ELEIÇÕES DCE UFSM: CHAPA 1 – EM FRENTE [PARTE III]

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: Como a chapa avalia a expansão da universidade – REUNI -, visto que problemas práticos e burocráticos vêm ocorrendo há tempos, como a falta de espaço físico e a MP 525, que proíbe a contratação de professores efetivos?

 

Márcia: Então, a gente considera muito importante a expansão da universidade pública gratuita e de qualidade. A gente sempre luta por um número maior de vagas e de acesso, e também de permanência na universidade. O REUNI veio com uma proposta de expansão mas deixou a desejar na questão da qualidade do ensino. Colocaram muita gente para dentro da universidade mas não deram condições estruturais como número de professores, laboratórios, salas de aula. Os cursos foram construídos de forma bastante autoritária, de pouca discussão, sem levar em conta a realidade das pessoas que fazem parte desta sociedade. Há o problema de professores que receberiam benefícios com a criação dos cursos.

Leonardo: A gente acredita numa reforma que primeiro deveria aumentar os recursos mandados para as universidades, verbas para a educação, temos que vincular a questão concreta que se discute com a questão macro da educação, então surge a discussão. Para construir uma proposta de reforma nós necessitaríamos de um extremo diálogo para conseguir atender as reais demandas da sociedade com os setores organizados que discutem a educação no nosso país, e isso não foi feito, foi feito de forma autoritária. Como nós vimos aqui na UFSM, por exemplo, um dos pontos principais que deveriam ser tocados sobre o REUNI PE a abertura de cursos noturnos para aproveitar a estrutura que a universidade tem para que as pessoas que não podem parar de trabalhar para entrar na universidade tivessem a oportunidade de trabalhar de dia e estudar de noite. E isso não foi feito por que os cursos foram fechados e votados nos conselhos superiores, onde a maioria é professor, que sofrem pressão e são cooperativistas e não discutem quais são as reais necessidades que a gente precisa. E hoje o que a gente vê que o dinheiro do REUNI na UFSM é gasto em obras e prédios e mais prédios e não necessariamente na qualificação dos cursos e da educação. Inclusive, todos os prédios que ficam vazios à noite podendo ser usado pelo povo trabalhador para entrar na universidade. Isso não aconteceu. O dinheiro foi usado em obras novas de prédios novos a todo momento. Isso se reflete na política contraditória que o governo Lula veio tomando, e agora no início do governo Dilma segue o conservadorismo e o autoritarismo e discussões a quatro paredes que vão influenciar na universidade, com as questões das MPs 520 e 525. São coisas que devemos seguir discutindo e pautando para os estudantes no próximo período (gestão), o que é muito importante. Está acontecendo tudo na contramão do que a gente defende. Estamos sentindo agora, tanto nos cursos novos quanto nos já existentes, a falta de professores na Universidade. Achamos muito negativo essa MP 525. Enquanto nós defendíamos a contratação rápida de professores efetivos, essa MP vem e tranca a contratação de professores efetivos e aumenta o número de substitutos. Isso é muito negativo. Tem muitos cursos sofrendo com isso. É uma luta que o DCE tem o papel de levar adiante nesse próximo período.

Márcia: Quando a gente fala da expansão de ensino com qualidade, a gente não pode esquecer da assistência estudantil. Aqui em Santa Maria nós já vínhamos sofrendo com questões estruturais, como foi o caso do RU superlotado. Então a nossa chapa, na época que era gestão “Avante”, conseguiu lutar pelo aumento do RU, mas não foi significativo. Então partimos para a construção de um novo RU e conquistamos. Mas avaliamos que ainda não é suficiente, que ainda tem muito o que avançar. Também tivemos expansão da universidade para outras cidades, como foi o caso de Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Silveira Martins. A gente vê a assistência estudantil como extremamente precária nessas cidades. Enquanto aqui na UFSM a gente tem umas 2000 vagas de moradia estudantil nas casas do estudante, em Silveira Martins não tem nada. Os estudantes não tem acesso nem ao benefício socioeconômico, e em Palmeira das Missões e Frederico Westphalen nós temos um número muito pequeno de vagas, o que chega a umas 30 vagas, o que não atende a demanda real. A questão do transporte público também é muito importante. Em Palmeira das Missões o ônibus nem entra no Campus, os estudantes tem “se virar” em relação a isso, e está sendo limitado o número de estudantes que tem acesso ao benefício socioeconômico. A gente conseguiu o aumento do teto do benefício de R$500 per capita para R$750, mas ao mesmo tempo que aumentou, em Santa Maria os estudantes têm o acesso ao benefício socioeconômico, mas em Palmeiras das Missões e Frederico Westphalen existe um número limitado de estudantes que podem receber o benefício. Tem um número fixo, além deste número os outros estudantes ficam sem. Para se ter uma educação de qualidade, todos os estudantes têm que ter acesso aos benefícios estudantis para permanecer na faculdade, não apenas ingressar e depois ter que abandonar seus cursos porque não consegue um espaço de moradia, não consegue acesso ao Restaurante Universitário, biblioteca em horário noturno, que é bastante limitado o horário, a questão do transporte público que não dá condições, às vezes, do aluno ficar até o final de sua aula porque tem que pegar o ônibus para voltar para o local onde reside.

: Muitas questões práticas da vida estudantil ainda não foram atendidas de maneira satisfatória, como por exemplo a União Universitária, as moradias estudantis, a procura dos alunos por pedidos de carência, a estrutura dos RUs, a segurança no campus à noite etc. Como a Chapa pretende se relacionar com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) para melhorar esses pontos?

Márcia: Então, hoje a gente tem vários problemas não solucionados em relação à assistência estudantil. A União Universitária, hoje, conta com 200 estudantes divididos em três quartos, e para esses 200 estudantes existe apenas dois banheiros. É uma situação extremamente precária onde os estudantes são colocados em situações desumanas e a Universidade não traz nenhuma proposta, nenhuma alternativa para melhorar esta estrutura. A gente já vem tendo um diálogo com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e as direções das casas estudantis, tentando sempre pautar o aumento da estrutura da casa do estudante e o acesso a vagas.  Quando a gente pode a gente tenta o diálogo, mas nem sempre é possível. Um exemplo que ocorreu ano passado foi em relação à vigilância, principalmente na Casa do Estudante II, em que os vigilantes assumiram uma relação extremamente repressiva, proibindo os estudantes de se relacionarem, de sair de casa depois de certo horário, os estudantes não podiam sair para fora da casa com um caneca que os vigilantes vinham cheirar para ver o que era, não havia uma postura de diálogo, não tinha preparação para lidar com os estudantes. Parecia muito mais vigilância de porta de boate do que de casa estudantil. A situação estava extremamente incômoda, então foi tentado o diálogo em vários espaços, tanto em reuniões com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis quanto com a Pró-Reitoria de Infraestrutura, que é a principal responsável pela vigilância. Os moradores se mobilizaram com os conselheiros, existe um conselheiro por bloco da casa, e a direção da casa do estudante e tentamos o diálogo porque a situação já estava meio que intolerável. Os estudantes não estavam mais tendo acesso à União Universitária como espaço para estudo e integração, e como a via do diálogo acabou não adiantando nós fizemos uma assembleia geral com os estudantes aqui na Casa e decidimos fazer um ato público de mobilização dentro da reitoria, onde uma comissão foi conversar com o Reitor e os pró-reitores. Dessa reunião a gente conseguiu tirar um protocolo de atuação da vigilância mas esse protocolo hoje não está sendo cumprido. Para eles, ou é oito, ou é oitenta, não tem meio termo. Os vem a vigilância e fica dentro da casa reprimindo os estudantes, ou eles se retiram totalmente, que foi o que aconteceu nesse segundo momento. Hoje a gente não tem uma vigilância na casa do estudante, nem fazendo ronda, então acabou aumento a questão dos assaltos, da tentativa de roubos de apartamentos, então se tornou uma situação bem complicada. Mesmo que nós moremos dentro de uma instituição federal, a gente não recebe segurança. Então a gente segue na luta por não estar satisfeito com a situação. Continuamos tentando dialogar, continuamos tentando fazer valer esse protocolo de atuação da vigilância, que seria uma segurança para os moradores, e não somente uma vigilância patrimonial que só vai cuidar do patrimônio federal

Zasso: Nessa pauta da assistência, como falávamos antes, existe um ampliamento do número de vagas, então nós defendemos que a assistência também seja ampliada. Há duas questões: a histórica, o que existe de assistência estudantil aqui no campus na CEU II é reflexo de muita luta, isso não foi conquistado na base da boa vontade da reitoria, existe, devido a estrutura que a UFSM tem, uma demanda por assitência estudantil, e foi a mobilização dos estudantes que construiu a casa do estudante na UFSM. E em Frederico Westphalen e Palmeira das Missões a situação é bem mais complicada. Foi uma conquista também dos estudantes durante a última gestão o aumento do teto para o benefício. O valor de R$500 estava em voga desde 1999, um limite totalmente defasado e no caminho surge um plano nacional de assistência estudantil, um plano bem contraditório, pois tem muitas políticas boas ao mesmo que tem muitas políticas ruins. Em princípio, foi bom ter essa nova política de assistência estudantil. No início, eles falavam de um limite de um salário mínimo e meio, então nos mobilizamos e conseguimos que fosse para R$750. Em termos de luta, é interessante falar sobre o embate que nós tivemos no começo da gestão passada com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis que foi a questão do “Sétimo morador”. A proposta da pró-reitoria de se utilizar o cubículo dos apartamentos para morar mais um morador em cada apartamento não era o estilo de assistência que nós queríamos. Nós queremos mais vagas, mais blocos, e não estar “enfiando” mais um morador em cada apartamento. Também com base nas manifestações, com os estudantes se organizando em assembléias com os moradores da CEU II, nós conseguimos barrar a política do “sétimo morador” em apartamentos de seis pessoas. A gente tem essa linha da organização, de diálogo com os estudantes pautando a direção da CEU, onde a Márcia já fez parte, de ouvir e pautar a partir do que falam os estudantes. Com isso nós conseguimos essas vitórias.

Leonardo: Outra questão que terá que ser pautada a partir do aumento do teto limite foi a maneira de seleção da PRAE a partir do quesito econômico. Isso foi feito a portas fechadas, a PRAE não teve diálogo com os estudantes, e o que nós temos como reflexo agora, é que com este agendamento de entrevista, acabou que se tem hoje espera de até seis meses para conseguir fazer a entrevista para os benefícios. Além de critérios muito subjetivos. Nós achamos que se tem que fazer uma discussão mais ampla sobre os critérios. Às vezes fica na boa vontade de um ou de outro de funcionário, e isso a gente não pode aceitar, tem que haver transparência. O DCE quer uma discussão maior sobre os critérios que se tem hoje. Por exemplo, quem é calouro ainda consegue o benefício temporário, mas não tem acesso à Casa do Estudante, e ainda pessoas que já estão na Universidade, que vêm pedir e não têm acesso ao benefício temporário. E aí tem que ficar esperando um semestre ou dois pra conseguir ter acesso ao benefício e isso é uma das coisas que nos botamos em pauta agora. Como sempre, nosso primeiro espaço para discussão, nossa primeira forma de tentar melhorar isso é o diálogo autônomo, mantendo autonomia, tentando construir um diálogo com a Universidade sobre isso, mas em um segundo momento, quando não conseguimos avançar nesse tipo de coisa, é a partir da mobilização. Acho que assim todas as pautas que a gente vai tocar, essa é a nossa política, como a gente vai construindo.

José Antônio: Outra questão sobre a assistência estudantil que a chapa Em Frente também defende é o direito a três refeições para todos os estudantes da UFSM. A gente sabe que quem estuda durante a noite e não tem benefício socioeconômico, não pode jantar nos RUs da Universidade. E também, aos finais de semana, muitos bolsistas que estão na área de iniciação científica de ensino e de extensão. Quem não tem o benefício não pode efetuar as alimentações no RU aos finais de semana. A gente tem como proposta atuar, levar a discussão e, a partir da discussão, lutar para que se conquistem três refeições para todos os estudantes da UFSM. A gente compreende que é um direito de todo estudante fazer as três refeições nos RUs.

: Como a chapa avalia a aproximação e o diálogo entre os campi de Santa Maria, Silveira Martins, Palmeiras das Missões e Frederico Westphalen? Há como tornar o DCE, com a sede central em Santa Maria, um DCE atuante e que represente todos os alunos da UFSM nos quatro campi atuais?

Zasso: A partir do Congresso Estudantil que teve em 2009, o DCE passou a representar todos os campi da UFSM. A gestão Avante foi a primeira gestão a estar presente nos quatro campi: primeira gestão multicampi da UFSM, a gente tem uma certa experiência com isso, é possível uma aproximação, muitas vezes ela se dá, mas a gente está em processo de melhorar isso; vale uma primeira gestão como experiência, algumas coisas deram certo, por exemplo, em Frederico tem movimento estudantil bastante atuante, Palmeira tem diretórios acadêmicos, mas foi uma relação um pouco mais difícil; com Silveira Martins existe uma proximidade muito grande, uma realidade muito diferente da que se dá em Palmeira, porque se tem uma proximidade de vinte e poucos quilômetros. A maioria do pessoal mora em Santa Maria e vai de ônibus pra lá e aí não tem assistência lá e não tem direito a assistência aqui.  Alguém de Silveira Martins não pode, por exemplo, retirar livros na biblioteca de Santa Maria, alguns absurdos assim. A gente tem proposta e procurou eventos de integração entre os campi. Uma coisa que a gente buscou, não conseguimos ainda na Avante, mas na Em Frente gostaríamos, se possível, como entidade, é de um ônibus de integração entre os campi, uma proposta também deles que a gente sempre defende, mas essa integração entre os campi é possível, ainda estamos no momento de tornar isso mais realizável, temos experiência. Tem algumas coisas que o DCE tem que falar, tem que atuar, por exemplo, nessa semana teve ato de Transporte em Frederico Westphalen com trezentas e poucas pessoas na rua por melhorias no transporte público de lá e isso é o DCE estar presente, é o DCE estar construindo pautas dependendo da realidade do local. A gente quer integração, mas a realidade de Frederico é diferente da realidade de Palmeiras que é diferente de Silveira Martins. Existem situações gerais, mas existem particularidades.

José Antonio: Nós acreditamos que um DCE que consiga contemplar todos os campi da UFSM, primeiramente, devem ser elencadas patas gerais, e de fato se tem essas pautas gerais, como a questão do transporte público, que é pauta daqui de Santa Maria, é pauta de Palmeira, é uma pauta de Frederico Westphalen, é uma pauta também de Silveira Martins, como a questão da especulação imobiliária, que é visível em todos os campi da UFSM. Aqui em Santa Maria é visível toda essa questão, tanto que as linhas do transporte público beneficiam alguns bairros de Santa Maria. Em Frederico Westphalen também essa questão do transporte é muito visível por causa da especulação imobiliária, onde se triplicou os valores dos aluguéis. Em Palmeira das Missões também se dá essa mesma questão. Pra UDESSM, aqui em Silveira Martins, a Universidade não conseguiu ainda viabilizar um transporte público para estar deslocando, ou mesmo as próprias empresas de transporte lá. Como não se tem muito estudante, não é do interesse das empresas aumentar e ampliar a linha de transportes para Silveira Martins. É uma questão que a chapa se propõe, através de muito debate que já vem construindo, tocar essa questão, ampliar as lutas. Ampliar as lutas também para que não ocorra essa especulação imobiliária de forma exacerbada, como vem ocorrendo em todos os campi da UFSM. Essa questão também da cultura e lazer, que não há ainda uma forma integrada de cultura e lazer pra UFSM, então nos propomos também a lutar por mais espaços de lazer e cultura. Então devemos estar a frente nesse processo, pra que ocorra uma concha acústica, um espaço coletivo para os estudantes da UFSM estarem em espaços de cultura, lazer e debate, onde de fato se consiga ter um espaço de interação. A questão também para que haja uma maior interação entre os campi da UFSM é estar ampliando também o Encontrão, que é um encontro que vem unir os estudantes de todos os campi, de Frederico, da UDESSM, de Palmeira e de Santa Maria, através desse Encontrão, onde ocorrem debates sobre a assistência estudantil, debates sobre o movimento estudantil, jogos universitários… Estar trazendo essa maior interação entre os campi da UFSM. Assim também a gente quer deixar claro que, como há muitas particularidades nos campi, já se tem representações, tanto é que tem um coordenador geral também na chapa em Frederico, em Palmeira, pra estar trazendo as pautas específicas desses campi também, assim como também tem estudantes desses campi que compõem a chapa e para estar proporcionando uma interação multicampi e que venha a contemplar todas as demandas de todos os campi, através das pautas gerais e das pautas específicas de cada campus. Só pra complementar: por essa questão de agora as lutas terem de ser conjuntas e serem tocadas em todos os campi, a gente tem noção do que foi esse desafio de ser a primeira gestão a tocar uma gestão da entidade multicampi. Esse desafio trouxe várias vitórias mas teve muitas limitações também. Nós contamos com essa experiência que foi esse ano para conseguir melhorar nesse próximo ano e conseguir fazer uma integração de fato, que vai ser reavaliada no Congresso Estudantil – que é de dois em dois anos – que entra essa discussão de novo, no segundo semestre do ano. Nós temos a expectativa de se conseguirmos ganhar essa eleição, tocar essa gestão melhor na questão da integração.

Franciele: Eu acho que se deve pautar de novo a luta pelo ônibus pra gente poder ter também o pessoal dos outros campi nos Conselhos de DAs, nessas formas de debate, nas manifestações. Acho que também pautar a ideia da concha acústica pra se ter Assembleia Universitária, que só ocorreu uma vez aqui na universidade, pra gente estar lutando pela democracia na universidade. E também falar um pouco, que não foi falado, da luta contra o machismo na universidade, que a gente tem também como pauta, que a gente vai estar aí tentando reunir o coletivo de mulheres de toda a universidade, de outros campi também, pra gente se integrar mesmo à luta, independente de partido político, porque a gente sabe que existe essa relação, também. A gente está pautando essa luta que é geral do movimento estudantil pras mulheres na luta contra o machismo na universidade. Nossa coordenação geral é paritária, tem três homens e três mulheres. A gente está pegando mais nessa parte também pra estar afirmando a luta contra o machismo na universidade.

Leonardo: Junto também tem essa questão do Seminário. Nós temos como proposta, tirada agora nessa… uma coisa que a gente sentiu na formação da chapa que cada pauta que a gente tinha, cada linha geral de discussão que a gente tinha, tinha a necessidade de organizar uma discussão mais ampla, que a gente via que esse espaço não era suficiente e que o DCE deveria promover espaços maiores de discussão sobre isso. Aí teve sobre a questão agrária, sobre a questão de gênero, sobre a questão do racismo, e todas as ações afirmativas, sobre a questão indígena…

Franciele: O pessoal da Afronta, do GAPIN [Grupo de Apoio a Indígenas] estavam presentes sempre nas nossas reuniões, tem que focar isso. Porque a nossa construção está sendo com todas as instancias da nossa universidade, com todos os coletivos que a gente tem, os movimentos sociais. Na luta pelo transporte a gente tentou agregar todos os movimentos sociais, o Movimento Nacional de Luta pela Moradia, o pessoal do MCC [Movimento Construção Coletiva] estava presente também. Então teve toda uma integração, a gente não faz a luta sozinho, a gente faz a luta com todas as instancias da universidade, porque o movimento estudantil para nós é independente de partido, ele é o movimento estudantil mesmo que vai pautar o geral, do que precisa para a universidade. Não quer dizer que o pessoal que seja do PT, do PSOL… a gente não leva muito para esse sentido, a gente leva mais pela luta mesmo de o que o estudante está precisando, do que o estudante está realmente vivenciando aqui, na prática, então eu acho que é por isso que eu acredito muito na nossa chapa, porque a construção vem sendo feita desde o ano passado…

Leonardo: Sobre esses seminários temáticos que eu tinha falado antes, que a Fran começou a puxar, que há até a oportunidade de fazer seminários maiores com a integração dos campi, que todos possam participar, que a Universidade ofereça a estrutura para isso acontecer e também nos espaços acadêmicos formais que a gente tem hoje aqui na universidade, que tenha como os estudantes dos outros campi poderem participar, que tenha auxílio da universidade nisso, transporte, principalmente.

Zasso: Nessa parte da integração, tem atividades que o DCE promove anualmente, como o Nossas Expressões, como o JUSM, que a gente fez com que esses espaços fossem também multicampi, que tivesse o Nossas Expressões lá em Frederico, em Palmeira, que tivesse o JUSM também nessas cidades e terminando também com um grande encontro. Não foi tão possível assim esse Encontrão, até veio um pessoal de Palmeira, mas Frederico teve problemas em relação à direção do CESNORS liberar ônibus e coisas assim, pois a gente acaba dependendo disso, só que essa integração também se dá por esses espaços, construir espaços como o JUSM, o Nossas Expressões, nessas cidades. E por que não que se tenha uma integração que a gente possa participar do JUSM lá, o pessoal do CESNORS vir pra Santa Maria, o pessoal da UDESSM vir pra cá também. No CESNORS tem uma coisa muito legal que eles têm feito, só que agora a direção do CESNORS – o professor Genésio – está sinalizando não fazer mais que é a Gincana do CESNORS, que eles faziam sempre ou em Palmeira ou em Frederico, iam ônibus, ia muita gente e aí faziam jogos, não necessariamente competitivos, mas jogos de integração, almoçavam todos juntos. Então era um dia de atividades pra comemorar o aniversário do CESNORS. Isso também é pauta de integração, que se mantenha essa Gincana, porque como o CESNORS está crescendo, tem mais gente entrando pelo REUNI e também as turmas, que antes só tinha até o terceiro semestre, agora estão se formando, ou seja, têm turmas de todos os semestres, eles estão achando que é muita gente, que é inviável. Mas a gente acredita que esses espaços devem ser mantidos também como integração entre os campi, mas nesse caso especifico entre o campus de Palmeira e o campus de Frederico Westphalen.

Márcia: A gente também luta que a estrutura da Universidade também seja uma estrutura para os estudantes. Nisso entra a questão do Centro de Eventos, que hoje estão proibidas as festas. Os estudantes não podem mais fazer festas de cursos, os estudantes não conseguem fazer congressos, nenhuma organização nesse espaço e ele acaba ficando restrito só aos grandes que tem condições de pagar o espaço, que são de fora da universidade, enquanto os estudantes não estão podendo ter acesso. Então uma das nossas lutas é para que a estrutura seja para os estudantes, que os estudantes possam continuar fazendo seus eventos lá e que esse espaço sirva para a gente usar para fazer os encontros de integração entre o CESNORS e o campus de Santa Maria. Lutar também para que tenha transporte de integração entre os campi, várias universidades já adotaram essa política, de ter um transporte gratuito, pelo menos semanal, pra que as pessoas também possam usufruir da estrutura do campus de Santa Maria, da biblioteca, do Restaurante Universitário.

Franciele: Acho que também se deve falar do projeto que a Avante está começando com a Arquivologia que é o resgate histórico do movimento estudantil, que o pessoal da Arquivologia está fazendo, que eu acho que é também uma forma de mobilizar a galera pra também participar dos espaços. A gente também está com propostas de fazer uma exposição para a galera olhar e sentir também parte do movimento estudantil, o pessoal do CESNORS também. Então essa é uma proposta que a Avante levantou e a gente pretende seguir, se possível, na Em Frente, pra colocar as pautas do movimento estudantil e chamar mais pessoas pra mobilizar.

Leonardo: No inicio a gente teve até na reunião final, com o pessoal do CESNORS que esteve aqui, que é a questão que eles colocam de que lá não existe a cultura de movimento estudantil, não existe um acúmulo já, e nisso eles têm muita dificuldade pra começar a construir do zero o movimento estudantil e pautar a Universidade a lutar pelo que eles necessitam lá. Trazendo a questão do movimento estudantil, é muito importante a gente levar pra lá pra tentar começar lá e refazer um retrocesso histórico, uma ajuda dessa organização, desse começo do movimento estudantil lá no CESNORS, pra eles conseguirem tocar a partir de agora

: Por que o empenho em criar uma chapa para concorrer? O que vocês trazem de diferente?

 

 

 

 

Márcia: A gente vem construindo as lutas do movimento estudantil na UFSM há um bom tempo, mesmo em períodos que a gente não está na gestão do DCE, a gente não fica parado, continua pautando as questões mais importantes pros estudantes. Então, a idéia de montar uma chapa foi da necessidade dos estudantes continuarem essas lutas, de continuar lutando por assistência estudantil, por uma educação de qualidade dentro da Universidade, por continuar lutando por pautar os rumos dessa Universidade dentro de uma sociedade. A gente é um grupo que carrega uma experiência de luta dentro do movimento estudantil, mas ao mesmo tempo a gente é um grupo bastante renovado. A gente tem hoje umas doze ou treze pessoas que já faziam parte da gestão Avante e é um grupo renovado que vem somando as lutas pelo processo de mobilização pelo transporte, que se somou no processo quanto a vigilância na Casa dos Estudantes e que vem se somando as nossas lutas pelo que acredita importante, a gente está pautando isso dentro da Universidade e pretende seguir enquanto chapa pro DCE.

 

Leonardo: A gente carrega um pouco da experiência das últimas lutas que foram tocadas aqui e também tem histórico de pessoas conhecidas que já fizeram parte em outros momentos, de outras lutas há mais tempo. Só que nesse processo de renovação a que a gente está se propondo a construir, onde é importante o movimento estudantil, também colocar que nosso objetivo é sempre superar as lutas que já tiveram as conquistas, conseguir a partir dessa experiência que a gente conseguiu acumular, das pessoas que já passaram, nós conseguirmos superar o que já teve e conseguir avançar cada vez mais. Tem varias lutas que tiveram começo agora, nesse último período, que estão ainda sendo tocadas. A questão do transporte, uma luta que vai voltar muito forte agora nesse ano e isso a gente pode ver pela organização deles de uma chapa que vai disputar o DCE, que representa os setores conservadores, os que tem poder sobre o transporte, e várias outras lutas como a questão do ingresso na universidade, que foi uma luta importante que discutia toda a questão da educação no ensino médio e dentro da universidade, uma questão importante que vai ser tocada; conseguimos construir às pressas um projeto de processo de seleção que nós mesmos votamos pra baixar pra discussão, tentando fazer com que um projeto da Reitoria também fosse baixado pra discussão, e esse ano vem um processo de discussão da nossa proposta, que daí pode ser alterado e essa é a ideia, uma pauta importante pra continuar sendo tocada, a questão do transporte, a questão da assistência estudantil aqui e, principalmente, no CESNORS onde se pretende fortalecer o movimento estudantil porque hoje nós temos um pouco mais de representatividade do que as outras chapas, o pessoal que vem com a gente dos diretórios acadêmicos de lá.

José Antonio: Acho que a questão que a gente traz de novo pra avançar nas nossas lutas é a questão da especulação imobiliária, que é uma questão que contempla a grande maioria dos estudantes, que são estudantes da UFSM, então, é uma luta a ser tocada no próximo período. A gente quer dialogar e propor novas lutas que tragam essa discussão à tona na sociedade de Santa Maria e, como a gente sabe, essa especulação imobiliária tem sido feita e está estrategicamente mobilizada juntamente com a questão do transporte e o interesse das empresas de ônibus privadas de restringir algumas linhas de ônibus em certos bairros de Santa Maria, então é uma luta que se soma a questão do transporte, também a gente está trazendo novas propostas sobre a especulação imobiliária, outro grande desafio que a gente tem. A Em Frente vem pautando a questão da integração multicampi;  a gente sabe que a Avante foi a primeira gestão que teve um DCE envolvendo todos os campi. Nós, da chapa Em Frente, estamos nos propondo a esse desafio que é dialogar e tocar as pautas específicas de cada campi juntamente com nossas pautas gerais, que contemplam a discussão com todos os estudantes da UFSM. Outra questão nova é a questão de ampliar a questão da cultura e do lazer, acho que está aí pautando novos espaços de cultura e lazer, que consiga envolver todos os estudantes da UFSM, que consiga envolver a comunidade de Santa Maria, propor espaço de extensão na comunidade de Santa Maria, nas periferias de Santa Maria, para que os estudantes consigam vivenciar a realidade da periferia de Santa Maria. A maioria dos estudantes não conhece a cidade de Santa Maria, restringindo ao campus e ao centro, às suas residências, e acho que ampliar nossas ações, as trocas de experiências entre os estudantes e a comunidade de Santa Maria, entre os trabalhadores da periferia, trazendo os filhos dos trabalhadores pra universidade para que as classes menos privilegiadas possam estar disponibilizando com que seus filhos possam ingressas na universidade. A gente acredita que a universidade é pra todos e consiga fazer com que todo povo esteja na universidade, para que os trabalhadores também estejam na universidade.

Márcia: A gente estuda numa universidade que na teoria é fundada em cima do tripé Ensino, Pesquisa e Extensão, mas a gente consegue perceber que ainda é meio falho esse tripé. Hoje se tu fores analisar os grupos de pesquisa e extensão, tu vais perceber que os de extensão são em muito menor quantidade e recebem menos recurso que os projetos de pesquisa. E nós temos muitos integrantes da chapa que é morador da casa do estudante, e devido à política de transporte público da nossa cidade, a gente têm direito a só vinte e cinco passagens pra estudante. Só que a gente não é só estudante quando estamos dentro da universidade, a gente é estudante em tempo integral. Por isso a idéia de acabar com esse limite de passagens para morador da casa, para qualquer outro estudante em geral, para que a gente também possa participar dos outros espaços da cidade, para que a gente possa estar realizando projetos de extensão em outros bairros, que a gente possa estar participando de outros espaços. Também queremos o DCE como espaço de cultura para que a população de Santa Maria usufrua da estrutura da universidade, participando de atividades culturais,  como amostras de filmes, de debates, de amostras culturais, de artes e de várias outras coisas.

Leonardo: Uma forte crítica que nós temos também sobre a pesquisa na universidade é a privatização da pesquisa dentro da universidade. Através das fundações, que é uma política do governo, que não foi combatida pelo governo Lula, que nós também criticamos muito, que é a apreciação do espaço e da estrutura física da Universidade, os profissionais da Universidade, e o prestígio que a Univerisdade tem, a legitimação perante a sociedade, a gente vê as empresas privadas dentro da universidade, o que acaba privatizando o que tem na Universidade e focalizando a pesquisa mais em setores econômicos que nós temos na cidade e não nas reais necessidades da população. O que a gente lê deste cenário eleitoral é que nós temos a chapa “Amanhã vai ser outro dia”, que é um pessoal que participa das lutas em vários momentos com a gente e nós entendemos que eles não são nossos inimigos nessa eleição, apesar de termos divergências em métodos, análises da realidade de hoje, da situação e da conjuntura da sociedade, nós entendemos que eles não são nossos inimigos nessa disputa, não é? O que está em disputa é nós conseguirmos continuar as lutas que a gente teve quando o movimento estudantil “tocou” e que a gente acha que estamos mais preparados para continuar tocando esse momento contra um outro setor que se organizou representando os setores conservadores da região, não só de Santa Maria, que pode retroceder, colocar em risco todos os avanços e lutas que nós tocamos nesses último período. Nós entendemos que a entidade DCE não é critério para o estudante tocar ou não tocar a luta, mas que é um instrumento importante para nós conseguirmos continuar essas lutas. Além da mobilização na rua, continuar com as representações de Conselhos, nas instâncias de decisão da Universidade. E por isso nós achamos que o que está em jogo é a disputa entre nós e o pessoal da direita que está vindo contra nós. É nós conseguirmos continuar as lutas ou perder um instrumento de luta que é o DCE, que garante a estrutura e a representação dos estudantes. Seja na discussão geral sobre educação, que deve ser feita, seja na posição frente à Reitoria, seja com os governos federal, estadual e municipal, frente às empresas e o interesse privado, os que atuam aqui e que a gente tem que “bater” em vários momentos. É isso que está em jogo. Também a paralisação do movimento estudantil, como Conselhos de D.A.s, seja nos congressos estudantis, seja as assembléias gerais dos estudantes, é isso que está em jogo. Voltar o imobilismo, como na gestão “Novo Rumo”, há três anos, quando o Conselho de D.A.s deve que antecipar as eleições porque a gestão não fazia nada. Só tocavam a boate, o dinheiro da boate não tocou nenhuma luta, e até hoje eles não prestaram contas daquela gestão. O nosso medo é voltar esse tempo, de imobilismo, de representação das empresas, da prefeitura e não dos estudantes. Por isso que estamos nos colocando como chapa agora.

Zasso: O Leonardo colocou bem as diferenças, o que está em jogo de verdade nesta disputa do DCE. O grande diferencial que nós temos das outras duas chapas, é a maneira como construímos, desde o ano passado, em mais de vinte reuniões construindo coletivamente uma proposta, ouvindo o máximo de pessoas que a gente conseguiu. Este é o nosso diferencial em relação as outras chapas. Uma vantagem que temos também é a pluralidade que temos dentro da chapa. Nós estamos representados nos quatro campi, nós fizemos esse processo nos quatro campi da UFSM, sempre procurando agregar o maior número de pessoas, de cursos, de realidades diferentes para conseguir que o Diretório Central dos Estudantes seja uma entidade que de fato represente toda a Universidade Federal de Santa Maria.

José Antônio: Por isso o DCE não pode parar e tem que seguir em frente. 


Confira o áudio da entrevista:

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ELEIÇÕES DCE UFSM: CHAPA 1 – EM FRENTE, pelo viés de Bibiano GirardFelipe SeveroLiana Coll

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