessado.

[TESE TREZE E ÚLTIMA] A experiência universitária não existe só na formação do currículo, mas em todos os momentos que vivemos e com os quais crescemos nesse tempo. Não só os projetos, as aulas, os trabalhos nos formam – também a convivência, a descoberta, o encanto. Se há falhas no currículo, isso não nos priva de abrirmos caminho com nossas próprias faculdades. Tampouco deve nos levar a um estado de acomodação e aceite eterno – e a isso nos propomos aqui (a criticar e a sermos criticados). Acreditamos que mirarmos e discordarmos, argumentarmos, propormos, descobrirmos juntos e individualmente é uma experiência universitária, universalizante, diversa.

UNIVERSALIZAR ESTÁ DEMODÊ, pelo viés de Caren Rhoden e Gianlluca Simi

carenrhoden@revistaovies.com

gianllucasimi@revistaovies.com

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