500 DIAS COM ELA

nossa maneira de ver e sentir cinema quase nunca é a mesma. a minha, pelo menos, com grande frequencia, é extremamente mutável e adaptável ao momento, ao assunto e às circunstâncias. apesar de nutrir um enorme prazer pela ‘espera’ e pela ‘expectativa’ que costumo ter por alguns filmes, confesso que aqueles que só estão dando […]

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nossa maneira de ver e sentir cinema quase nunca é a mesma. a minha, pelo menos, com grande frequencia, é extremamente mutável e adaptável ao momento, ao assunto e às circunstâncias. apesar de nutrir um enorme prazer pela ‘espera’ e pela ‘expectativa’ que costumo ter por alguns filmes, confesso que aqueles que só estão dando sopa na prateleira da locadora (e de repente cutucam os meus olhos) costumam me causar surpresas.

o que aconteceu foi que um filme qualquer, com cara daqueles que a gente vê e apaga da memória, me prendeu durante os seus 96 ou mais minutos de duração. falo de “(500) dias com ela” ((500) days of summer), lançado no ano passado e dirigido por marc webbassista ao trailer abaixo.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=PsD0NpFSADM]

webb também dirigiu alguns videoclipes de bandas como 3 doors down e green day. por algum motivo o filme tem toda a pinta de um enorme videoclipe, recheado de músiquinhas doces, paradinhas melódicas e bares de karaokês. além, é claro, da banda the smiths (escute a música aqui), o estopim do relacionamento (duradouro ou não) entre os protagonistas summer (a nova queridinha do cinema, zooey deschanel) e tom hansen (joseph gordon-levitt).

tom é um desenhista de cartões, que trabalha para a mesma empresa já faz um tempinho. aliás, seu maior sonho é ser arquiteto, e poder trabalhar com tríade de sua verdadeira vocação: os desenhos, os espaços e a cidade. porém, algumas coisas permanecem estagnadas na vida de tom: uma delas é acreditar que apenas o destino é responsável pela vida das pessoas. principalmente pelos seus relacionamentos.

o charme de ‘500 dias com ela‘ é o fato de ser uma comédia (às vezes drama) romântica que não possui exatamente um romance. ou melhor, não fala apenas de um romance. não são apenas um homem e uma mulher que se encontram por motivos diversos, se juntam por afinidades e se separam por diferenças. o filme é mais que isso. inova ao colocar o rapaz não apenas como um cara que levou um pé na bunda. a garota da história não quer um romance – mas quando a gente pensa que, como acontece em grande parte dos filmes românticos que se vê por aí, a mocinha vai quebrar o gelo do seu coração e se entregar aos braços do amado, a gente percebe que não é isso que ela quer. ele quer, mas ela não; e não se trata apenas de querer ou não. não é aquela pessoa, e pronto. a vida segue.

500 dias com ela é aquele empurrão que alguém precisa pra sair da fossa. não é um filme triste, e nem feliz. é a vida, poxa. tom não pode mais ficar com summer, e durante todo o período em que fica recapitulando os dias em que passou ao lado dela, apenas as cenas felizes, os carinhos, os beijos e os lugares favoritos (ou mesmo os planos) é que preenchem a sua cabeça. é da sua irmãzinha caçula, uma menina aparentemente precoce e bem informada das armadilhas do ‘amor’, que tom recebe seu melhor conselho: não olhe apenas pro lado bom.

estranho? nem tanto. o importante não é culpar-se, e é isso que tom acaba por perceber. não é olhar para trás a procura de passos em falso ou sinais que foram ignorados. o negócio é pesar que um relacionamento é feito de dois; o que é bom, pode ficar ruim. e o contrário também. o momento da separação é o momento que tom encontrou de pesar (depois, é claro, de muita bebedeira e dor de cotovelo) para rever o romance e conseguir enxergá-lo com clareza. é como dizem por aí, algumas coisas só são entendidas com uma boa distância de perspectiva…

recomendo ‘500 dias com ela‘ não só para os que querem curar a dor de cotovelo, chorar um pouco, ou apenas se distrair mesmo. recomendo para que você veja e olhe para a pessoa ao seu lado, e repare bem, quanta coisa você poderia estar fazendo por ela.

amar não tem prazo de validade. não são apenas 500 dias contados ou recontados. sendo bem piegas e mulherzinha, eu acabo dizendo que amar não tem tempo. dura o tempo que você quiser.

a-há, e para quem estiver interessado nas músicas do filme: 500daysmusic!

500 DIAS COM ELA, pelo viés de Nathália Costa

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