QUASE 80 ANOS, E SONHANDO EM MUDAR O MUNDO

Semana que vem começa a campanha política para as eleições de outubro. O cenário político nunca foi tão ruim para o povo brasileiro. Do mesmo lado, mas sempre afirmando estar em lados contrários, José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) já polarizam há meses essa disputa. Correndo por fora, Marina Silva (PV) mostra ser a mais retrógrada dos candidatos, e dispara pela mídia declarações homofóbicas e igrejeiras. Defende ainda um falso debate ecológico, desvinculando os problemas ambientais do sistema produtivo capitalista.

Os três candidatos que somam juntos quase 90% das intenções de voto defendem o mesmo projeto político. Um projeto de subserviência econômica e de cooptação dos movimentos sociais por migalhas chamadas de programas sociais. Vem sendo assim há décadas, e vai continuar sendo. Não se engane achando que o Serra “vai acabar com o Bolsa-Família”. Ele não seria tão estúpido. Nem que a Marina vai ser ambientalista quando o mercado a apertar.

Com qualquer um eleito – Serra, Dilma e Marina – nada mudará substancialmente. O discurso do melhorismo imperará. Ora, é verdade que a situação econômica do Brasil está melhor, pode-se comprar uma geladeira em 50 prestações na Casas Bahia. Mas os problemas estruturais, a precarização de educação e saúde públicas, só pioram. Posso apontar, sim, três candidatos que apresentam um projeto diferente de país, e de sociedade, nesse pleito. Zé Maria (PSTU) e Ivan Pinheiro (PCB) estão nessa lista, mas o nome mais importante deles é o senhorzinho de quase 80 anos do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio.

Dou mais importância a Plínio pela história que ele carrega consigo em seus anos de militância e por todos os apoiadores que ele angariou durante sua pré-campanha. Grande parte da intelectualidade que ainda sobrevive no Brasil (e no mundo) votará em Plínio. São exemplos disso o geógrafo Aziz Ab’Saber, o cineasta Sílvio Tendler, o filósofo húngaro Istvan Meszaros e o francês François Chesnais. Plínio é um lutador social há mais de 60 anos, e nunca deixou de ser coerente. Foi exilado na ditadura civil-militar. Rompeu com o PT quando da traição deste ao povo pobre. E hoje, já idoso, coloca seu nome a serviço de um projeto de mudança política.

Enquanto todos forem debater o botox da Dilma, as olheiras do Serra e a história de superação de Marina, Plínio debaterá política. Tentará mostrar à população que não há saída para a classe trabalhadora dentro desse sistema de sociedade. Que a luta contra a corrupção tem de ser combinada com a luta anti-capitalista, pois a corrupção é intrínseca ao sistema. Que a luta ecológica também não pode ser desligada da luta anti-capitalista, já que o lucro sempre terá vantagem contra a natureza no sistema vigente.

Plínio não tem dinheiro para a campanha (nem o quer de empresas). Não tem partido com grande representatividade. Não tem muito tempo na TV. É esquecido nas pesquisas. Mas tem a internet, e é por meio dela que quer chegar aos eleitores. Quer mostrar que o socialismo não é o bicho-papão que tanto se propaga, e sim o sonho de um mundo melhor. Plínio vai fazer 1% dos votos. E daí? Como ele mesmo diz, se uma pessoa começar a questionar um pouco mais a sociedade após a campanha, a tarefa terá sido cumprida.

QUASE 80 ANOS, E SONHANDO EM MUDAR O MUNDO, pelo viés de Mathias Rodrigues

mathiasrodrigues@revistaovies.com

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