ELEIÇÕES DCE UFSM: CHAPA 2 – INOVA [PARTE II]

: Desde o surgimento do DCE, integrantes de várias chapas além dos anos tornaram-se políticos influentes no estado e no país. O afastamento com a política é impraticável, já que política faz parte do cotidiano de todos. Contudo, qual a posição da chapa quanto à divisória partidária das chapas concorrentes? Isso seria evidente pela união […]

A+ A-

: Desde o surgimento do DCE, integrantes de várias chapas além dos anos tornaram-se políticos influentes no estado e no país. O afastamento com a política é impraticável, já que política faz parte do cotidiano de todos. Contudo, qual a posição da chapa quanto à divisória partidária das chapas concorrentes? Isso seria evidente pela união de pessoas com os mesmos ideais e interesses quanto à dirigência do Diretório ou poderia ser visto como um braço dos partidos dentro da universidade?

Fantinel: As lideranças ao natural são cooptadas, digamos assim, a organizações, sejam elas partidárias, sejam elas de cunho social, mas geralmente quem participa do movimento também está ligado a partidos… eu não vejo que isso seja um problema pro movimento estudantil. Eu vejo o problema se aparelhar o DCE para um partido. O que ocorre muitas vezes é a utilização da estrutura do DCE em favorecimento de um partido X. Isso a gente é totalmente contra! A gente tem um grupo de pessoas que pensam semelhante e que não é um grupo de um determinado partido. A gente tem lideranças estudantis, tem pessoas, sim, que tem, talvez, ligações com partidos, mas não é alguma coisa que se diga: “Oh, é de tal partido. É a chapa do Partido X”. Não. E a gente não quer isso. A gente não quer o DCE pra promoção partidária. A gente quer lutar pelo DCE, quer lutar pela gestão do DCE, quer participar do DCE pra discutir e buscar suprir a demanda dos estudantes no que diz respeito à vida universitária. Uma biblioteca aberta até mais tarde, um RU com maior capacidade, uma casa do estudante com mais vagas para os estudantes. Isso é o que a gente pensa e é o motivo que faz com que a gente tenha um grupo de pessoas de vários estilos, que tenham uma aproximação de ideias e que queiram lutar por um movimento estudantil pra que a gente venha suprir essas necessidades. Então a questão de a gente ter vários líderes nacionais reconhecidos, deputados, governador, várias lideranças que saíram de dentro da universidade, do movimento estudantil… isso é o natural. Porque a gente vê um afastamento das pessoas da política, dos movimentos. Então ocorre que quem está aqui dentro e está à frente desse movimento é um grupo que certamente no futuro vai estar à frente de uma comunidade, à frente de um partido, então isso é natural, como a gente tem aí vários deputados e governadores. Mas o X da questão, a nossa resposta é a seguinte: a gente é um grupo que está aqui e o nosso partido é o movimento estudantil. A gente quer lutar pelo movimento estudantil e pra sanar os problemas que os estudantes encontram hoje na universidade. É o que a gente vai fazer e vai lutar para que as demandas sejam reduzidas e que os alunos tenham sucesso quanto a buscar uma biblioteca com maior funcionamento, um RU melhor, uma casa do estudante com mais vaga. Então essa é a grande jogada: lutar pelos estudantes. O nosso partido: Movimento Estudantil. Não tem partido. A gente tem aqui um debate sobre movimento estudantil e é isso que o grupo pensa. É essa a ideia do nosso grupo. A gente não discute cargos por que “Ah, a influencia partidária…” a gente discute cargos por lideranças. A Glaucia, aqui do meu lado, não tem ligação partidária nenhuma e é candidata a coordenadora, então ela é uma liderança estudantil que vai estar junto no processo e que representa, como todos nós, o movimento estudantil e o que nós queremos: suprir as demandas dos estudantes dentro da universidade.

: A ligação de alguns membros da atual chapa coordenadora do DCE e candidata da situação – Em frente – com o Partido dos Trabalhadores (PT), base dos governos Lula e Dilma, atrapalha ou não, a luta estudantil santa-mariense?

Fantinel: Essa pergunta é muito boa. É uma pergunta que vem ao encontro do que as pessoas realmente sabem, ou muitas ainda não sabem e quando a gente mostra: a forte ligação da gestão com o Partido dos Trabalhadores. Ainda é tentado tirar essa imagem. A questão da atual gestão ter ligação com o governador Tarso Genro, com o PT, ter ligação com o Governo Federal não é problema. O problema é usar o DCE pra fortalecer a instituição partidária. Aí a gente está falando em problema. Quando tu utiliza o DCE, um Diretório Central dos Estudantes, pra favorecer um grupo e quando esse grupo, pior ainda, é partidário, aí tu está desvirtuando o processo, aí não está mais sendo movimento estudantil, e tu está fazendo um processo totalmente inverso do que as pessoas buscam. E daí que a gente encontra o afastamento das pessoas, dos estudantes, dentro do processo das eleições do movimento estudantil. Eu sou totalmente contra a questão de ter essa ligação e a aparelhagem, porque tem muitas pessoas, e eu não generalizo o grupo, mas tem pessoas ligadas que tentam aparelhar a questão de um DCE voltado para cooptar pessoas para o Partido dos Trabalhadores, e isso eu sou totalmente contra. O que a gente pensa disso? A gente pensa que a ligação com o PT porque é do Governo do Estado e do Governo Federal não tem problema. A nosso ver não tem problema. O problema é utilizar a estrutura do DCE para aparelhar o partido, pra chamar mais gente, pra discutir o partido, fazer do DCE o partido. Isso a gente afasta, isso é ruim para o movimento, isso afasta as pessoas, os estudantes, do movimento estudantil, que acabam desacreditando. É uma resposta comum tu pedir um voto numa eleição do DCE e o pessoal dizer: “Ah, isso é tudo interesse partidário.”. A forte ligação de algumas pessoas que não escondem a questão de utilizar a estrutura do DCE para fazer partido e isso é prejudicial, isso a gente não aceita de maneira alguma, uma vez que o nosso grupo é muito grande de pessoas que não tem ligação partidária. E até para explanar, o nosso grupo contém pessoas de diversas correntes, tem pessoas com ligações partidárias, mas de várias correntes partidárias, não de uma corrente partidária que quer se auto-afirmar, que quer usar e aparelhar o DCE pra fazer partido. Isso a gente é totalmente contra.

: A ligação de membros da chapa “Inova” com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), partido do atual prefeito de Santa Maria, não viria a atrapalhar ou abrandar a luta estudantil em causas locais, como o aumento das passagens ocorrido ano passado, se a chapa for eleita?

Fantinel: Bom, nós poderíamos dizer que as gestões que tiveram no governo Valdeci – e que inclusive a gente teve gestão – com coordenadores participando do governo Valdeci, do governo do PT, e que eram pessoas ligadas ao PT, e isso seria muito mais grave. A gente não tem ninguém com ligação de subordinação ao prefeito. A gente não tem nenhuma pessoa que seja funcionário do prefeito dentro da nossa chapa. Então, em primeiro lugar, não tem essa ligação de subordinação, o que não ocorria antes, e nem por isso foi deixado de discutir o movimento estudantil, de ir pra rua, quando estava o governo Valdeci. Talvez para algumas pessoas que me apontavam houve um abrandamento na luta, houve uma coisa com menos força. Mas nós não temos compromisso algum em defender governo, porque o nosso grupo vai muito além de um grupo que pudesse favorecer prefeito. Nós estamos aqui com um propósito e, como eu dizia, o nosso grupo tem um partido, que é o partido do movimento estudantil. A gente não defende corrente partidária dentro de nossas discussões. O nosso debate é a questão dos estudantes. Os estudantes têm que ter a total atenção do Diretório Central dos Estudantes e qualquer forma que for contrária a essa de beneficiar governo está desvirtuando o processo, e a gente não vai desvirtuar. Até porque a gente ta botando a nossa chapa na eleição e a gente pode fazer uma provocação para vocês: Nós queremos a gestão, nós trabalhamos pra representar os estudantes nessa gestão de um ano, e se a gente não cumprir com aquilo que a gente está dizendo agora – de lutar pelos estudantes, de suprir as demandas dos estudantes – as pessoas que vierem a confiar, na próxima eleição podem nos tirar da gestão do DCE. Então eu quero deixar bem claro: Prefeitura é Prefeitura, Movimento Estudantil é Movimento Estudantil. Se tem pessoas ligadas ao partido do prefeito, terão que entender que Movimento estudantil é movimento estudantil e está aqui dentro, dentro da Universidade, de um contexto com muitos alunos e que não podemos desvirtuar o debate e favorecer ou amenizar as críticas, amenizar o processo de discussão, seja por não aumento da tarifa, seja por melhorias para os estudantes, dos espaços que são frequentados por estudantes, a gente não vai poupar críticas, se acontecer de nós não sermos ouvidos. Então, deixar bem claro, a posição da chapa é essa: nós temos um objetivo, que é defender os estudantes, suprir as demandas que nós estudantes encontramos dentro da universidade. Ligação nenhuma com ninguém que possa influenciar o movimento estudantil de partido.

Bakof: Tenho que complementar o que o colega Beto disse. Como foi citado apenas um partido, a chapa tem integrantes de demais partidos. Então por mais que houvesse uma tentativa de subordinação por parte desse partido mencionado por vocês – que é o mesmo do atual prefeito de Santa Maria – os demais partidos se posicionariam. Mas nós não pensamos em partido dentro do DCE, dentro de uma futura gestão. Nós pensamos em movimento estudantil e trabalhar pelos estudantes. E como o Beto falou, nós faremos uma campanha com ideias, com propostas, aceitando propostas, aceitando sugestões e aceitando críticas, também. E nós saindo vencedores, nós teremos um ano pra mostrar, aplicar ou não as nossas ideais. E após esse um ano o estudante terá, então, novamente condição de mudar ou de permanecer. O que nós pedimos, vindo ao encontro dessa questão, é que o estudante da Universidade Federal de Santa Maria não tenha preocupação com essa questão, pois não é apenas um integrante, alguns integrantes, que são ligados a um partido políticos. Tem mais integrantes que são ligados a outros partidos políticos e tem integrantes que não são ligados a partido político nenhum. Então não haverá comprometimento ou qualquer parte autoritária, tanto vindo de um grupo ou outro, dentro do movimento estudantil.

: Se eleita a chapa “Amanhã vai ser outro dia”, que tem em seu quadro de membros militantes ligados ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), partido que não apóia nenhum dos governos atuais,  haveria maiores dificuldades para se ter conquistas no movimento estudantil santa-mariense, visto que seriam poucos os apoios políticos?

Fantinel: Como eu vinha dizendo, o partido não pode influenciar o processo. Então a posição do nosso grupo é a seguinte: a gente espera que a chapa que vier a ser eleita – e a gente espera estar à frente da gestão – mas se viesse a chapa 3 a vencer a eleição, eu acredito que ela não teria dificuldades. Não deveria ter dificuldades, uma vez que ela estaria defendendo os estudantes. É o que a gente se propõe a fazer: vir lutar pelos estudantes. Então a questão partidária, que é muito focada na eleição do DCE, e é importante que se saiba como é que funciona, quem que está articulando os partidos, uma vez que os estudantes devem ter total transparência em quem eles estão votando. Os partidos não podem influenciar a ponto de um movimento estudantil ser comprometido por não ter uma estrutura partidária, uma aparelhagem forte no município. Então eu acredito que se eleita a Chapa 3, eles teriam muita força, porque quem dá poder pros estudantes são os próprios estudantes. Quem dá poder ao DCE são os estudantes, que não só votam, mas também participam do debate e vão lutar a favor do direito dos estudantes. Então essa questão pra mim é bem clara. A aparelhagem partidária não vem ao caso no momento de reivindicar. Claro que talvez a dificuldade, aí abro um parênteses, dificuldade de diálogo, possa ter alguns problemas por falta de diálogo, mas não por causa de estrutura partidária.Eu acho que a estrutura partidária tem que ficar fora desse processo e quem tem que falar são os alunos. Os alunos é que tem que participar desse processo de uma forma contundente, então pra mim não seria problema. Mas eu quero ressaltar que o problema que a gente viu nessa chapa é que não há participação de todos os campi. Isso sim poderia ser um problema. Nessa pergunta eu responderia o seguinte: o problema pode ser que a representatividade nos outros campi dessa chapa não venha a agregar, não venha a colaborar com que a gestão tenha sucesso em outros campi. Mas a questão partidária eu não vejo problema nenhum da gestão dessa chapa ter força para articular a favor dos estudantes. Quanto a isso não me deixa dúvidas.

Bakof: Eu acredito… o pensamento é o mesmo do Beto e acredito que é o mesmo pensamento da Glaucia e que seja o mesmo pensamento de todos os integrantes da chapa. Estamos em uma instituição pública de ensino e acreditamos que todo e qualquer acadêmico dessa instituição tem condições e capacidade de gerir um DCE, desde que tenha vontade. Então não há porque, pura e simplesmente em razão do partido deles… e eu também acredito que não são todos, são alguns que tem influencia grande do PSOL… isso não geraria problemas. Mas reafirmo o que acabou de mencionar o Beto, que a falta de pessoal deles nos campi de Frederico, de Palmeira, e de Silveira, isso sim… eles não conseguiriam, de repente de uma forma rápida, seguir a engrenagem como ela deve acontecer. Eles levariam mais tempo para articular lá uma engrenagem de funcionabilidade e isso atrasaria por algum período o nosso movimento estudantil dentro da Universidade, que é a Universidade Federal de Santa Maria.

Clique abaixo para continuar lendo a entrevista

[1] [2] [3]

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this pageEmail this to someone