ELEIÇÕES DCE UFSM: CHAPA 1 – EM FRENTE [PARTE II]

: Desde o surgimento do DCE, integrantes de várias chapas além dos anos tornaram-se políticos influentes no estado e no país. O afastamento com a política é impraticável, já que política faz parte do cotidiano de todos. Contudo, qual a posição da chapa quanto à divisória partidária das chapas concorrentes? Isso seria evidente pela união […]

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: Desde o surgimento do DCE, integrantes de várias chapas além dos anos tornaram-se políticos influentes no estado e no país. O afastamento com a política é impraticável, já que política faz parte do cotidiano de todos. Contudo, qual a posição da chapa quanto à divisória partidária das chapas concorrentes? Isso seria evidente pela união de pessoas com os mesmos ideais e interesses quanto à dirigência do Diretório ou poderia ser visto como um braço dos partidos dentro da universidade?

 

Diego Adolfo Pitirini: As questões que envolvem os partidos e a divisão partidárias na disputa pelo DCE é logicamente pertinente. A gente vive um período de democracia no país aonde as pessoas têm a liberdade para construir os partidos e para participar os espaços de decisão da sociedade, logicamente, que na nossa avaliação a proposta de construir o movimento estudantil não deve ser, embora algumas pessoas tenham se tornado figuras políticas dentro do espaço brasileiro, essa não deve ser a finalidade do movimento estudantil. Na nossa avaliação o movimento estudantil têm lutas específicas e que luta por espaço muito influente na sociedade, que é a Universidade. Agora, logicamente, não tem o papel de construir pessoas que venham a disputar os espaços eleitorais depois.Nós não vemos problemas de as pessoas estarem participando dos espaços de discussão da sociedade, estarem participando dos partidos, desde que o movimento estudantil não se torne uma corrente de transmissão dos partidos. E como nós podemos não nos tornar uma corrente de transmissão dos partidos se têm pessoas que militam nos partidos? Nossa resposta para isso é clara: é construir um movimento democrático, que tenha fóruns internos, que é o caso das nossas gestões “Avante” e “Viração” e é o que estamos efetuando, que tenha o Conselho dos Diretórios Acadêmicos, que tenham Assembleias gerais, que tenham os congressos estudantis. Coisas que em outros períodos não aconteceram. Logicamente, coisas que criam uma democracia interna dos grupos que se organizam. No nosso caso, na nossa chapa, existem 4 integrantes que são ligados a partidos, que tem filiação partidária, que é um direito dessas pessoas, logicamente. Mas todas as nossas propostas, todas as nossas discussões são pré-definidas. Nós fizemos quase vinte reuniões para construir a chapa, todas as nossas propostas foram construídas nessas reuniões pelas pessoas que constroem o movimento estudantil. O movimento estudantil tem que ter autonomia frente a partidos, outros movimentos sociais, reitoria etc. A gente tem que resolver nossas questões internamente. E eu acho que é assim que a gente têm construído, pelo menos desde quando a gente acompanha o movimento estudantil aqui em Santa Maria, a nossa posição tem sido essa, de não tornar o movimento estudantil uma corrente de transmissão dos partidos. É um direito de todas as pessoas do nosso país de participarem da política de um modo geral. Seria mais interessante que mais pessoas fizessem parte deste processo, inclusive dentro da universidade que é o espaço da intelectualidade.

: A ligação de alguns membros da atual chapa coordenadora do DCE e candidata da situação – Em frente – com o Partido dos Trabalhadores (PT), base dos governos Lula e Dilma, atrapalha, ou não, a luta estudantil santa-mariense?

Diego: Bom, a nossa avaliação é que logicamente existe uma ligação de algumas pessoas da chapa que militam no Partido dos Trabalhadores. A chapa “Avante” não tinha só militantes do PT, tinha militantes do Partido Comunista do Brasil, tinha um menino que era do Partido Verde, mas essa relação com os governos tem que ser de completa autonomia. Nós, da gestão “Avante”, muitas vezes construímos movimentos que iam contra a postura do governo assumia. Não só aqui, mas desde os espaços mais em conjunto da micropolítica, como é o caso da universidade, em que às vezes um Diretório Acadêmico resolve apoiar um coordenador de curso. Pelo menos o grupo que compõe a nossa chapa tenta manter uma autonomia frente a isso. Tenta construir a oposição às políticas em geral. No nosso caso da gestão “Avante” a gente construiu vários movimentos, desde os enfrentamentos mais recentes, como é o caso das MPs. Teve momentos até mesmo de pessoas que militavam no movimento estudantil enquanto o PT estava na prefeitura, ocuparam a prefeitura, trancaram a Avenida Medianeira…Nós, agora, lutamos contra várias políticas do governo sem ter o mínimo de peso na consciência em relação a isso, lutamos contra as fundações privadas, lutamos até contra políticas que acreditávamos que seria diferente, como é o caso do PROUNI, como a própria extensão do REUNI, que não teve discussão, foi uma medida totalmente autoritária do governo, e esperamos manter esta postura. Acredito até que o conjunto do movimento estudantil deveria fazer o mesmo, analisar, por que acredito que dentro desta disputa pelo DCE a chapa que tem mais autonomia frente a partidos seja a nossa.

: Se eleita a chapa “Amanhã vai ser outro dia”, que tem em seu quadro de membros militantes ligados ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), partido que não apóia nenhum dos governos atuais,  haveria maiores dificuldades para se ter conquistas no movimento estudantil santa-mariense, visto que seriam poucos os apoios políticos?

Diego: A nossa avaliação é clara. Nós estamos disputando o processo eleitoral do DCE por acreditarmos ser a melhor alternativa nessa eleição. Seria inclusive uma incoerência dizer que os avanços das outras chapas seriam melhores que os nossos. Agora, logicamente que o fato das influências políticas seja limitante na nossa avaliação é que não. O papel do movimento estudantil é de construção de luta social. A relação com a institucionalidade ou com os apoios políticos externos ela deve ter uma precaução. A nossa avaliação sobre a relação da chapa “Amanhã vai ser outro dia” é que não depende disso, depende da postura interna do movimento estudantil, da democracia interna do movimento estudantil e da postura política frente as questões que forem apresentadas. Logicamente tendo em vista que não se ampliariam ou se diminuiriam as conquistas apenas pelas relações políticas externas, mas muito mais pela capacidade de mobilização interna que o movimento estudantil teria. No nosso caso, a gente acredita que mesmo num período em que as pessoas têm dificuldade de sair na ruas, a gente tem feito o esforço de construir mobilizações sociais, que é o papel dos movimentos sociais. Essa relação é um pouco confusa, isso não é um determinante para as conquistas, não existe uma força maior do que a força social, da luta social. O papel do movimento estudantil, por ser um movimento social, é esse: de colocar o povo na rua, de colocar o estudante na rua, para decidir as pautas. Independente de governos, partidos, prefeituras, reitorias.

: A ligação de membros da chapa “Inova” com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), partido do atual prefeito de Santa Maria, não viria a atrapalhar ou abrandar a luta estudantil em causas locais, como o aumento das passagens ocorrido ano passado, se a chapa for eleita?

José Antônio: Nós acreditamos que alguns estudantes que compõem a chapa Inova e que tem ligação com o PMDB, ela não vem para contemplar as lutas que a gestão “Avante” e “Viração” conquistaram ao longo das duas últimas gestões do DCE. Por ter essa ligação, o prefeito de Santa Maria é do PMDB, existe essa ligação de alguns membros, e logicamente tem ligação com as empresas. Existe uma força por parte das empresas e do prefeito para que a nossa gestão não ganhe porque de fato estaria barrando os interesses das empresas e da prefeitura, que é parar a luta na rua pela questão do transporte público. A nossa chapa defende um transporte público de qualidade, um transporte público que venha a contemplar mais linhas de ônibus, mais horários noturnos. Então, de certa forma, estaria dificultando sim as lutas que o movimento estudantil conquistou (anteriormente à eleição) com a gestão “Inova” a frente do DCE. Seria muito negativo para o movimento estudantil uma chapa do PMDB no DCE. Logicamente que não restringiria a luta dos estudantes que de fato constroem o movimento estudantil de Santa Maria. Estar ou não em frente à uma entidade não é motivo para parar as lutas sociais, mas ao mesmo tempo legitima estar a frente de uma entidade, por que tendo a entidade em mãos, legitima perante aos estudantes essa luta social, mas não restringe a luta dos estudantes.

Leonardo: Acho que uma característica que nós deveríamos pensar neste ponto, é exatamente a constituição de movimento social que nós discutimos antes. O pessoal que está organizando, que está por trás desta chapa (Inova) funciona como uma resposta a uma mobilização que já teve anteriormente dos setores conservadores da sociedade e da região. É preciso saber que essa chapa (Inova) vem com um coordenador geral que é vereador do PMDB, e em Frederico Westphalen, eles fizeram reunião dentro da prefeitura para montar a chapa. Aí nós entendemos como é a concepção deles de movimento estudantil, ou nem de movimento estudantil por que eles não têm como se posicionar como movimento estudantil por que nunca apareceram nas lutas estudantis. Eles só aparecem nas eleições do DCE ou quando há lutas sociais, porém, do lado dos setores conservadores que estão por trás deles.

José Antônio: Complementando o que o Leonardo falou, é o fato de que não está se construindo uma chapa dos setores estudantis, são as direções da juventude do PMDB, do PP e do PTB que tem feito o esforço de disputar as eleições do DCE. Se formos ver, o Mauro Bakof, que faz parte da coordenação da chapa Inova, está matriculado na Universidade desde 2001, matriculado em uma cadeira, passou no vestibular ano passado para conseguir reingressar em Física simplesmente para disputar as eleições do DCE. Outro caso é o caso do Roberto Fontinel que é vereador pelo PMDB e é outro coordenador da chapa deles, que também está só para disputar as eleições, usando, inclusive, o gabinete da prefeitura para fazer reuniões. Então, na nossa avaliação, não é um setor que tem construído o movimento estudantil e que esteja preocupado com os interesses dos estudantes. É um agente externo que vem disputar as eleições para barrar a construção do movimento estudantil, para atravancar este processo. Existe uma diferença muito grande. Neste caso, é uma corrente de transmissão externa totalmente realocada, uma chapa que é construída sem discussão mas que é construída por partes que querem aparelhar a entidade (DCE).

Zasso: Desses elementos que foram colocados, o pior de tudo isso seria exatamente o aparelhamento da entidade. Nas gestões “Viração” e “Avante” nós tivemos uma autonomia. Nós nos baseamos pelas políticas que estavam sendo propostas e aí tomávamos posição dentro daquilo que a gente acreditava ser o melhor a partir das bases, dos estudantes, das instâncias que a gente sempre defendeu do movimento estudantil, como Conselhos de D.A.s e Assembleias gerais. A grande preocupaçã que se tem em relação a isso (gestão Inova) é quando a gente vê uma formação de chapa dentro de uma prefeitura, uma reunião de formação de chapa dentro de uma prefeitura como aconteceu em Frederico Westphalen. Quais seriam os interesses? Na nossa chapa, foram cerca de 20 reuniões só para a formação da chapa, conversando com vários estudantes, criando uma nominata com 80 nomes para compor a chapa. Tivemos que “cortar” gente para criar a nominata. Tínhamos 120 nomes, pessoas que foram nas reuniões e foram formando propostas. As nossas propostas não vêm de direções partidárias, diretrizes partidárias, prefeituras ou empresas de ônibus. Não, as nossas propostas vêm dos estudantes para construir a entidade. O Leonardo lembrou da gestão “Novo rumo”, anterior da gestão “Viração”, vinha do grupo político que está a frente da chapa Inova, foi uma gestão totalmente de paralização do movimento estudantil, os Conselhos de D.A.s durante aquela época eram conselhos autoconvocados pelos próprios D.A.s. Os D.A.s convocavam um conselho e então avisavam o DCE para participar. Havia um desrespeito às instâncias estudantis com o pretexto de construir certas pessoas. Às vezes se deliberava medidas e o DCE não deliberava nada do Conselho. Na “Novo Rumo”, durante as duas gestões, o Duda Barin, que é do PDT, participava, e hoje é secretário do Cezar Schirmer, prefeito do PMDB. Logo que saiu já recebeu um cargo de Superintendente de Habitação na prefeitura. Foi candidato a deputado estadual, a vereador. É um direito que a pessoa tem de ser candidato, agora, o problema é utilizar a entidade DCE para isso. O problema da “Inova” é poder estar representando uma prefeitura, ou um partido político, e não os estudantes.

Franciele: É necessário deixar claro que é um pessoal que nem faz parte da universidade. Que está na UFSM fazendo uma disciplina só para manter-se aqui, mas não está na realidade do que está acontecendo aqui (na UFSM). É meio contraditório.

Márcia: É um grupo que se traveste em cima de um nome que diz-se inovação mas que na verdade vai estagnar o movimento estudantil dentro da universidade. Não vai estar se preocupando com as lutas dos estudantes porque nem vai convocar Conselhos de D.A.s, nem conversar com os diretórios acadêmicos para saber o que realmente está acontecendo em cada curso e na vida dos estudantes

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