ENTREVISTA: ROBIN ESROCK

Viajar pelo mundo, escrever sobre e viver disso. Muitas pessoas gostariam de ter um agenda assim, mas poucas parecem conseguir se desvencilhar da rotina e do reino da necessidade e partir. Dos navegadores a Jack Kerouac, chegamos à era da internet e a Robin Esrock.

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Viajar pelo mundo, escrever sobre e viver disso. Muitas pessoas gostariam de ter um agenda assim, mas poucas parecem conseguir se desvencilhar da rotina e do reino da necessidade e partir. Dos navegadores a Jack Kerouac, chegamos à era da internet e a Robin Esrock.

Robin nasceu na África do Sul e, há onze anos, vive no Canadá, de onde parte frequentemente para outros países a conhecê-los. Robin mantém um blogue, Modern Gonzo, onde escreve sobre suas viagens. Além disso, publica em jornais e em revistas e, neste ano, terminou os 40 episódios da série Word Travels, em que ele e a também escritora de viagem Julia Dimon viajaram a 36 países.

Robin Esrock cedeu esta breve entrevista à revista o Viés:

revista o Viés: Comecemos nossa entrevista com o básico: de onde tu és, qual é tua trajetória, como foi tua infância?

Robin Esrock: Eu nasci e fui criado em Joanesburgo, na África do Sul. Lá, eu estudei Jornalismo na universidade, mas não trabalhei como jornalista até dez anos depois de formado, quando eu já tinha trabalhado com música e com mídia online. Eu imigrei para Vancouver, no Canadá, em 1999 e, em 2005, saí a viajar pelo mundo. Enquanto eu puder ser pago para escrever sobre viagens, eu o continuarei fazendo!

: Em que contexto tu percebeste gostar de viajar?

Robin: Eu cresci durante a grande mudança na África do Sul, então talvez seja por isso que me sinta tão atraído à mudança e às coisas novas. Meus amigos brincam que eu não consigo parar num lugar. Eu amo novas experiências e novos desafios – eles mantêm a vida interessante.

: Como tu começaste nessa carreita? Como viajar se tornou a tua ocupação em tempo integral?

Robin: Um carro bateu no meu no caminho para o trabalho um dia, quebrando minha patela. Seis meses depois, eu me recuperei e recebi $20mil dólares (canadenses) da seguradora. Eu decidi rever minha vida; pedi demissão e fui sozinho ver todos os lugares que eu sempre quis ver. Peru, Turquia, Índia, Brasil. Eu comecei pondo minhas aventuras no meu blog. Isso levou a uma coluna no jornal e essa coluna levou a uma carreira como escritor de viagem freelance. Em 2007, eu fiz um programa de TV sobre minha vida a isso levou ao programa Word Travels, um série em 40 episódios vista nos canais National Geographic e Travel Channel em todo o mundo. Como isso tudo aconteceu? Eu acho que as estrelas se alinharam a eu fui muito, muito sortudo.

: O que tu fazes hoje (programa de TV, blogue)?

Robin: Eu viajo e escrevo para jornais, revistas e para a internet. Mey programa de TV foi finalizado depois de 40 episódios, gravados em 36 países. Agora eu estou desenvolvendo novas ideias para programas de TV para, quem sabe, ter outra chance de levar as câmeras pelo mundo.

: Como tu escolhes teus destinos? Como tu te preparas para a viagem? Tu tentas levantar dados sobre o lugar antes, como um planejamento?

Robin: Eu procuro por aventuras e atividades que eu sempre quis fazer e começo a partir daí. Hoje em dia, agências de viagens me sondam para experiencer lugares diferentes. Eu pesquiso alguma coisa na internet, mas eu prefiro simplesmente chegar ao lugar e experiencer as coisas sem muitas expectativas.

: Como tu sentes ligado ao lugar a que tu foste? Em que momento tu sentes ter encontrado um lugar especial para ti?

Robin: Viajar é sobre as pessoas que tu conheces. Depois de um tempo, uma selva se torna uma selva e uma montanha se torna uma montanha. Mas são as pessoas que realmente definem uma experiência e fazem um lugar especial. Eu percebi cedo que são pessoas que tu conheces que criam o paraíso que tu encontras. Eu estive em Jeriquaquara, conheci pessoas amáveis de São Paulo, Inglaterra, França e nós nos divertimos muito. Mais tarde, eu encontrei alguns mochileiros que acharam o lugar muito entendiante. Muito depende das pessoas.

: Qual tu achas ser o papel da literatura de viagem?

Robin: A literatura de viagem deveria inspirar, informar, educar e entreter. Há muitas notícias ruins no mundo. A maioria das pessoas sabem muito pouco sobre o mundo além do que elas escutam ou leem nos noticiários. Os noticiários amam notícias ruins. Os escritores de viagem são o antídoto. Nós escrevemos sobre beleza e paisagens e pessoas e aventuras e eventos – coisas que ajudem as pessoas a perceber que o mundo não é amedrontador como elas pensam. Pessoas me mandam e-mails todo o tempo para dizer que eu as inspirei a viajar e ver o mundo. É por isso que eu faço o que faço.

: O que tu sentes quando conheces novos lugares e novas pessoas?

Robin: Eu sinto estar um degrau mais perto de descobrir uma grande verdade sobre o que somos, o que fazemos aqui e por que eu faço o que faço. Eu também posso descobrir o gosto das cervejas pelo mundo!

: Qual foi a experiência mais incrível e a mais desagradável que tu já tiveste?

Robin: As experiências mais incríveis foram nas mais desagradáveis. Conhecer tribos loucas no meio das matas na Etiópia. Andar pelas ruas desoladas em Chernobil. Visitar a vila onde meu avô nasceu na Lituânia. O desagrado geralmente traz grandes histórias. Tu ris e lembras das horas ruins muito mais do que das boas. Os momentos mais desagradáveis foram, provavelmente, no Quênia, onde eu escrevi sobre os Flying Doctors e visitei o Hospital Geral de Nairóbi. Eles carregavam os corpos em latas. Foi uma história importante de cobrir e eu fico feliz por tê-lo feito.

: De que tu sentes falta quando tu voltas?

Robin: Eu sinto falta do fato de que, todo dia, há algo novo. Em casa, nós tendemos a nos prender à rotina muito rapidamente. O tempo passa e tu não te lembras do que fizeste na semana passada. Na estrada, todo dia pode ser épico, ensina-te novas coisas sobre o mundo e sobre ti, apresenta-te a novas pessoas. Isso pode se tornar um pouco cansativo e é importante ter raízes também. Como tudo na vida, viajar deve ter um equilíbrio.





ENTREVISTA: ROBIN ESROCK, pelo viés de Gianlluca Simi

gianllucasimi@revistaovies.com

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  • diosana

    Resumindo a entrevista – e também a mente e o coração de um mochileiro:

    “Viajar é sobre as pessoas que tu conheces. Depois de um tempo, uma selva se torna uma selva e uma montanha se torna uma montanha. Mas são as pessoas que realmente definem uma experiência e fazem um lugar especial.”

    Parabéns pela entrevista, Gian.