BIZARRO

“A Pele” é um filme de 2007 que fala de Diane Arbus, a fotógrafa estadunidense que usava o flash para registrar em forma de retrato pessoas bizarras e estranhas que viviam escondidas dos cliques tradicionais que captavam apenas a beleza clássica. Além disso, considerava o ser humano tão ou mais enigmáticos que a própria fotografia, […]

A+ A-

“A Pele” é um filme de 2007 que fala de Diane Arbus, a fotógrafa estadunidense que usava o flash para registrar em forma de retrato pessoas bizarras e estranhas que viviam escondidas dos cliques tradicionais que captavam apenas a beleza clássica. Além disso, considerava o ser humano tão ou mais enigmáticos que a própria fotografia, sendo então esse seu objetivo e o por quê de o filme a tratar subjetivamente, inventando uma história para descobrir Diane: A Pele, um reatrato imaginário de Diane Arbus. Depois de conhecer um homem (Lionel) que sofria de uma doença que o cobria de pêlos,  Diane deixa de ser apenas a mulher de um fotógrafo famoso por trabalhar com modelos e propaganda e passa a se relacionar com as pessoas que por suas anomalias eram consideradas apenas pelos circos e coisas do tipo. Monta-se a trama de um belo filme que se não fiel, significativo o bastante.

David Lynch é o diretor estadunidense das bizarrices e estranhezas desses seres a margem. Ele dirigiu filmes como Eraserhead, Blue Velvet e Homem Elefante. Tudo se torna explicativo sobre “A Pele” depois de se ver “Homem Elefante” de 1980. O tal “homem elefante”- John Merrick trabalhava para um circo, com uma aparência terrível e várias anomalias, até ser acolhido pelo Dr. Frederick Treves que dá cuidados e descobre naquele ser “aberracional” um homem polido. Um filme também belo com um personagem que causa muita empatia pelas descobertas que, até então, a brutalidade não o permitia fazer.

Existem cenas de “Homem Elefante” que se repetem integralmente em “A Pele”. Ao contrário, eu não achei o segundo uma tremenda farsa, mas uma tremenda ligação. David Lynch e Diane Arbus fazem parte, sim, de um circulo em comum – e a parte. O roteiro modificado em detalhes, um final igualmente belo. Para quem for olhar ou já viu, basta lembrar ou observar Diane/enfermeira subindo as escadas temerosas, Lionel/Merrick visitando Diane/Frederick, por exemplo.
Indico os dois, um vale por retratar uma grande mulher – que usou mais que técnica e outro por afirmar mais David Lynch e confirmar a grandeza da sua citada película. Os fotografados de Diane Arbus sempre pareceram sair de um filme de David Lynch mesmo!

Título original: Fur – An Imaginary Portrait of Diane Arbus
Roteiro: Erin Cressida Wilson e Patricia Bosworth
Diretor: Steven Shainberg, mesmo de “Secretária”

Titulo original: The Elephant Man
Roteiro: Christopher de Vore, Eric Bergren e David Lynch
Diretor: David Lynch

DAVID E DIANE, pelo viés de Caren Rhoden

carenrhoden@revistaovies.com



Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this pageEmail this to someone