CRÔNICA PARA UMA SOLUÇÃO NÃO ANUNCIADA

      É, tudo vira bosta.   Eu já tinha outra idéia em mente. Pensei em escrever sobre o lixo espacial. Imaginem que temos anéis, bem como Saturno… Anéis prateados com algumas luvas de astronautas. Na verdade um anel que é quase como uma luva, pois está ao redor de todo o globo. Isso […]

A+ A-

 

 



 

É, tudo vira bosta.

 

Eu já tinha outra idéia em mente. Pensei em escrever sobre o lixo espacial. Imaginem que temos anéis, bem como Saturno… Anéis prateados com algumas luvas de astronautas. Na verdade um anel que é quase como uma luva, pois está ao redor de todo o globo. Isso não é passível de uma crítica cega, de uma crítica que simplesmente julgue a poluição humana. Por onde passarmos ficará alguma coisa para trás: somos transformadores de matéria e muitas vezes não temos o que fazer com o que dela torna-se inútil ou inalcançável.

A nossa poeira cósmica é poeira humana. Sabe-se que um homem caminhava em um parque e pá! uma bolinha de metal caiu do céu. Chover canivetes até parece algo mais próximo. Claro que aqueles dois velhos nomes da Guerra Fria têm muito mais a ver com isso, porém, hoje é algo que possui uma grande importância para todas as nossas vidas. Satélites desativados estão por lá, e por eles que conseguimos avançar, ou melhor, progredir nesse negócio de comunicação e outros negócios.

 

Mas do que eu não consegui sair, foi do lixo. Quanto lixo, minha nossa, quanto lixo! Pra todos os lugares que eu olho eu vejo lixo. Se alguém passar por um canteiro de 2 por 2 vamos encontrar ao menos um papel de bala. E não adianta bater na maldita tecla da conscientização e blábláblá.

Dando uma olhada pelas ruas de Santa Maria vemos uma preocupação. Adotamos um sistema que nos aproxima dos grandes centros de primeiro mundo. Vejamos esse belo trecho retirado das páginas do site da Prefeitura Municipal de Santa Maria: Os moradores não precisarão ficar estocando lixo dentro de casa aguardando o dia e horário da coleta. No Centro, os containers fechados permitirão o depósito dos sacos a qualquer momento, pois os recipientes serão vedados. Além disso, o caminhão recolherá quando um sistema de sensores avisar que o container está 80% cheio. Portanto, não haverá horários pré-determinados.

Eu concordo que essa tecnologia italiana seja interessante. Acho até que pelo que eu leio, daria muito certo. Me soa como uma boa intenção mal sucedida. Onde estão os sensores? Os contêineres chegam aos seus 180% e a sujeira só aumenta. O lixo continua rasgado pelo chão, os cães continuam fuçando, revirando, arrastando. O cheiro é muito agradável para quem passa de carro. Aquela coisa fermenta lá dentro, a impressão é que um monstro realmente vai te atacar, saltar. As tampas nem fecham. Uma senhora da França, lembrem-se, país de primeiro mundo, estava sem compreender nada quando colocaram aqueles tonéis nas esquinas.

Eu também adoraria saber como se implanta tecnologia do tipo país de primeiro mundo em uma cidade que não possui as demais características.

Ah, existe outro tipo de coisa que salta de dentro dos contêineres: pessoas. Tornou-se, mais uma vez, parte do cotidiano, abrir para colocar suas sacolas de lixo e ver alguém dormindo ou fazendo a seleção do lixo dos outros que agora é a sua matéria-prima. Pensamos assim que o curta-metragem “Ilha das Flores”, de Furtado, saiu de um ponto escuso para todas as esquinas.

O mais interessante é que quando alguém põe fogo, dá um jeito de explodir o contêiner é chamado de vândalo. Será que esses caras são apenas arruaceiros? Confesso que por vezes sou tomada por uma grande vontade de agir da mesma forma, em protesto. Eu não sei o que fazer. Eu não me candidato à prefeitura, não compreendo engenhocas. Mas existe tempo e local para que isso seja rediscutido e algo seja feito. Pensem um pouco nesses vândalos, nas reações adversas, não permitam que essa tal conformidade atue. Vamos mexer os pauzinhos até que a coisa ande, um pouco melhor. Vocês não são enfeites na estante do poder.

CRÔNICA PARA UMA SOLUÇÃO NÃO ANUNCIADA, pelo viés de Caren Rhoden

carenrhoden@revistaovies.com

 

Para ler mais crônicas acesse nosso Acervo.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this pageEmail this to someone
  • http://catherinedejupiter.wordpress.com Júlia Schnorr

    Por que não instalaram lixões para recicláveis ao mesmo tempo que para os orgânicos? Não adianta querer imitar o ”primeiro mundo” que, afinal de contas, serve somente para os seus intitulados – e olhe lá. Boas idéias são influências, mas só se forem adaptadas.