EXCLUSIVO: ENTREVISTA COM MARC VILLA

Entrevista: Alexandre Haubrich traz direto de Caracas uma conversa com o documentarista Marc Villá.

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Cena do filme "Venezuela Petroleum Company", de Marc Villá.

Aos 37 anos, o sociólogo e cineasta Marc Villa é um dos mais premiados e reconhecidos documentaristas da Venezuela. Colabora com canais de televisão estatais e comunitários, e é membro de cooperativa audiovisual La Célula. Os documentários de Marc Villa foram exibidos e premiados em vários eventos na América Latina e Europa. Venezuela Petroleum Company e Yo soy el otro são os filmes mais importantes de sua carreira, iniciada há 10 anos. Atualmente, Villa lidera o Cine Caravana, um projeto que reúne diversas cooperativas de documentaristas independentes.

Revista o Viés : Como é o projeto Cine Caravana?

Marc Villa (MV): Cine Caravana nasce da necessidade de difundir os trabalhos dos documentaristas venezuelanos em um nível popular. Muitos incidiram em salas de cinema, ou televisão, mas os documentários são algo que as pessoas querem ter para ver quando queiram. Surge de uma necessidade concreta de difundir os filmes alternativos, então há 3 meses surgiu esse coletivo.

 Quais os temas principais?

(MV): Eu, em particular, tenho 10 anos dirigindo documentários. Atualmente a cooperativa fez uma série em co-produção com a TVES que se chama Crônicas Extraordinárias, sobre a história oculta, invisibilizada da Venezuela, com temas como espionagem, nazistas na Venezuela, inventores fabulosos, fenômenos demográficos, algumas mitologias, histórias sobre Bolívar, como as provas do que seria o possível assassinato do Libertador, e, no caso na Pana Films, Angel (Palacios) fez Puente Llaguno: claves de una masacre, que é um documentário que revelou o que passou realmente em Puente Llaguno no dia 11 de abril. E há a série Ingerência, que fala sobre as intervenções da CIA na Venezuela e na América Latina, que foi transmitido pela Telesur. Inclusive tem um telegrama do Wikileaks, que fala dessa série como um material de alta qualidade.

 O que pensas da situação dos meios na Venezuela?

(MV): Há duas semanas estive em um encontro latino-americano de documentaristas, e pude conhecer a situação de 24 países. Creio que a Venezuela está bem, comparando com o restante dos países latino-americanos. No ano de 2003 a produção de documentários começou a crescer, alguns com mais qualidade, outros com menos, mas se produzem. Há uma rede de televisões comunitárias, e vários canais públicos, com um tipo de programação que não se vê em outros lugares, com os camponeses, os indígenas. Também é certo que há uma produção de documentários de grande qualidade.

Hugo Chávez/ Foto: Prensa oficial de la Venezuela.

 Como é a relação com o governo?

(MV): A princípio, falando da experiência da cooperativa La Célula, da qual participo, a relação sempre foi boa em todos os sentidos. Eu, por exemplo, que tive filmes financiados por instituições do Estado, sempre fiz críticas ao governo, e assim mesmo o governo promoveu meus filmes. Até agora não houve casos de censura. No caso, por exemplo, dos Yupkas, na serra do Perijá, que é um tema muito sensível, pelo tema das empresas de carvão, da luta pela terra. Aí tem uma forte exploração de carvão e uma luta constante pelo reconhecimento das terras indígenas, e é um dos lugares mais conflituosos do país e nunca houve censura com relação ao caso. Os meios públicos não falam do assunto, mas a produção independente faz a discussão de forma livre.

 E a experiência de estar na feira do livro para vocês?

(MV): É um lugar onde podemos ter contato com o público de uma maneira direta. É a segunda feira que participamos, e aqui existe muita informação importante de ser difundida, como o resgate da memória e é muito importante para o avanço da consciência das pessoas.

Cena do filme "Yo soy el otro", de Marc Villa.

EXCLUSIVO: ENTREVISTA COM MARC VILLA, pelo viés do colaborador Alexandre Haubrich*, de Caracas, especial para a Revista O Viés.

*Haubrich é jornalista e editor do blogue JornalismoB. Colabora com diversas publicações, entre elas a revista o Viés. Leia outros textos publicados por Haubrich na revista o Viés aqui

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  • Ogima Dad

    Ótima reportagem.
    Parabens.