ELEIÇÕES DCE UFSM: CHAPA 2 – INOVA

Entrevista com a Chapa 2 – Inova, candidata às Eleições 2011 do Diretório Central dos Estudantes da UFSM.

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Na semana que precedeu o início da campanha para a eleição que elegerá a chapa que estará a frente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM, na próxima gestão, a revista o Viés entrevistou as três chapas concorrentes. Foram feitas as mesmas 12 perguntas para elas, sendo que nenhuma teve conhecimento prévio das questões.

Os repórteres Bibiano Girard, Felipe Severo e Liana Coll, que trabalharam na produção deste conteúdo, não são ligados a qualquer uma das chapas.

A entrevista está dividida em três páginas, e no final da terceira, está disponível o áudio integralmente.

Esperamos que as entrevistas ajudem a definir seu voto.

Integrantes da chapa 2 - Inova

revista o Viés: O adiamento das eleições do DCE para o 1º semestre de 2011 em razão da luta dos estudantes, dos quais muitos participantes das atuais chapas estavam presentes, pelo não aumento no valor das passagens, é tomado pela chapa como relevante ou a chapa acredita que as eleições poderiam ter ocorrido normalmente?

Mauro Bakof: Acredito que poderia ter sido feita a eleição no ano passado, até porque uma gestão tem que ser engrenagem da outra. Então, se eles achavam que se a atual gestão – nós somos oposição – se a atual gestão achava que precisava mais tempo, a gente acredita que dentro de um ano é um tempo bom e na ocasião já havia acabado. Essa foi uma desculpa deles. Então acredito que essa pergunta foi feita em cima do que eles afirmaram pra vocês, não é uma pergunta que veio de vocês. Então eu acredito que prejudicou o processo, sim. Nós estávamos organizados, nós estávamos cientes que venceria o ano. Pra nós, pro nosso grupo, foi um golpe.

Roberto Fantinel: Toda a instituição que se preze deve respeitar os prazos. A eleição deve ocorrer dentro de um ano. Normalmente, pra nós, a nossa organização e o pessoal que participa desse grupo, desse movimento estudantil, estava certo de que seria no ano passado. E com certeza esse adiamento não se deteve e não foi exclusivamente por causa do protesto das passagens. Não era motivo fazer esse adiamento uma vez que o sistema é um ano de gestão e é em um ano que devem ocorrer as eleições. Quando tu tens um  grupo, quando uma chapa vence, tem um grupo de 80 pessoas, hoje no caso… então eu acredito que teria gente suficiente para organizar o processo eleitoral e pra não deixar parar também a questão, não abandonar a questão da batalha pelo não-aumento das passagens. Então a nossa posição é bem clara: nós fomos contra, isso foi um golpe e a gente vencendo as eleições, as eleições irão ocorrer dentro de um ano. A gente não vai fazer o mesmo papel de dar um golpe, de ficar seis meses a mais na gestão a partir de algumas justificativas.

Bakof: Até vocês estavam presentes quando estavam conferindo o material da nossa chapa… foi falado não lembro o quê sobre material e o candidato da coordenação da chapa Em Frente, Diego, disse: “Se não der a gente fica mais tempo”. Então, ou seja, eles têm uma sede, uma vontade de poder e nós acreditamos que o estatuto deve ser seguido.

: O DCE e a luta estudantil não conseguem mobilizar a maioria dos estudantes da universidade. Por que isso acontece? Como é possível inserir uma parcela cada vez maior de estudantes?

Fantinel: Hoje, os movimentos sociais, como um todo, sofrem um pouco com essa não participação e não engajamento das pessoas. A gente percebe isso porque – não é justificativa, mas a gente pode dizer também – que, com o passar do tempo, com a implementação de algumas coisas, as pessoas vão se afastando. No momento em que a moradia estudantil não é 100%, mas evoluiu muito, então as demandas vão diminuindo e as pessoas vão se afastando. Mas, pra ter um movimento estudantil com participação, pra ter as eleições como um processo que a maioria dos estudantes votem, pra ter um processo legitimado pela maioria dos estudantes, a gente tem que construir um movimento que fique dialogando. Aqui eu quero pôr a importância de vocês, dos jornalistas, do trabalho de comunicação forte dentro do DCE, porque é importante deixar os estudantes sempre sabendo do que está acontecendo: do que o DCE está votando no Conselho; do que o DCE está implementando de políticas públicas e de discussão de políticas públicas; pelo que o DCE está lutando dentro da Universidade; as conquistas; o diálogo com o Reitor, o diálogo com a Reitoria. O diálogo com a sociedade é extremamente importante. Então o que eu queria ressaltar aqui? Pra gente trazer o estudante, pra gente comprometer o estudante a ir votar e participar do movimento estudantil, a gente precisa inserir ele nesse processo. A gente tem hoje três chapas – não alcança o número de 200 pessoas nas três chapas – e isso é prova de que o movimento estudantil, o processo hoje, não está próximo do estudante. A gente precisa inverter isso. A gente precisa fazer com que o DCE seja mais próximo do estudante, porque o motivo de ter um Diretório Central de representação dos estudantes é o estudante. Então a gente tem que inserir essas pessoas. Não só quando a chapa vem a ser vencedora, as 80 pessoas da gestão… mas trazer todo esse debate pra toda a comunidade e tentar inserir cada vez mais, como o papel do jornalista e como o papel do estudante de fazer assembléia, de discutir mais ainda e com isso a gente vai aos poucos… é um processo gradual, vai conseguir reverter aos poucos esse afastamento. Nem deve ser culpado o estudante pelo afastamento, porque muitas vezes as atitudes do movimento estudantil, atitudes de gestões, repugnam, afastam as pessoas do movimento. Então tem que ser entendido o que o estudante quer, e tem que ser debatido e tem que aproximar mais das demandas dos estudantes e tem que informar mais o que o que o DCE está fazendo, com isso a gente vai ter, com certeza, uma maior participação dentro do movimento estudantil.

Bakof: Eu penso que uma das razões do afastamento é o próprio golpe, golpe da primeira pergunta de vocês. Isso afasta. O estudante se sente manipulado. Agora o Beto [Fantinel] acabou de falar do número de participantes. A gente acha que com a ampliação da universidade, com os 3 campi – 4 contando com o de Santa Maria – o número de 80 participantes, 80 integrantes, que foi decidido junto com esse golpe, quando foi formulado o edital das eleições, 80 é um número insignificante hoje pra quantidade de estudantes que tem na UFSM. Nós ficamos com aproximadamente 50, 60 pessoas que queriam entrar na nossa chapa, que queriam aderir ao nosso grupo e tivemos que deixá-los como apoiadores, acabaram ficando como apoiadores e não entraram no corpo da chapa, em razão desse número. Então eu acredito que além de todos os anos que se passaram… esse golpe foi circunstancial e o número máximo que tu podes colocar numa chapa hoje é 80 e esse número a gente considera muito baixo.

: Como a chapa avalia o baixo quorum de eleitores na última eleição do DCE? Ou a chapa acredita que o número de eleitores é satisfatório para a representação geral dos estudantes?

Fantinel: O baixo quorum da última eleição tem alguns fatores como a gente já falou na questão anterior, mas eu quero destacar: Na última eleição, onde foram arquitetados durante o ano inteiro de uma gestão a inclusão dos três campi – e a gente defendia a inclusão dos 3 campi pra votar… Só que a gestão anterior arquitetou durante um ano inteiro, trabalhou em cima disso, e que chegou na hora da eleição e foram incluídos os campi, e ocorreu que só a chapa de gestão conseguiu nomes de outros campi, e as duas outras chapas de oposição não conseguiram nomes de outros campi pra incluir o processo… e isso também é a forma que a gente desestimula as pessoas a votar, quando tu não torna o processo transparente então isso acontece no resultado das urnas, da pouca participação. Porque como a gente falava anteriormente na outra pergunta, o pessoal se desestimula, acredita que o movimento é um golpe, e não um movimento. Acredita que não se faz representação no movimento estudantil, e sim que o Diretório Central dos Estudantes é ocupado por interesse e é isso que leva as pessoas a não ir às urnas votar, opinar. A gente gostaria que 99%, 100% dos alunos fossem às urnas dar a sua opinião. Com certeza seria um processo bem mais legítimo, um processo bem mais democrático, e que a gente teria ciência do que realmente o todo estaria pensando. Ficaria bem mais claro o resultado nas urnas. Hoje a gente vê uma pequena parcela votando e infelizmente a gente não tem resultados que sejam – eu não diria “satisfatórios” – mas a gente não tem resultados verídicos do que todos os estudantes pensam do movimento estudantil. Então infelizmente a gente tem a grande maioria que não vota e nós estamos preparando um trabalho, estamos preparando um material, estamos nos aproximando, fazendo esses contatos bem mais forte nessa eleição pra tentar que a gente busque esse pessoal que desacredita um pouco no movimento estudantil, busque novamente pra que eles venham participar e que possa legitimar esse processo eleitoral do DCE e que a gente tenha uma fiel resposta, um fiel entendimento dos alunos, do que eles esperam do movimento estudantil, quem eles querem, qual é a ideia que vai prevalecer pra gerir o DCE nesse próximo ano de gestão que está sendo debatido.

: Por vezes o DCE recebe uma imagem negativa de desorganização e contestação baderneira por parte de alguns órgãos e pessoas locais. A chapa acredita que a luta estudantil mobilizadora deve seguir com o mesmo formato de debate com a sociedade ou pretende estabelecer novos preceitos de aproximação e protesto?

Fantinel: Primeiramente: o movimento estudantil requer que a gente expresse a opinião… expresse que o aluno seja ouvido. Mas não é única forma de mostrar a opinião do estudante indo pra rua, ou invadindo a Câmera de Vereadores, ou quebrando ônibus. Isso não é a única forma de movimento estudantil. A gente tem um processo pra legitimar, que é o diálogo. Antes de radicalizar o processo, a gente pode conversar, como a gente está fazendo aqui. Tudo que foi resolvido no mundo até hoje não foi resolvido com guerra. Foi resolvido com diálogo, com diplomacia, com conversa. Se isso não atender às expectativas dos alunos, aí sim, a gente tem motivo pra ir pra rua, a gente tem motivo pra trancar a circulação dos ônibus, a gente tem motivo pra gritar em frente à Prefeitura, em frente à Reitoria, reivindicar o que o aluno quer. Mas a gente ainda vê a falta do diálogo, que é essencial pra gente visualizar o que pode ser negociado. Até onde a gente pode chegar? O que a gente vê hoje é que a gente não consegue ter diálogos. O movimento estudantil hoje, a atual gestão não consegue sentar com ninguém das autoridades que discutem desde o processo interno da universidade até mesmo a questões que vão além da universidade. Então o que a gente pensa? O grupo pensa que nós temos que ter uma organização, aumentar a organização. A gente pretende implementar a nossa gestão com reuniões frequentes, com debate interno que agregue, muito forte… e que a gente consiga com essa organização fazer um diálogo prévio antes de tomar qualquer decisão radical, de radicalizar o processo, e passar essa imagem que tu falavas na pergunta, de passar essa imagem negativa pra população. Hoje mesmo eu vi no Twitter as pessoas falando sobre algumas manifestações que ocorreram em Frederico Westphalen, criticando o processo e talvez a gente… não que não deva ser feito o processo, quero deixar bem claro: Se não se alcançar com diálogo o que a gente quer, tem que ser feito sim o protesto. Mas a gente tem um antes desse protesto, que é o diálogo, que a gente defende, e que a gente vai ter uma organização bem melhor do que a da atual gestão e a gente vai implementar o diálogo e se for preciso a gente vai fazer também o movimento de rua e ir  lá buscar nossos direitos, porque os estudantes precisam, sim, ser ouvidos. Nós somos uma parcela grande da população de Santa Maria, a gente já é uma parcela grande da população dos outros campi,de Frederico, de Palmeira, de Silveira Martins e a gente tem que ser ouvido pelo poder público, tem que ser ouvido pela Reitoria… Afinal, se hoje existe Reitoria, existe professor, é por causa dos alunos, então, pelos primórdios, a gente tem que ser ouvido pra depois serem tomadas as decisões. Então o movimento estudantil deve ter um pouco mais de diálogo e a gente defende isso. É a posição do nosso grupo.

Bakof: Até pensamos a questão de que a falta de diálogo muitas vezes acaba levando muitas vezes muitos jovens pra uma rua, pra uma praça e se perde o controle. Então a nossa visão, nossa forma de ver o movimento, é que a gente precisa dialogar. Tem pontos em que a gente acredita até que seja necessária uma entrada judicial, com liminares, que se consegue muito mais do que ir pra rua e levar um monte de gente, um monte de alunos, um monte de estudantes e depois o grupo, como acontece com a atual gestão, acabar perdendo o controle dos demais membros que eles mesmos levaram pra rua.

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