2º TURNO DAS ELEIÇÕES 2010

Assim como ocorreu no sábado anterior ao 1º turno, a revista o Viés traz um pouco da opinão da Redação no 2º turno das eleições 2010. ZÉ SERRA É BARÃO A autocracia tem as mãos permeando este segundo turno das eleições presidenciais do Brasil. Com feição de um velho barão egocêntrico, José Serra sorri quando […]

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Assim como ocorreu no sábado anterior ao 1º turno, a revista o Viés traz um pouco da opinão da Redação no 2º turno das eleições 2010.

ZÉ SERRA É BARÃO

A autocracia tem as mãos permeando este segundo turno das eleições presidenciais do Brasil. Com feição de um velho barão egocêntrico, José Serra sorri quando é avisado pelo assessor. Durante as imagens divulgadas na campanha, eram evidentes as amostras forjadas de um senhor alegre e popular. Quando obtinha espaço e microfone para debater seu governo, a primeira palavra gesticulada era “eu”.

O governo José Serra, se vencedor deste páreo, pode se parecer muito com o governo de sua colega de partido e atual derrotada para o governo do Rio Grande do Sul Yeda Crucius. Yeda e Serra acreditam que são o poder, a instituição maior de seus cargos. O tucano é o legítimo candidato vestido para a reunião do FMI. Teso, gesticulando calmamente como aprendeu com os aristocráticos, sentir-se-ia em casa em qualquer reunião de Washington ao lado de seus amigos bem vestidos com cara de autoridade.

Este pequeno texto não avaliou Serra como político, como ex-governante ou como possível novo Presidente da Nação. A proposta era, em poucas palavras, definir por que Zé Serra (alcunha arquitetada publicitariamente para aproximá-lo do apelido mais famoso do Brasil) não obtém tanto apoio popular. Parecendo diretor de escola em 1890, Serra não ouve as duas partes da história contada por “seus alunos”. Premia aquele ensinado em berço de ouro e julga à palmatória o aluno bolsista na escola da Opus Dei. Serra é assim: quem não merece o Brasil merece cadeia, como ele mesmo já articulou.

Bibiano Girard

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SOBRE O VOTO OBRIGATÓRIO

Voto é direito e é obrigatório. Ninguém, ao menos ninguém em plena consciência, admitiria que o voto é um retrocesso. Sabe-se que a democracia se constroi em cima do voto, na opção coletiva (e também individual) de elencar representantes. Mesmo que se saiba que o voto representa sempre a maioria, e que é a maioria que decide, não se pode anular a importância de um voto apenas, como único elemento. Algumas vezes eu me pergunto se o voto deveria ser obrigatório. Na plena ideia, ele não seria – já que, por ser um direito, as pessoas desejariam exercê-lo, ao contrário de serem direcionadas a fazê-lo. Em diversas situações, presenciamos a disputa, muitas vezes suja, entre candidatos que peleiam por um voto. Não temos condições de determinar quem tem e quem não tem aptidão para votar. Conhecer o candidato e esperar dele uma melhoria para sua própria condição são conceitos chave na votação. Aos que desacreditaram, posso afirmar que já vi pessoas moverem mundos e fundos para exercer o seu direito de votar, ao contrário de alguns que apenas reclamam de um ato tão mecânico. Triste é ver um indivíduo confundir eleição com corrida de carro e apostar no que ‘está ganhando’. O Brasil precisa saber o que quer. Por ser uma obrigação, muitas vezes o voto é posto no lixo – por puro despreparo – mas, muitas vezes, ele ressalta a importância de um exercício que deveria ser considerado uma dádiva – e não um fardo.

Nathália Costa

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E OS HERMANOS, O QUE PENSAM?

Na Argentina, um dos países vizinhos, a posição quanto ao governo PT é de admiração. Apoiadas na figura de Lula, as opiniões gerais ressaltam o avanço do Brasil nos últimos oito anos. Um argentino dispara “arriba, Dilma!!”. A candidata do presidente pode não ser tão conhecida por aqui, mas, com certeza, é a escolhida entre aqueles que opinam. O que se tira disso é que não há fundamento em retornar ao modelo de governo PSDBista, que esteve no poder antes de Lula. Argentinos olham para o vizinho Brasil e veem um salto de crescimento. “Nós precisávamos de um Lula por aqui”, é o que diz outro, refletindo sobre a figura importante de Néstor Kirchner e concluindo que não, o ex-presidente argentino não foi tão grande como está sendo Luís Inácio. Nas livrarias, não há uma vitrine que não exiba “Lula, el hijo de Brasil”. Nas universidades, estudantes comentam as políticas quanto às cotas, querendo também algum tipo de início de inclusão de negros e indígenas. Nos jornais, comentam-se o fortalecimento do MERCOSUL e dos laços sudamericanos em geral, impulsionado em grande parte pela atuação do presidente brasileiro. A opinião pública na Argentina crê na vitória de Dilma e crê na continuidade de um governo como foi o de Lula.

Liana Coll

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POPULISMO DO MAL/POPULISMO DO BEM

Durante os últimos anos, ouviram-se muitas críticas por parte da oposição tucana e do “Democratas” quanto a uma política que, segundo os dirigentes dos dois partidos, o governo Lula teria posto em prática. O “populismo” seria uma forma de satisfazer as camadas mais pobres com pequenos “presentes”, necessitando de um líder carismático, que agradasse as “massas”. O uso do termo “populismo” na última década refereria-se ao grande investimento em ações como a pavimentação de estradas e ruas e a construção de casas populares, além de políticas sociais, como o Bolsa Escola e o Bolsa Família. Por anos, os líderes tucanos chamaram esses programas de “Bolsa Esmola”, desqualificando tais ações. O populismo era um mal a ser combatido.

Mas, durante esta campanha presidencial, algo diferente aconteceu. Por conta da alta popularidade de Lula, Serra preferiu não bater de frente com as ações do governo que termina nesse ano. A campanha de Serra focou mais nas denúncias contra a candidata Dilma Rousseff e na falta de experiência da concorrente em disputas eleitorais e em cargos executivos. Além disso, a campanha mostrou ações executadas por Serra à frente da prefeitura e, posteriormente, no governo de São Paulo, como pavimentação de ruas e estradas e a construção de casas populares. O populsimo é do “Bem”.

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As ações da campanha se chocam com o discurso de Serra e dos tucanos quanto às medidas populistas. Antes “paladinos” contra o “populismo vermelho”, hoje fazendo promessas como o aumento do salário mínimo para R$600, 10% de reajuste para aposentados e um 13º pagamento do Bolsa Família. Ações que dificilmente entrarão em vigor se José, ou “Zé”, como foi apelidado (outra medida populista?), assumir a presidência em 2011.

A campanha acaba mostrando, como uma espécie de termômetro, as aspirações dos candidatos, além de mostrar seu nível de respeito ao eleitor. Com ideias tão diferentes durante a campanha e durante a oposição ao governo Lula, parece que Serra tem muito para aprender nesse ponto.

João Victor Moura.

2º TURNO DAS ELEIÇÕES 2010, pelo nosso Viés

ocorreio@revistaovies.com

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