DENTRO DE GEORGE ORWELL

George Orwell é reconhecido no mundo todo por suas alegorias ficcionais, A Revolução dos Bichos e 1984 (todos os textos que o citam, assim se iniciam), mas sua obra é muito maior que isso. Fora da ficção ele escreveu sobre a dura realidade dos miseráveis franceses e ingleses (Na Pior em Paris e Londres), dos […]

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George Orwell é reconhecido no mundo todo por suas alegorias ficcionais, A Revolução dos Bichos e 1984 (todos os textos que o citam, assim se iniciam), mas sua obra é muito maior que isso. Fora da ficção ele escreveu sobre a dura realidade dos miseráveis franceses e ingleses (Na Pior em Paris e Londres), dos operários ingleses (No Caminho para Wigan Pier) e dos socialistas catalães (Homenagem à Catalunha). E fez mais, escreveu por anos em jornais britânicos, publicando ensaios diversos. Principalmente sobre seus dois assuntos preferidos: política e literatura.

Na coletânea de ensaios Dentro da Baleia e outros ensaios, organizado pelo jornalista brasileiro Daniel Piza, Orwell transita entre suas maiores áreas de interesses, num espaço dividido por James Joyce e Stalin; Hitler e H.G. Wells; Tolstoi e Ghandi.

Orwell, em 15 títulos, descreve cenas do seu passado, resgata passagens como a famosa descrição do Hospital X (Hospital Cochin), em Paris, cortada da edição de Na Pior em Paris e Londres (Como morrem os pobres, ensaio que dá título à outra coletânea da Cia. das Letras ); ou passagens vividas na Birmânia, quando era um oficial imperial britânico (O Abate de um elefante, Um Enforcamento). Orwell lembra de seu tempo de livreiro  e resenhista (Memórias de livraria e Confissões de um resenhista). Sempre com o jeito próprio, duro na crítica, cheio de adjetivos, com um discurso honesto de quem não deve à ninguém.

Cada texto apresenta um dos lados do autor, e é dividido, na edição brasileira em três partes: Palavras, Palavras; A Memória da Política; e A Política da Literatura. Recortados de jornais, de épocas diferentes, narrando o pessimismo que aflingiu Orwell com o passar do tempo. Uma forma simples de resgatar o passado, rever aquilo que já foi esquecido, e tentar imaginar o que não deu certo até hoje ou aquilo que poderia ter sido.

DENTRO DE GEORGE ORWELL, pelo viés de João Victor Moura

joaovictormoura@revistaovies.com

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