DE DILMA, O PIOR

Dilma Roussef é a nova presidente do Brasil. E, infelizmente, não se pode esperar muito dela. Não por aquele fraco argumento usado pelo PSDB durante a campanha de que ela era despreparada. Dilma é uma das pessoas mais preparadas para governar esse país e seu currículo é a prova disso. O problema é governar para quem e ao lado de quem.

O PT já abdicou do seu programa fundacional há tempos: o programa democrático-popular. Acreditava-se que, através de reformas de base, iniciar-se-iam mudanças bruscas no Brasil rumo à verdadeira democracia. Em 8 anos de governo Lula, nenhuma reforma de base foi feita. Na Previdência Social, houve um retrocesso. No campo, famílias demoram mais tempo para serem assentadas do que no governo FHC.

No campo econômico, o governo Dilma não deverá diferir em nada de Lula e de FHC. Manterá os juros altos e a liberdade do Banco Central. Não há sinais de que uma Reforma Tributária, na qual os ricos paguam mais impostos que os pobres, esteja por vir. O Brasil seguirá economicamente desigual.

Quanto aos movimentos sociais, pode haver um avanço. Não para o governo Dilma, mas para o país. Dilma não tem o mesmo carisma que Lula. Não terá a mesma tranquilidade para segurar MST, CUT e UNE com uma mão e Collor, Sarney e os banqueiros com a outra. Não é a mesma coisa receber migalhas em projetos sociais de Lula que de Dilma. E, com a crise econômica, Dilma deve ter que tomar lado – algo que Lula evitou fazer em seu governo. E o lado mais fraco é o dos movimentos sociais.

Espera-se que esse movimentos se rebelem contra o governo Dilma e que a esquerda se reorganize para fazer uma oposição combativa e coerente a decisões neoliberais do PT. E também que haja um real descolamento da base desses movimentos e do próprio PT. De Dilma, só há de se esperar o pior.

DE DILMA, O PIOR pelo viés de Mathias Rodrigues
mathiasrodrigues@revistaovies.com



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