FRANCISCATO: “AS PESSOAS SE APROPRIARAM SOCIALMENTE DE FERRAMENTAS DIGITAIS”

“André Lemos, professor da Bahia, nos anos 1990, dizia: ‘a internet é uma revolução'”

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Foto: Marina Martinuzzi

Esteve na Universidade Federal de Santa Maria, a convite do Programa de Pós Graduação em Comunicação (POSCOM) da UFSM, o Professor Dr. Carlos Franciscato, atualmente coordenador do Mestrado acadêmico em Comunicação da Universidade Federal de Sergipe. Franciscato esteve na universidade de onde é egresso do curso de Jornalismo para falar sobre o tema “Repensando as Teorias Sobre Jornalismo a partir das Transformações Tecnológicas Contemporâneas”.

Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (1998) e doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia (2003), Franciscato apresentou suas pesquisas sobre o tema, posicionando o ainda incerto futuro do jornalismo após as mudanças bruscas ocorridas com a difusão da tecnologia. Sobre as mídias que emergem pela rede, no Brasil e no mundo, majoritariamente as mídias de cobertura testemunhal, o professor se posiciona:

“O que a gente deve cuidar é que isso não substitui a compreensão que a sociedade quer ter sobre o fato. Porque esse tipo de cobertura testemunhal, esse tipo de testemunho da realidade que você midiatiza e transmite, nos facilita a perceber fragmentos. Mas em muitos casos não é jornalismo porque são atores sociais munidos de tecnologia de fácil manuseio e transporte que filmam ou escrevem de dentro dos fatos, como estamos acompanhando nas manifestações pelo país. Mas não há uma busca pelos lados, pelas versões. Não explica o fato. A sociedade assiste na internet o grosso acontecer mas quer compreender bem o fato. Não é jornalismo, mas coloca em xeque eventuais interesses que as grandes organizações jornalísticas têm”, disse à plateia. 

Ex-presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor, Carlos Franciscato concedeu entrevista à revista o Viés sobre mídia e tecnologias, jornalismo e mídias sociais. Leia a entrevista na íntegra abaixo. 

 revista o Viés: Quando o senhor fala da crise do jornalismo e de alguns setores, o senhor citou a mídia NINJA e a mídia tradicional. A NINJA não é um comprovante de que o jornal, como mediador, não estava conseguindo fazer alguma coisa que as pessoas queriam assistir? Será que não é essa a crise? O jornal como mediador e a partir de onde ele lê?

CARLOS FRANCISCATO (CF): A sua questão para mim é a questão central dos novos desafios do jornalismo, das novas possibilidades de fazer jornalismo e das novas possibilidades que a sociedade tem de se apropriar dos princípios do jornalismo. Inclusive, o que a tecnologia está nos oferecendo é a capacidade das pessoas se apropriarem de coisas, até mesmo de modos e de alguns valores que lhes eram distanciados. “O jornalista, a organização é intocável” – [pensava-se] assim 20,30 anos atrás.

Era claro que com as novas tecnologias e, concretamente, um exemplo que a mídia NINJA fez – que é inovador e que ninguém fazia – foi ir até o meio do protesto, ligar um pequeno dispositivo – seja um celular, uma pequena câmera que você consiga transmitir por meio da internet – gerar uma transmissão chamada ‘ao vivo na rede’. Você vai dizer: “ah, mas isso aí de transmissão ao vivo a televisão já faz há 30, 40 anos”. É claro que tecnologicamente no princípio da transmissão ao vivo não há nada de novo, mas tem duas mudanças fantásticas: primeiro, você não precisa ser uma mega organização pra ter um ônibus que vai fazer um link pra você transmitir ao vivo – alto custo – que é o que a televisão fazia. Você com duas, três pessoas com tecnologias primárias, com dispositivos primários transmitem também, então tem uma apropriação social de uma ferramenta tecnológica que há 20, 30 anos era exclusiva de uma grande organização, que envolvia muito dinheiro e ainda envolve. Você fazer um ao vivo de uma televisão e colocar isso no ar, é um estresse danado, é um custo fantástico.Você tem uma primeira apropriação, que é a apropriação de uma tecnologia para você colocar à disposição contatos sobre o mundo que antes não era possível fazer.

As pessoas não estão na passeata e elas eventualmente querem ter uma visão da passeata, então há uma operação de uma ferramenta tecnológica que antes não era possível. Ganho para todos. Segunda questão, consequente dessa: se você tem a tecnologia que pode fazer isso, você pode utilizá-la com certos fins, ou seja, a cobertura neste caso – e isso não é ruim – não é uma cobertura com vocação independente. Uma das broncas que eu faço em relação à mídia NINJA é que ela se denomina jornalismo independente. Ela não é nem jornalismo nem independente. Porque não é independente? Ela está completamente enraizada num grupo social. E a visão é plena e exclusiva de um grupo social. Você não vai ouvir no meio da transmissão a mídia NINJA pedir uma audiência com o governador do Rio. Se ele começar a falar é capaz de desligarem o dispositivo, porque ela não é independente. Ela na verdade é um ativismo midiático. Excelente, fundamental.

A democracia cresce, melhora, os próprios meios de comunicação foram colocados contra a parede porque a mídia NINJA disse: “com as nossas ferramentas simplificadas, nós fazemos aquilo que vocês não fazem, e a sociedade quer ver o que a gente faz. Se é bom, se é mau, não vamos entrar na discussão agora, nós vamos fazer, porque no nosso projeto de ativismo político e midiático, é necessário fazer.”. Foi e cumpriu excepcionalmente bem o seu papel.

O que a gente deve cuidar é que isso não substitui a compreensão que a sociedade quer ter sobre o fato. Porque esse tipo de cobertura testemunhal (“cobertura” é um termo jornalístico), esse tipo de testemunho da realidade que você midiatiza e transmite, nos facilita a perceber fragmentos. É de termo de enquadramento da câmera, é aquilo que a câmera enquadra. É aquilo que o usuário quer que a câmera enquadre – e isso a teoria do enquadramento vai dizer que é parcial – é um quadro do mundo, é uma moldura que alguém estabelece o que está dentro e o que está fora. E ela não é operada com base nos princípios jornalísticos, como por exemplo “agora tenho que pensar o outro lado, tenho que ver que a moldura capturou isso, mas para as pessoas entenderem bem aquele fato eu tenho que ouvir a versão b, a versão c…” Não, o que eu quero que as pessoas vejam é a versão a, é a moldura que forma a versão a, porque essa é nossa versão do ativismo. É por isso que não é nem jornalismo e também não é independente. Mas é nobre, é fundamental, e coloca em xeque eventuais interesses que as grandes organizações jornalísticas têm. Não só interesses diretos, como por exemplo “vamos boicotar o movimento das massas”, mas uma lógica de controle sobre a circulação da informação que era tradicional das mídias. Uma arrogância tradicional, de que as pessoas só vão ter contato sobre o mundo a partir daquilo que nós mostrarmos para as pessoas.

O jornalismo basicamente era assim, as pessoas não tinham contato com o mundo se não fosse a partir daquilo que estava nos escassos meios de comunicação. Agora não. Agora é o contrário, dificilmente o meio de comunicação consegue censurar algum conteúdo. Não tem como censurar nada. O meio pode censurar, mas a sociedade fica sabendo. Não tem como censurar alguma coisa da sociedade.

 Essa tentativa de censura seria também um dos sintomas da própria decadência da mídia tradicional? Porque agora eles caíram em cima da proibição de publicações no Facebook, os programas deles nem todos passam na integra no Youtube… Isso também não é um próprio tiro no pé que a mídia tradicional está se dando?

CF: Digamos que a mídia tradicional, como organização social, com interesses estratégicos claros – comerciais e políticos – é uma estrutura de poder, então ela age com uma visão de poder que eu diria que é inevitável. Até a mídia NINJA é uma lógica de poder, só que com outras metas de poder, mas são estruturas,lutas de poder, poderes lutando com poderes. A lógica tradicional da organização jornalística, e de comunicação, é de que eu poderia convergir numa organização uma lógica econômica, que rentabilizava, ou seja, a empresa tem um grande poder econômico, cujo poder é intensificado com o poder político. Só por ela as pessoas têm acesso ao que acontece na sociedade. Então isso lhes dava um poder simbólico-real gigantesco, ou seja, a ideia de censura era tipo “silenciamento”. O candidato tal não aparece na minha empresa, então o cara está morto. Para você fazer um processo eleitoral político de debate fora da mídia há 20, 30 anos era um trabalho artesanal, de contato direto, um a um, nas ruas, e hoje não. Claro que ter a mídia contra você é sempre um problema grave, porque, na verdade, as novas mídias sociais não existem independentes das mídias tradicionais.

Na verdade, a gente possui um grande conjunto de articulação, então se reproduz muito nas mídias sociais o que circula nas mídias tradicionais. Boa parte do que eu vejo no meu Facebook está nas mídias tradicionais, mas também é algo que está nos pequenos sites que são colocados pra circular nas mídias. Eu estou descobrindo vários sites e organizações jornalísticas (pode ser até de uma pessoa só) que têm uma identidade editorial própria e que estavam à margem, e que eu não tinha acesso, mas agora tenho porque alguém no Facebook compartilha. Eu posso olhar, entrar, não entrar, mas pelo menos eu tenho noção da existência, inclusive, eu tenho noção do modo como essa organização diferenciada vê o mundo e relata o mundo.

 Seria também uma resposta das redes sociais elas conseguirem fazer o contraponto da mídia tradicional? Nós temos 6 canais grandes de televisão, 11 jornais grandes, e as redes sociais, na verdade, impactam mesmo quando contrariam esse tradicional. Como o jornal enquanto mediador pode se aproximar mais da população, já que as redes sociais (os casos NINJA e Amarildo, por exemplo) tiveram uma relevância que impactaram na mídia tradicional?

Existem dois conjuntos de termos importantes que você colocou, e que eu vou citar ponto a ponto. Não sou um hiperespecialista em redes sociais, mas eu uso uma diferenciação entre redes sociais e mídias sociais, porque tem alguns autores que vêem diferentemente uma rede social do que se faz hoje em Twitter e Facebook. Eles entendem que rede social é um processo que vem da sociologia, que possui uma lógica de laços sociais mais densos, mais atados. Você ata um laço social – isso é uma rede social na sociologia. O que se faz hoje no Facebook, Twitter, não é isso. Você larga para um universo em que as pessoas não têm contato, e elas não necessariamente interagem, o laço social é muito fraco, então se usa um pouco mais “mídias sociais” – é um espaço de troca, não é muito espaço de interação. Você adiciona amigo e coisa e tal, nem lembra mais porque, de vez em quando lê aquilo que está chegando dele. Às vezes se pergunta “quem é essa pessoa?”. Então o que está no Facebook não necessariamente é uma rede social. É uma mídia social nesse sentido, mas tem uma lógica de compartilhamento, uma lógica de troca que é fenomenal e fantástica.

Na pergunta, você citou um termo muito importante que é o de“mediação”. Esse é um termo problemático, porque o jornalismo do século XX nasce e exerce a partir de uma ideia de mediação.Nosso papel se cumpre quando a gente atua como mediador social, e hoje eu diria que isso também está colocado em xeque. Como eu defendo o conjunto dos princípios da instituição jornalística, eu acho que o princípio da mediação deve ser preservado também. Mas, de fato, a tecnologia de trocas, do online, abre muitas vezes mão da mediação.

Existe algo aí muito impreciso e imprevisível da ideia de mediação. Eu continuo achando que o mediador é necessário, só que hoje é menos a ideia do mediador jornalista que media o fato para as pessoas. Ele é o grande meio entre as pessoas e o fato, só ele teria a informação, a informação tem que passar necessariamente por ele. Na verdade, para mim ele é um mediador mais como intérprete. Eu posso ter acesso aos fatos por outros meios, mas eu passo pelo jornalista, porque eu acredito que ele faz bem feito. É por isso que eu entro nos sites tais – porque eu sei que ali tem um tipo de cuidado que em outros talvez não se tenha. É essa a figura de mediador que se preserva, mas não é exatamente a mesma que a gente tinha.

 Sobre essa questão das pessoas se aproximarem em relação à mídia NINJA. Isso demonstraria,de certa forma, que tecnologia cria uma crise também no espectador no sentido de as pessoas quererem ser mais participantes da mídia, do que apenas consumidoras da mesma?É essa a explicação para as pessoas terem, de certa forma, aderido também a essas mídias sociais que transmitiam de outra forma os acontecimentos, ou de uma forma, como o senhor falou, participante da situação?

Naquele texto que eu sugeri sobre o jornalismo pós-industrial, tem uma discussão que passa por aí. O texto tenta discutir a mídia como indústria, então qual é um dos problemas, filosóficos e pragmáticos, da mídia hoje? Aquela noção clássica do público e da audiência embaralhou. O jornalismo como instituição trabalha com público, papel de cidadania, de reforço dos valores democráticos fundamentais, e o papel jornalismo como instituição atende a essa demanda.

A mídia como negócio atende a demanda da audiência. E é claro, a mídia como negócio não ignora que o público tem suas demandas. Público e audiência, enfim, são duas faces mais ou menos das mesmas pessoas. Mas essa dimensão de público do coletivo também deve serparcialmente atendida. O Jornal Nacional não vai deixarde fazer um jornalismo média/boa qualidade, senão essa dimensão de público vai embora e fica apenas o entretenimento. Não é isso que a empresa e a organização querem.

O que a mídia tradicional tem como problema é rever o papel desse conjunto de pessoas que com a rede pode (e o faz se quiser) exercer seu papel de cidadania, não só seu papel de audiência, que é o de consumidor de produtos. Talvez a maioria não faça, mas enfim, o Diário de Santa Maria me vê como leitor me respeita como leitor, porém existe uma relação de mercado. Se eu não pagar, o jornal não chega.

Nesses novos sistemas, eu posso recuperar uma forma cidadã de ser que não passe por vícios históricos de uma empresa capitalista, que é o negócio. Hoje você pode se sentir motivado (mas isso é uma minoria) a participar desse espaço público, com vínculos diferentes. Pode-se até cair num espírito de rede, mas conectar-se ao Facebook e ao Twitter não gera isso. Existe a ideia do compartilhamento, do voluntariado, do espírito “Wikipédia”- em que você abre para todo mundo escrever e surpreendentemente o resultado é positivo. Podia ser a maior tragédia do mundo, mas surpreendentemente tem mais espírito de colaboração do que de destruição. Quem acredita, diz “aqui se faz uma dimensão pública de informação melhor que esse modelo de negócio, até porque ele é cheio de vícios históricos e não parece que vão se arrumar. Por isso que a crise está aí”. É um modelo que tá em crise.

 Com relação a essa questão de mídia e negócio que obrigatoriamente precisa ter uma redução de custos, que muda todo o processo de distribuição, de organização… Como hoje o próprio jornalista pode ter a clareza de que o que ele está produzindo vai ter essa recepção? Como ele pode se preparar?

Antigamente, com os jornais sendo entregues nas portas das casas, tinha-se certa noção de que o conteúdo ia chegar, mas agora com essa fluidez e com toda a questão da sociedade em rede, como o jornalista deve se imaginar e ser capaz de ter essa transversalidade também em outros assuntos?

Existe um problema que é central. A ideia do “e eu vou trabalhar aonde? Se as empresas vão fechar, onde eu vou trabalhar?” Acho que essa é uma questão de “como eu posso preservar o jornalismo como profissão”. Esse é um dos valores que se constituiu no centro da institucionalização do jornalismo, instituições, valores, mas entre os processos, é a ideia da profissionalização, a ideia de um corpo profissional que defende essa instituição, que defende seus valores.

Profissão e profissional são afetados, porque se a remuneração afeta a empresa que era a grande contratadora, afeta também o empregado. Se eu leio sobre jornais que fecham postos de trabalho, o que vai ser da minha profissão? E vem as perguntas “como a gente pode gerar remunerações? Como conseguir formar profissionais que possam se remunerar num mercado em que tem problemas de faturamento reais? ”. As empresas que se queixam, as tradicionais, estão realmente ameaçadas em certo grau. Mas aquele estudo que o jornalismo pós-industrial mostra é o de que não há uma mensuração clara para onde está indo o dinheiro da publicidade. Publicidade que era rica no jornal impresso, está indo para a TV? Para a internet? Em certo grau.

Como, na verdade, a rede gera multiplicidade de modos, de remuneração, então se cria aquela questão do mediador, o problema, o mediador era também, classicamente, o mediador entre empresas, entre produtos e clientes. O jornal dizia para o consumidor os produtos que existiam por meio dos anúncios. Agora as empresas fazem conexão direta, é mais fácil tecnologicamente. Ela não precisa remunerar o meio de comunicação para fazer essa mediação. É uma perda real, e se é uma perda real, digamos, afeta o negócio e afeta os trabalhadores do negócio. É de como você pode tentar preservar a profissão de jornalista nessa nova lógica. Fora da idéia da organização que contrata. Voluntário é fácil, o problema é remunerar.

 O senhor comentou durante a palestra que a tecnologia cria novas formas de interação, novas formas de reafirmação de cidadania e de relação com o jornalismo. Apesar disso tudo, a tecnologia ainda assim pode ser excludente, mesmo com essas novas formas de relação e de reafirmação de cidadania?

Toda a tecnologia é inevitavelmente excludente, porque toda tecnologia exige uma condição de uso que você tem que saber operar. Toda tecnologia é excludente, mas os efeitos a longo prazo da tecnologia, de modo geral, tendem a ser inclusivos. Se você vai pensar isso desde o livro – de Gutemberg, a tecnologia no início é excludente. Mas é claro que ela foi inclusiva, as pessoas puderam começar a ler livros. Eu me lembro, nos anos 90, o André Lemos, professor da Bahia, um dos primeiros pesquisadores da cibercultura, quando o levamos para uma palestra e os alunos nessa década tinham uma visão agressiva em relação à tecnologia, à internet, pois você tinha sim um bolsão de 1% que acessava a tecnologia e 99% que não acessava. Naturalmente investir em internet era investir em um benefício de uma minoria. Naquele momento a internet era excludente, porque as pessoas não tinham tecnologia, nem recursos, nem competência para operá-la, mas a longo prazo…

E o André disse aos alunos: “Não pensem assim, não pensem que a internet vai ser excludente, porque ela é uma grande revolução e ela é inclusiva”.

FRANCISCATO: “AS PESSOAS SE APROPRIARAM SOCIALMENTE DE FERRAMENTAS DIGITAIS”, pelo viés de Bibiano Girard, Marina Martinuzzi e Nathália Costa

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