ELEIÇÕES DCE UFSM: CHAPA 3 – AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA

Entrevista com a Chapa 3 – Amanhã vai ser outro dia, candidata às Eleições 2011 do Diretório Central dos Estudantes da UFSM.

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Na semana que precedeu o início da campanha para a eleição que elegerá a chapa que estará a frente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM, na próxima gestão, a revista o Viés entrevistou as três chapas concorrentes. Foram feitas as mesmas 12 perguntas para elas, sendo que nenhuma teve conhecimento prévio das questões.

Os repórteres Bibiano Girard, Felipe Severo e Liana Coll, que trabalharam na produção deste conteúdo, não são ligados a qualquer uma das chapas.

A entrevista está dividida em três páginas, e no final da terceira, está disponível o áudio integralmente.

Esperamos que as entrevistas ajudem a definir seu voto.

Integrantes da chapa 3 - Amanhã vai ser outro dia

revista o Viés: O adiamento das eleições do DCE para o 1º semestre de 2011 em razão da luta dos estudantes, dos quais muitos participantes das atuais chapas estavam presentes, pelo não aumento no valor das passagens, é tomado pela chapa como relevante ou a chapa acredita que as eleições poderiam ter ocorrido normalmente?

Mathias Rodrigues: Eu estava presente no conselho de DA’s no qual foi adiada as eleições do DCE. A gente acredita que é muito importante todo o processo da luta contra o aumento da passagem, grande parte da nossa chapa estava presente em todos os atos, fomos muito atuantes nos atos contra o aumento da passagem. Mas a gente acredita que esse não foi o principal motivo pelo qual a eleição do DCE foi adiada. Na verdade, é muito útil se utilizar do ato das passagens como uma desculpa para adiar a eleição. Só que para a eleição deveria ter sido chamado um conselho de DA’s, pra chamar a eleição em agosto ou em setembro porque a eleição deveria ocorrer em outubro, como a gestão Avante assumiu em outubro de 2009. Só que todos sabem que a gestão Avante estava militando na campanha da Dilma para presidente, do Tarso para governador e do Mauricio Piccin, que hoje é Secretário da Juventude, para deputado estadual, e eles não tinham “perna para tocar”.

A questão do aumento das passagens foi mais um motivo para que eles conseguissem adiar a eleição do DCE. No momento em que propuseram adiar, eles chamaram um conselho de DA’s no final de novembro e, caso houvesse as eleições naquele ano, ia ser na semana de provas. Só que eles poderiam ter chamado um conselho de DA’s antes. Eles não chamaram porque não quiseram. Se nós, se os diretórios acadêmicos que participam da nossa chapa tivessem chamado – os membros de diretórios acadêmicos que participam de DA’s que participam nossa chapa – o conselho de DA’s, eles iam rir da gente, porque na verdade é isso que eles fazem no conselho de DA’s. Eles falam que a gente é delirante e irracional e iam rir e votar pra que fosse para um próximo conselho de DA’s a questão da votação da data da eleição. Então, é completamente relevante o fato do aumento das passagens, inclusive a nossa chapa se propõe a lutar contra o aumento o aumento das passagens e a lutar por muito mais do que isso, lutar pela licitação do transporte público, por mais horários de ônibus para os

estudantes, tanto T. Neves quanto Bombeiros quanto Faixa Nova, mais horários noturnos para o pessoal que mora na Casa (do estudante) e vai pro centro e vice-versa. Só que não foi o principal motivo do adiamento das eleições do DCE. O principal motivo foi que a gestão Avante, que hoje é a chapa 1, estava fazendo campanha nas eleições para Presidente, Governador e Deputado Estadual.

Diosana Frigo: Na verdade uma outra coisa que eu acho que é bom ressaltar, por exemplo, a gestão Avante, que é a atual gestão do DCE, eles tiveram a Semana da Calourada. Para quem está chegando na Universidade, pra quem é bixo e não sabe das coisas que estão acontecendo, não sabe o que aconteceu no ano passado, eles olham ali e pensam “esse é um DCE atuante, é bom, ele tá aqui fazendo a Semana da Calourada”. Não se têm muita noção do que está acontecendo quando entra na Universidade. Quem tá há mais tempo tudo bem, mas quem está chegando na Universidade, e isso é muito importante ressaltar: nós temos bixos na nossa chapa, que vieram compor com a gente exatamente por esse fato, que talvez pra eles já estivesse mais claro, tem bixos que já estavam em outros cursos, então eles já têm uma noção do que acontece na Universidade e quem está entrando não tem, aí tu chegas na Universidade, na primeira semana de aula, aí tem a Semana da Calourada que é da gestão Avante, do DCE da UFSM. Isso já, no teu subconsciente de repente, já te direciona, mostrando que o DCE está fazendo alguma coisa. Só que, na verdade, o DCE é o Diretório Central dos Estudantes, que é de todos os estudantes, mas a Semana da Calourada deles foi visivelmente da gestão Avante. Estava em todos os lugares que tu ias que era DCE da UFSM, gestão Avante, sabe?! Então isso seria injusto para as outras que iriam concorrer também no ano passado. Se torna injusto porque eles tiveram essa semana para fazer a Semana da Calourada, que não verdade é um dever do DCE, eu acredito, mas que deu uma visibilidade para eles.

: O DCE e a luta estudantil não conseguem mobilizar a maioria dos estudantes da universidade. Por que isso acontece? Como é possível inserir uma parcela cada vez maior de estudantes?

Mathias Rodrigues: É uma pergunta complicada porque lida muito com uma questão subjetiva de mobilização dos alunos da UFSM. Eu acho que em parte é porque os alunos não querem, mas não é essa parte que nos interessa numa campanha de DCE disputar. O que nos interessa na verdade é a parte que é o problema do DCE, na verdade: os estudantes não querem participar e o DCE também não os busca muito. Existem certas atividades de mobilização e de própria discussão de toda a Universidade, discussões de diretórios acadêmicos, discussões de movimento estudantil, que não amplamente divulgadas. Existem conselhos de diretórios acadêmicos que ninguém sabe, nem os próprios diretórios acadêmicos ficam sabendo. O grande papel do DCE para mobilizar uma parte dos estudantes para que comecem a lutar passa por chamar os estudantes. Para a gestão atual, a chapa 1, é muito mais cômodo que fique só nas mesmas pessoas sempre nas reuniões de conselho de DA’s, que fiquem sempre as mesmas pessoas nas reuniões para os atos e que não se chame outras pessoas, para que não comece a se discutir e a se pensar como é que funciona a burocracia, a organização interna do DCE.

A nossa chapa propõe uma coisa que está no Estatuto do DCE, que deveria ser chamado assembleias gerais de estudantes  de três em três meses. No ano passado a gestão atual do DCE chamou uma assembléia sem divulgação nenhuma e teve 20 estudantes. Uma assembleia geral que representa todos os estudantes da UFSM teve 20 estudantes. Isso é culpa do DCE também, não é só culpa dos estudantes. Como fazer para mobilizar esses estudantes? É chamar reunião, chamar assembleia, divulgar amplamente a assembleia e divulgar assembleias com pautas que tangem aos estudantes, e não só pautas que fiquem distanciadas da questão mais concreta dos alunos. É claro que nós somos contra a reforma universitária, contra a MP 525 e a MP 520, só que tem que ser utilizadas essas coisas que o DCE se propõe a lutar contra ou a favor pra chegar na questão concreta delas. Qual a questão concreta da MP 525? A questão concreta da MP 525 é que faltam professores efetivos na Universidade e que só podem contratar substitutos. O DCE tem que, a partir disso, fazer seminários, fazer debates, discutir individualmente com as pessoas, se utilizar dos diretórios acadêmicos para que os diretórios acadêmicos transmitam esse pensamento e faça esse debate sobre as questões que realmente tocam na Universidade para que, daí sim, o estudante fique mobilizado. Quando o DCE faz só o normal, tá, eles chamam o conselho de DA’s, chamam, só que eles não divulgam o conselho de DA’s, não passam a relatoria do conselho de DA’s, não publicam a matéria no site depois, sobre o que aconteceu no conselho de DA’s, sobre o que foi decidido e o que não foi decidido e como que vai repercutir na vida do estudante. Então, falta muito, para a mobilização dos estudantes melhorar, falta muito da atuação mesmo do DCE, do DCE primeiro ouvir os estudantes sobre o que eles precisam lutar, o que eles querem e o que eles não querem e depois levar esses estudantes aos órgãos de deliberação da entidade, que são esvaziados, que vão 20 DA’s que não falam na reunião, que a chapa 1 vai tocando, vai tocando, vai tocando e faz o obrigatório mas não faz o maior. Pra eles, eu acredito que é muito mais fácil fazer isso do que realmente tentar inserir os estudantes nesse processo de debates, que daí se mobilizaria eles muito mais.

: Como a chapa avalia o baixo quorum de eleitores na última eleição do DCE? Ou a chapa acredita que o número de eleitores é satisfatório para a representação geral dos estudantes?

Mathias Rodrigues: Bom, no mesmo conselho de diretórios acadêmicos em que se decidiu a data das eleições do DCE, se chamou, se decidiu na comissão eleitoral, que é composta  por alguns DA’s e outras pessoas, que no próximo conselho de diretórios acadêmicos se apresentaria o edital das eleições. No outro conselho se apresentou o edital e o edital, por exemplo, contava com um só dia de eleições… as eleições vão ocorrer no dia 27 de abril. Aí fica um questionamento: em quase todas as universidade do Brasil, as eleições ocorrem em dois ou três dias. Por que foi colocada a eleição em apenas um dia¿ Houve esse questionamento para a gestão atual e eles responderam que é muito complicado fazer a eleição em mais de um dia. Aí foi colocado que foi realizada uma pesquisa de opinião pública na disciplina de Pesquisa de Opinião Pública do curso de Comunicação Social sobre as eleições do DCE e mais de 50% das pessoas que não votavam nas eleições não votavam porque não estavam na Universidade. A nossa universidade não é uma universidade que é que nem um colégio ou que nem a UNIFRA, que os alunos têm aula todos os dias das 8h ao meio dia e então eles têm que estar na universidade naqueles dias. A nossa universidade tem turmas que têm aulas na segunda e na terça, tem turmas que têm aulas em horários diferentes e que muito possivelmente não vão conseguir na quarta-feira, que é dia 27 de abril, estar na Universidade. E isso, somado a falta de interessa na eleição, acarreta num baixo quórum. É claro que o quórum não ia aumentar tanto, mas que essa possibilidade de realizar eleições em mais de um dia aumentaria um pouco o número de alunos, de eleitores… quem sabe mil eleitores, dois mil eleitores, o que já é muito. Numa eleição de DCE que tem 25 mil alunos e que só dois mil votam, é muito pouco. E é comum, no Brasil até que é um número bom. Imagina se houvesse eleição em dois ou três dias. O que a chapa 1, no momento, colocou pra não realizar a eleição em mais de um dia?Que é muito perigoso ter fraude, que iam ter que dormir com as urnas, que ia ter que fazer isso e aquilo, que ia aumentar o trabalho da comissão eleitoral. Só que será que realmente adianta, para não ter trabalho,  distanciar cada vez mais o Diretório Central dos alunos¿ Porque o aluno não consegue nem ir votar… como é que ele vai se sentir representado pela entidade que o representa se ele nem vota, se aquela entidade não dá alternativas de voto aos estudantes que não aquela quarta-feira das 8 da manhã às 8 da noite, sabe?! É um questionamento muito forte esse dentro da nossa chapa.

Uma outra questão que foi colocada naquele conselho de DA’s é que a chapa 1… no momento eles não eram chapa, mas as pessoas que hoje compõe a chapa 1 e as pessoas que compõe a chapa 2 estavam presentes naquele conselho de DA’s e a chapa 1 colocou que é muito perigoso que pessoas alheias a esse processo votem e acabem elegendo uma chapa que não represente os estudantes, no caso eles se referindo a chapa 2, a chapa Inova. Só que, como é que uma entidade vai escolher quem vai votar¿ É muito cômodo para eles saber que na quarta-feira os eleitores deles vão votar e que, se houvesse uma eleição na quinta, correriam o risco de eleitores que votam ou na chapa 2 ou na chapa 3 votarem e acabar eles perdendo. Foi uma questão meramente eleitoreira, porque para eles é muito mais cômodo e mais seguro que a chapa 1 se eleja com um dia de eleição do que com dois. Então na verdade foi isso. A nossa chapa defende que o DCE seja a entidade de todos os alunos e, para ser entidade de todos os alunos, o DCE tem que se mostrar representante deles e tendo um dia só de eleição é muito mais difícil do que tendo dois ou tendo três. A UFRGS tem eleição de três dias, a USP tem eleição de três dias, em diversos campi. O pessoal dorme com as urnas, sim, mas representa muito mais o aluno do que um DCE que quer o mais rápido possível fechar a urna para se reeleger.

Diosana Frigo Nessa questão, de não ter um número de votantes satisfatório e de que, no conselho de DA’s que existiu, o DA da Comunicação Social, que estava representado pelo Mathias, deu essa opção de fazer dois dias de eleições porque realmente não abrange dois mil votos… dois mil alunos votantes em uma universidade de mais de 20 mil alunos não abrange, não é satisfatório. E tu apresentares essa alternativa de “vamos fazer dois, três dias de eleições”… porque de repente tu vais votar, é um aluno consciente, tu vais lá dar o teu voto e de repente naquele dia tu não podes ir, acontece um imprevisto ou alguma coisa assim…tu apresentares essa proposta e ser negada pela chapa 1, a atual gestão do DCE, na época que estava o conselho de DA’s, já mostra como é centralizado o DCE de hoje… o DCE de hoje não, a chapa que está no DCE hoje. É muito centralizado porque é uma oportunidade de quem não podia votar em um dia, votar no outro dia. Aí o que acontece? Eles utilizaram esse argumento que para mim é totalmente falho, de dizer “não, aí então poderiam outras pessoas votaram na chapa que agora é a chapa 2, da direita”. É um direito, é a democracia. Cada um vai votar na chapa que pensa que vai ser melhor representado pro DCE, é um direito teu. Tem as divergências políticas, ok, mas tu estás representando os alunos, não tá representado o teu partido na chapa do DCE,tu não estás representando a nada além dos alunos, é o Diretório Central dos Estudantes. Tu não podes ser um grupo fechado e é isso que a gente sentiu, por isso que a gente está como chapa alternativa, como uma opção de voto para quem não está satisfeito com o que acontece hoje no DCE, para quem não se sente satisfeito com essa centralidade que eles têm, com esse grupo que eles têm dentro do DCE, e para quem não quer, para quem está há mais tempo na Universidade  sabe, quando a chapa 2, quando pessoas da chapa 2 estavam no DCE, em 2007, não tinha… para mim eles não são movimento, não são movimento estudantil. Eu não chamo eles de movimento estudantil porque não é, não tinha atuação alguma. Mas é um direito teu de tu votares na chapa 2, por mais que, quem viu a atuação deles sabe que não era um movimento, mas é um direito teu. E aí a chapa 1 vir com o argumento de que as pessoas poderiam votar numa chapa que não seria atuante, já mostra exatamente a visão. Tu tens a visão clara de como eles são: eles centralizam tudo, tudo é centralizado.

: Por vezes o DCE recebe uma imagem negativa de desorganização e contestação baderneira por parte de alguns órgãos e pessoas locais. A chapa acredita que a luta estudantil mobilizadora deve seguir com o mesmo formato de debate com a sociedade ou pretende estabelecer novos preceitos de aproximação e protesto?

Mathias Rodrigues: O DCE de qualquer gestão é considerado contestador porque ele é. O DCE é uma entidade que representa os estudantes. Se os estudantes querem a contestação, o DCE tem que fazer independente de qualquer pessoa falar que é baderneiro, que é contestador, que é não sei o quê. O DCE tem que representar os estudantes. As formas que essa luta, contestatória ou não, vai se dar, podem ser discutidas. Pode ser discutido se vai ter uma cúpula na nossa gestão que vai decidir tudo ou se a nossa gestão vai chamar uma assembleia e vai decidir com o conjunto dos alunos independente de grupos políticos, de filiação partidária, independente de qualquer coisa, o que vai acontecer. A gente acredita que as lutas têm que se manter, só que elas têm que ser decididas pelo conjunto de alunos da UFSM que quiserem decidir sobre isso e não apenas pela diretoria executiva do DCE que vai ser eleita no dia 27. Eu acho que essa é a principal proposta de modificação quanto às lutas que a chapa 3 propõe. Só que baixar a cabeça porque a gente é baderneiro, porque não pode trancar a rua quando aumenta a passagem, porque a gente não pode ocupar a reitoria quando a reitoria toma alguma medida autoritária, isso a gente não vai fazer.  O que a gente vai fazer é tentar democratizar ao máximo o acesso e a ação dos estudantes dentro desses atos. Essa é a principal proposta da chapa 3, eu acho.

Diosana Frigo: Na verdade isso entra em tudo o que a gente vem propondo, em toda a formação que a gente teve na chapa e é uma coisa que cada integrante da chapa 3 tem muito claro. Nós vamos representar os estudantes, caso sejamos eleitos. O DCE serve para isso. Se nós somos o DCE e a maioria dos estudantes, que é algo que pode ser feito na assembleia, decide que não, que no ato das passagens nós vamos trancar a rua X, a gente não tem autoridade alguma ou, porque nós enquanto DCE queremos fazer outra coisa… a gente não tem isso, a gente está representando os estudantes. Se os estudantes querem que a gente faça um protesto, faça uma manifestação, a gente vai fazer, independente de talvez termos opiniões contrárias, independente de uma entidade, de um empresário ou alguma coisa assim, nós vamos fazer. E isso que é importante, porque a nossa chapa é independente, não tem “rabo preso”. Não vai ter “porque o partido X disse que não pode fazer, porque tem o problema disso, porque tem um empresário que defende alguma coisa aqui e não ficaria bem pro partido ou alguma coisa assim…”. Nós não temos isso. É totalmente independente, vai ser decidido entre os alunos porque é exatamente esse o propósito do DCE: representar os estudantes e é o que a gente não vê hoje na chapa 1 e já não foi visto na chapa 2 quando a chapa 2 era a gestão do DCE.

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