Um espetáculo vespertino para entrar na memória

Mariana Feistauer faz um relato de sua corrida para chegar – atrasada – no espetáculo da banda Vespertinos, em Santa Maria.

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Foto: Letícia Durlo.

Se o show está marcado para às oito horas da noite, como se chama a pessoa que está ainda caminho às oito e quinze? Se chama eu mesma. Atravessei a Acampamento em ritmo de cooper até a praça Saldanha Marinho.

Quando cheguei, tirei os fones sempre nos ouvidos para então ouvir música. A música dos Vespertinos, ao vivo, pela primeira vez na principal praça da cidade. A Vespertinos, se vocês ainda não conhecem, é uma banda santa-mariense, tem um repertório de letras autorais e poéticas, que passeia entre o indierock, o folk e a saudade que não tem cor, isso vocês podem ler no facebook da banda.

Agora se você os conhece como eu, essa é a banda do Martim (voz e violão) meu colega de escola e melhor amigo, do Matheus (sintetizadores e voz), amigo há mais de dez anos, do outro Mateus (bateria), filho da minha professora da pré-escola, do Alexandre (guitarra e voz), foi colega de faculdade, e do Igor (baixo e voz), que até me convidou para um churrasco e me apresentou seus cachorros. Um é completamente diferente do outro, então o som é algo só deles, uma mistura que pegou um pouco de cada e psicodelicamente dá certo.
Deu certo. Deram um verdadeiro show, aberto e gratuito. Cheguei aos quarenta cinco minutos do primeiro tempo, tocavam Escadarias. Uma praça de gente cantarolava a letra. Gente jovem reunida do lado de fora de suas casas à noite. Cantei junto:

“Onde você foi

Aonde você está

Quero te ver

 

Ainda vai ligar

Quando chegar

Em casa”

 

Abracei muitos amigos, escolhi um lugar próximo a eles, em que eu pudesse ver bem o palco e comentar. Vi muitos desconhecidos, gente nova, bem mais nova que eu, que chega na cidade, enquanto eu começo a pensar em ir embora.
Cliquei uma foto. Uma memória. Era isso que fazíamos ali. É sobre isso que escrevo aqui.

Como tantas histórias cabem em um show de pouco mais de uma hora. A Memória. Abracei os meninos depois do show, como os abraçava desde a infância. Cantarolei junto o fim da música, escrito pelas memórias do Martim, sentindo saudade do sol que eu vi nascer no Rio de Janeiro.

Caminhei para casa, pensando, qual o significado que essa noite terá daqui alguns anos, saudades ou memória?
Descobrirei mais adiante.
Melhor é viver agora. Melhor é ouvir o som dos meninos.

E tentar não chegar atrasada no próximo show.

 

Um espetáculo vespertino para entrar na memória, pelo viés de Mariana Feistauer*

*Mariana é estudante de Publicidade e Propaganda na UFSM.

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