AS CANÇÕES DE AMOR

“As canções de amor” é um daqueles filmes que surpreendem pela simplicidade ao tratar de temas complexos. Com isso não quero dizer que seja simplista, não!, ele apenas deixa de lado muitos clichês, tornando-se uma obra única. A naturalidade é o seu ponto máximo. Parece que estamos vendo uma história real filmada, embora o filme […]

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“As canções de amor” é um daqueles filmes que surpreendem pela simplicidade ao tratar de temas complexos. Com isso não quero dizer que seja simplista, não!, ele apenas deixa de lado muitos clichês, tornando-se uma obra única. A naturalidade é o seu ponto máximo. Parece que estamos vendo uma história real filmada, embora o filme seja um musical.

A todos que torceram o nariz ao ler “musical”, peço que deem uma chance a esse filme. Ele foge da idéia de musical como geralmente é conhecido. Aqui as músicas não soam forçadas. A impressão que dá, ao acabarmos o filme, é que é super normal expressar sentimentos no nosso dia-a-dia cantando. Está com ciúmes? Cante uma música que fale isso para seu amor. Está com saudades? Não tenha vergonha… cante-a! Não é preciso dançar. “Canções de amor” não traz nenhuma dança. Como já disse, é tudo tão natural!

Christophe Honoré, o diretor, nos mostra uma história diferente, porém possível, evitando usar quaisquer exageros e generalizações que poderia ter usado. O filme começa mostrando um casal, Ismael (Louis Garrel) e Julie (Ludivine Sagnier) que, embora se ame muito, aceita uma terceira pessoa na relação, Alice (Clotilde Hesme), colega de trabalho de Ismael. A relação não é perfeita, há ciúmes de todas as partes, mas o romance continua, até…

“Estamos acostumados que esclareçam todos os mistérios, que nos expliquem todos os pequenos segredos escondidos. Me recuso a aceitar. O mistério faz parte da vida”, nos diz uma das personagens. E é um “mistério da vida” que acaba com o triângulo amoroso, fazendo a história mudar de rumo completamente. Surgem novos personagens, outros de menor importância crescem na trama, e assim, cada um a seu modo, recomeça a procura pelo amor.

Além da bela história, quase todas músicas são belíssimas, viciantes e necessárias à trama, o que é essencial para o sucesso do musical. Aliado a boas atuações e às belíssimas ruas de Paris, o filme se torna encantador.

Para quem se interessou, vai abaixo o trailer:

Filme: As Canções de Amor; Ano:2007; Direção: Christophe Honoré; Elenco: Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme, Grégoire Leprince-Ringuet, Chiara Mastroianni

AS CANÇÕES DE AMOR, pelo viés de Felipe Severo

felipesevero@revistaovies.com

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  • Nana

    Esse filme é mesmo incrível! Fico feliz por tê-lo indicado a você e que tenhas gostado tanto. É um musical tão despretensioso que não tem nem mesmo a pretensão de ser um musical! A ausência de danças e coreografias nos momentos das canções, a meu ver, é o que faz a diferença e impede que o filme caia no lugar-comum e na mesmice que considero o maçante dos musicais “tradicionais”.

    História ótima e bem desenvolvida, atores excelentes, músicas que ‘participam’ do roteiro, interagindo totalmente com a trama. Muito bem roteirizado e dirigido. Uma produção imperdível para quem curte diversidade.

  • http://www.marcelo-antunes.blogspot.com Marcelo

    Gozado. Googlando sobre o filme, cheguei aqui, e, coincidência, descubro que o autor do texto é meu amigo no Filmow.

    Canções De Amor é uma obra-prima que tive o prazer de assistir quase uma dezena de vezes. Além de tudo o que já enumerou a respeito da obra, o que mais me encanta nela, é o desfecho inusitado. Curto histórias assim, afinal, a própria vida prega das suas…

    Nota mil!