O INFERNO PODE SER PARADISÍACO

Um relato sobre fotojornalismo, segregação e resistência negra desde o tempo do cativeiro pelo viés do colaborador Calvin Furtado.

Foto: Tadeu Vilani

Um percurso incrível. Um lugar paradisíaco. Um nome peculiar. Por detrás de uma cadeia de montanhas rochosas, no leito do Rio Camaquã, havia um ranchinho de pau-a-pique e paredes de barro. O local é de difícil acesso, rodeado de mata fechada e solo extremamente pedregoso. Os pretos que habitam contam uma história secular – um relato oral que sobrepõe gerações em um mesmo contexto sociocultural – aos demais descendentes da matriz africana que deu origem a um dos mais antigos quilombos da região de Bagé. A beleza que o cenário propõe não sugere a nomenclatura pela qual o lugar é conhecido: Rincão do Inferno.  A característica de infernal, no entanto, evoca um passado de segregação e resistência de um campesinato negro itinerante que agora reivindica a titulação e demarcação definitiva das terras em que sobrevivem.

Acostumados com o ruído das aves, dos cachorros, galinhas, porcos, cabras e ovelhas que compõe a cultura de subsistência dos quilombolas, a família Franco, que reside no local há praticamente um século, acolhe e trata bem todos os visitantes que chegam. A natureza exuberante atrai grupos de várias regiões do estado que acampam e praticam rapel no local. A sétima arte recentemente contribuiu para divulgar a beleza do Rincão do Inferno e a cultura dos seus moradores. O curta-metragem “O Sabiá”, do cineasta bajeense Zeca Brito, utilizou os anfitriões do rincão nos papéis principais da produção que foi exibida nas Histórias Curtas da RBSTV em 2010: dona Onélia Marques Franco, 75 anos, e seu Alcíbio Pires Franco, 62 anos. As locações também foram usadas pelo diretor no longa-metragem “O Guri”, primeiro a ser rodado inteiramente em Bagé.

A maioria dos forasteiros que encontram hospitalidade no reduto dos Franco procura respostas acerca da experiência e vivência dos quilombolas da região de Palmas. Exatamente nesta condição que o documentarista e fotógrafo de Zero Hora Tadeu Vilani, 47 anos, esteve em contato com Onélia e Alcíbio, casal de moradores mais antigo do Rincão do Inferno. Era a última segunda-feira de maio, e Vilani aproveitava as férias para fazer mais uma incursão nos confins do Rio Grande do Sul. O fotógrafo dava sequência a um trabalho iniciado há pelo menos cinco anos: produzir imagens da população negra gaúcha. E foi assim, com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, que Vilani trocaria a comodidade da vida na capital por mais uma experiência antropológica.

O Rincão do Inferno é apenas uma das quatro regiões que compõem o quilombo das Palmas, que é formado também pelo Rincão do Alves, Rincão da Pedreira e Campo do Ourique. A região das Palmas é considerada o quinto distrito de Bagé, localizando-se ao norte do município, ao sul do Rio Camaquã, a leste do arroio Palmas e oeste da BR-153. De Porto Alegre até a estrada vicinal que dá acesso ao quilombo são aproximadamente 295 quilômetros. A comunidade quilombola é constituída por cerca de 40 famílias em uma microrregião que faz fronteira com os municípios de Caçapava do Sul, Lavras do Sul e Santana da Boa Vista. A geografia da região aponta um solo litólico bastante pedregoso em uma área íngreme que se acentua a medida que se aproxima do Rincão do Inferno. O fato dos negros terem obtido concessões para habitar o lugar talvez se dê pelas características impróprias para a agricultura extensiva ou familiar.

O trabalho fotojornalístico

O início da fixação de Vilani pela fotografia se deu através do cinema. Guri de Santo Ângelo, Tadeu aproveitou-se do trabalho de um tio, que era porteiro de cinema, para transitar livremente em diversas sessões por anos a fio. Câmera para fotografar, mesmo, Vilani só conseguiria adquirir quando moço, em Porto Alegre. O ano era 1993, e Vilani participava de um curso no Senac que lhe inspirou a comprar o primeiro equipamento: uma Yashica FX3. Dois anos depois ele voltaria à cidade natal e trabalharia como laboratorista em um estúdio fotográfico. Aí começa as primeiras colaborações para Zero Hora ainda como freelancer.

Do trabalho de Vilani destacam-se as imagens em preto e branco. Essas composições são as mais atrativas no portfólio do autor que tem adquirido reconhecimento em nível nacional. Vilani emplacou pelo segundo ano consecutivo o primeiro lugar na categoria P&B no Concurso Leica Fotografe em 2011. Nas edições 2006 e 2010, ele esteve entre os finalistas do Prêmio Esso de Fotografia, e no ano passado faturou também o Prêmio Conrado Wessel na categoria Ensaio. Há quem diga que, pelo talento e visão do autor, e também pela ordem natural das sucessões, nos próximos dez anos Vilani esteja entre os principais documentaristas e fotojornalistas do país.

Foto: Calvin Furtado

Quanto a este trabalho de registrar negros do sul do país, o fotógrafo dá pistas de uma dívida ancestral.  “Fotografar os negros gaúchos é como olhar para minha formação étnica, da qual tenho descendência de italiano, polonês e negro. O meu bisavô pela parte da minha mãe era negro”, explica. Vilani entende a escolha por P&B como uma forma de conduzir o olhar do público diretamente ao assunto que procura destacar, no caso, a realidade da população negra gaúcha. “A proposta do trabalho é mostrar uma das formas de viver no Rio Grande do Sul, que os negros gaúchos ajudaram e continuam a contribuir na formação da cultura do sul do Brasil”, afirma.

Vilani defende a teoria de que existem muitos talentos relegados à clausura da rotina imposta pelas redações dos jornais. Essa constatação é um dos argumentos que o impulsiona a arrumar a mala, encher o tanque do Escort e rodar por aí. “A sensação de estar na estrada é única, saber que vou a encontro da experiência de vida, de entrar em realidades diferentes da minha, e aprender com todo este contexto é enriquecedor”, esclarece.

Marmelada do quilombo

A manhã do dia 28 de maio iniciava chuvosa, o que não era um bom presságio para visitar um local ermo de estrada de chão batido aonde cerca de uma hora do trajeto precisa ser feito a pé devido ao difícil acesso. A epopeia começou no início da tarde, partindo do centro da Rainha da Fronteira, quando apanhamos uma guia turística: Gilda, moradora da região de Palmas. À medida que a tarde caía, percebíamos que tínhamos sido contemplados com uma tarde atípica na região do pampa tão castigada pela estiagem: o céu carregado aos poucos se dispersava dando espaço a esparsos raios de luz que invadiam e rasgavam as nuvens. A tarde renderia fotos diferentes da tradicional imensidão azul do céu e verde dos campos.

Fizemos algumas paradas para oficializar o contato. Vilani pretende voltar à região acompanhado de outro fotojornalista. Conversas, registros fotográficos, gentilezas, nomes, telefones e saudações. A caminho do Rincão do Inferno passa-se pelo cemitério. O cenário é de um clássico campo-santo de campanha: tumbas velhas, com aspecto de abandono, à mercê da vegetação e onde é possível visualizar e tocar em ossos humanos. A parada rendeu um registro interessante; as cruzes das lápides estavam voltadas às coxilhas infinitas que caracterizam a região das Palmas, o que misturava um pouco a sensação de solidão e tranquilidade, e apenas um lapso de luz escapava das nuvens carregadas justamente na altura do cemitério, como se ali realmente os anjos pudessem tocar a terra.

Era metade da tarde, o sol outonal escureceria rapidamente a região, por isso, a esta altura, o tempo era o principal obstáculo. Cinco porteiras adiante, abandonaríamos temporariamente o Escort para a caminhada de quase uma hora. À medida que nos aproximávamos do Rincão do Inferno, o cheiro do verde da campanha penetrava mais e mais, até nos impregnar mutuamente de um sentimento de busca. Quando faltava menos de 500 metros para chegar ao rancho dos Franco, não havia mais solo, mas sim uma extensa camada rochosa irregular capaz de nos deixar boquiabertos. Uma matilha anunciava nossa chegada. Ruidosamente, os cães correram em nossa direção enquanto o casal de quilombolas Onélia e Alcíbio nos observava à beira da casa.

“Achei que não vinham mais”, disse a matriarca septuagenária da família Franco. Para ser fiel ao registro do repórter de Zero Hora Nilson Mariano, que já visitou o local, a velha ralhava com os cães enquanto retirava as cadeiras da cozinha para acomodar as visitas. As coisas estão visivelmente mudando no Rincão do Inferno: depois da chegada da luz elétrica, há cinco anos, os primeiros vestígios de saneamento básico são percebidos. Onélia confidencia que uns amigos da cidade construíram um banheiro no interior da residência e também instalaram um modesto sistema de canos para escoar os dejetos. A matriarca sofre com problemas de glicose e outros males da velhice, enquanto o esposo, Alcíbio, desde a infância carrega no peito o mal de Chagas, consequência dos casebres de pau-a-pique. “Agora quase nem tem barbeiro, mas quando era pequeno era só nóis arrancá os torrão pra ver centenas desses danados”, recorda Alcíbio.

Logo na chegada, Vilani visualiza um homem de aspecto um tanto caricato, que era Antônio, irmão de Alcíbio. De cabelos longos e brancos apenas na parte lateral da cabeça, o quilombola ostentava um imponente bigode grisalho e, sem camisa, era um personagempeculiar para o trabalho documental acerca dos negros gaúchos. O entardecer se avizinhava no Rincão, foi quando decidimos descer para visualizar o tão comentado cenário. Nenhuma descrição conseguira narrar o que realmente se vê no Rincão do Inferno. Um lugar de rara e exótica beleza. Alcíbio e Antônio iam à frente, seguidos por mim, Vilani e a matilha.

Um grupamento de cabras e cabritos e algumas ovelhas estavam por lá. Era o suficiente para inquietar os cães. A dupla de quilombolas ralhava com todos, mas só nominava um galgo marrom chamado Alambique. Ralhavam com o Alambique, que deveria passar a mensagem aos demais. Talvez fosse isso, pois parecia funcionar. Vilani garantiu cliques o suficiente para querer voltar, desta vez sim, com bastante tempo para conversar e investigar um pouco mais a vivência dos moradores do Rincão do Inferno.

Uma das características mais marcantes da família Franco ficou evidenciada ao fim do encontro. Quando retornamos à casa, dona Onélia não autorizou nossa partida sem antes provar sua marmelada. Mesmo com uma vida marcada pelas dificuldades potencializadas pela exclusão social, abandono do Estado, o relativo isolamento, a opressão cultural e as frequentes injustiças, ainda assim, ela acolhe bem aos brancos visitantes. Adentramos a trilha acompanhados da noite, no entanto, cheios de registros, boas impressões e com os dedos enfarados de marmelada.

Foto: Calvin Furtado

Lembranças do cativeiro: o mito fundador do Quilombo

Na sede do Ministério Público Federal de Bagé consta o inquérito em que os quilombolas buscam a titulação e demarcação definitiva da área que engloba o Rincão do Inferno, Rincão dos Alves, Rincão da Pedreira e Campo do Ourique. Um convênio entre Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Fundação de Apoio a Universidade Federal do RS (Faurgs) garantiu a realização de um Relatório Sócio Histórico e Antropológico da Comunidade Quilombola de Palmas. O estudo embasa o processo e foi coordenado pelo doutor em antropologia Yosvaldyr Carvalho Bittencourt Júnior.

O processo de usucapião para regularizar a área de 48 hectares do Rincão do Inferno foi movido por Alcíbio Pires Franco e ainda resulta inconcluso. Os demais quilombolas reivindicam a titulação definitiva de uma área de 405 hectares já ocupados, além de outros 443 hectares dos arredores.

Um grupo de doze pesquisadores esteve na região da Palmas em 2007 e entrevistou a maioria das famílias quilombolas, além de realizar uma investigação documental e cartorial em busca dos registros históricos disponíveis e da reconstrução de trajetórias de famílias que residem na região. O laudo sócio-histórico-antropológico-geográfico conclui que a comunidade de Palmas é de fato remanescente de Quilombo.

“Obtivemos elementos suficientes e substanciais para afirmar de modo a concluir e afirmar de que a comunidade negra rural de Palmas configura, de fato, um grupo etnicamente social e cultural diferenciado, sustentado por concepções de mundo distintas do universo circundante, cuja relevância é a forma como esses grupos sociais estão alicerçados em tramas de densas relações territorializadas primordiais, as quais remontam ao período e universo social escravocrata brasileiro”, afirma o estudo.

Os relatos orais dão conta que a região descrita teve o início da colonização negra em meados de 1890, antes, durante ou após a Revolução Federalista. Trata-se de uma coletividade humana baseada na crença de uma origem comum, real ou imaginária através do mito acerca da escrava Margarita Sabóia. Há relatos que a negra pertencera à família Simões Pires – uma das primeiras a receber sesmarias na região de Bagé – por Antônio Maria Alves (conhecido popularmente como Antonico).

Historicamente, Palmas se caracterizou pela ampla circularidade de negros escravizados, nas estâncias; seguindo para outras estâncias, devido às fugas das guerras ou revoluções; pelo trânsito de negros libertos e de crianças doadas; por meio do trabalho e plantio de roças e do trabalho extrativista das famílias negras. Sobre Margarita, supõe que ela teria vivido na Banda Oriental neste período de efervescência política e econômica que a região de Bagé esta inserida. Como o Uruguai abolira a escravatura na década de 1860, a fronteira era uma das principais rotas de fuga dos cativos.

Nesse sentido, sendo o Rio Grande do Sul um pago onde predominou a cultura da pecuária extensiva, o que contribuiu para a permanência de extensas faixas territoriais nas mãos de poucos produtores, e que, na Revolução Farroupilha, um dos argumentos para convencer os negros a participar da luta armada seria a abolição da escravatura; isto, contraposto ao fato de que as moendas de cana-de-açúcar e a cultura do café mobilizaram bastante o tráfico negreiro, a intelectualidade gaúcha tratou de difundir o mito de que o Estado era oposto ao restante do Brasil tido como escravista. No entanto, dados históricos contrapõe esta linha de pensamento colocando o Rio Grande do Sul como a terceira província com maior proporção de escravos em relação a sua população, atrás de Rio de Janeiro e Espírito Santo, porém, a frente de Bahia e Minas Gerais, para ser específico.

Em 1874, passados 24 anos da proibição definitiva do tráfico de escravos via oceano Atlântico, apresentava um total de 462.452 negros em seu território sendo um total de 21,3% de escravos, o que corresponde ao número de 98.450 cativos em relação aos 364.002 negros livres. Na data de 1846, Bagé apresentava uma soma de 3.504 negros em sua população, sendo 2.288 livre, oito libertos e 1.208 escravos. No entanto, como se percebe a seguir, a escravidão continua em ascendência. Em 1858, somente no 5º Distrito de Bagé – que corresponde à região de Palmas – havia um total de 2.468 negros, sendo 803 escravos, 67 libertos e 1598 livres.

Outra característica apresentada no documento diz respeito ao fato de que as fontes históricas pesquisadas teriam a característica de apresentar caráter repressivo, uma vez que produzidos pelas camadas dominantes da época. Até chegar aos pesquisadores, possivelmente, as informações já seriam filtradas pelo olhar dos agentes que as elaboraram, leia-se juízes, escrivãos, delegados; e nesse caso, já impregnados de preconceitos e valores morais. No entanto, constatam os pesquisadores, uma vez cruzadas com relatos orais de descendentes de escravos, estas informações são importantíssimas para reconstituir aspectos deste passado.

Quando analisados os dados da época do início da colonização negra em Palmas, nos anos próximos a Revolução Federalista (1893 – 1895), percebe-se outro fenômeno: os inventários de sucessões dos grandes proprietários onde o negro constava como mercadoria tal qual cabeças de gado ou quadras de campo. Alguns atos de benevolência são constatados uma vez que alguns descendentes das senzalas começavam a herdar também frações de terra como pagamento pelos serviços prestados.

Foto: Calvin Furtado


Campesinato negro itinerante: a origem do Rincão do Inferno

Durante uma entrevista realizada para o estudo, os antropólogos colheram o depoimento de Francisca Alves, à época com 81 anos, uma das mais antigas moradoras da região do Quilombo de Palmas. “Não sei o que ela (Margarita Sabóia) fazia lá, mas ela vivia lá. É, eu sei que ela veio vindo, veio vindo, veio vindo e na guerra chegou aqui, na zona. Mas ela não era daqui. Nem tinha parente aqui. Era dos castelhano”, disse. Outra quilombola, Eliége Alves, neta de Margarida, reforça a história. “Ela dizia: ‘eu não me casei, me roubaram’. Ela não se casou, roubaram”, afirma.

Afora as relações estabelecidas entre as famílias, em um universo que reforçou a cultura da subsistência baseada nas trocas e trabalho coletivo, vínculos matrimoniais e de compadrio se estabeleceram resultando em parentesco consanguíneo. A própria Onélia é descendente por parte de mãe dos Alves, e lembra quando a família se estabeleceu no Rincão do Inferno. Sem paradouro fixo, os pais de Onélia, Nélio Marques Franco e Maria da Conceição Marques Franco, vagavam de estância em estância com os filhos à procura de trabalho, o que era bastante característico para a população negra no período pós-Abolição.

Onélia conta que sua mãe fora doada por sua avó para uma família que tivesse condições de criá-la. Mais tarde, na década de 1930, a mãe de criação e proprietária de terras indicou o Rincão do Inferno para o estabelecimento dos Franco. “Ela agarrô e disse, ‘Nélio, pra ti não ficá caminhando com a Maria da Conceição, tu faz uma casinha lá no Rincão do Inferno. Ela não vai passá trabalho”, conta. O esposo de dona Onélia comenta a doação. “Eles deixaram os moradores ficarem morando aqui, é como diz, é uma região de pedra, não tinha, pra eles, pros próprios que eram donos não era produtivo. Se fosse campo, uma parte de campo que fosse produtiva… Ah, mas com certeza não iam dá”, alerta Alcíbio.

A família composta por Nélio e Maria da Conceição descreve e reforça o sofrimento dos negros no período pós-Abolição. Como não possuíam terras próprias, viviam da prestação de serviço em fazendas de diversas localidades, trabalhando de forma precária e complementando a renda com o corte de lenha e sua transformação em carvão. Uma vez que os principais contratantes de mão-de-obra negra eram as mesmas famílias detentoras de escravos, uma relação secular se estabelece e historicamente as lides campeiras e habilidades com o cavalo continuam caracterizando os negros da região de Palmas.

“Eles antigamente, esses fazendeiros, eles davam colocação pra pessoa, pra pessoa morar e sem a pessoa dá motivo nem nada eles pediam pra sair. ‘Nós vamos precisar da localidade. Tu vai ter de acha pra donde ir’”, relata Onélia. Há relato das difíceis empreitadas realizadas pelos negros para ir até Bagé. O carvão pra venda era transportado em carretas puxadas por bois, que voltavam carregadas de mercadorias, roupas e remédios. As viagens duravam semanas, no entanto, cada viajante tratava de abastecer todo o grupamento quilombola da região de Palmas.

   

   

   

   

   
   
   

 

O INFERNO PODE SER PARADISÍACO, pelo viés do colaborador Calvin Furtado*

*Calvin Furtado é jornalista. Leia mais de Calvin Furtado na revista o Viés.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this pageEmail this to someone
  • Fúlvio Alves

    Excelente reportagem! Parabéns ao Calvin Furtado e ao Tadeu Vilani pelo excelente trabalho! Um abraço dos quilombolas das Palmas!