UN AUTRE MONDE

O jornal Le Monde Diplomatique nasceu como um caderno mensal do jornal francês Le Monde. Idealizado pelo diploamta/jornalista húngaro François Honti, concretizou-se em maio de 1954 quando Hubert Beuve-Méry – também fundador do Le Monde – autorizou a publicação da primeira edição do caderno. Em 1996, o “Diplô” – como é conhecido na França – […]

A+ A-

O jornal Le Monde Diplomatique nasceu como um caderno mensal do jornal francês Le Monde. Idealizado pelo diploamta/jornalista húngaro François Honti, concretizou-se em maio de 1954 quando Hubert Beuve-Méry – também fundador do Le Monde – autorizou a publicação da primeira edição do caderno. Em 1996, o “Diplô” – como é conhecido na França – se tornou uma filial do grupo La Vie-Le Monde, ganhando autonomia editorial do jornal que lhe deu nome. Hoje, 51% das ações do diplô pertencem ao grupo La Vie-Le Monde; 24,5% à associação Amis du Monde Diplomatique e os outors 24,5% pertencem aos redatores do jornal.

Desde a década de 1970, o diplô vem se mostrando bastante crítico aos assuntos internacionais. Sedimentado numa posição altermundista, isto é, anti-globalização, ele traz reportagens que criticam a história oficial, a política de Israel, a hegemonia dos Estados Unidos, o neoliberalismo e a sociedade securitária. Existem 72 edições internacionais: 46 impressas e 26 eletrônicas. A tiragem impressa na França chega a 240 mil exemplares enquanto a tiragem numdial alcança 2.4 milhões (a tiragem mensal do jornal Le Monde por exemplo).

Sediado em Paris, no 13º Bairro, a equipe de jornalistas fixos do diplô é bastante reduzida, pois a maioria dos textos vem de jornalistas independentes ou de intelectuais de todo mundo. O chefe de redação é sociólogo Serge Hamili, de origem tunisiana, famoso por suas duras críticas aos Estados Unidos e ao neoliberalismo. A revista o Viés (ou melhor, o protótipo de) visitou a redação do Le Monde Diplomatique em Paris em julho de 2009. São duas casas de tijolo à vista separadas por um pequeno jardim, em cuja face fica um grande portão preto que dá entrada. O interior da redação se parece com as fotos dos grandes jornais, só que em escala reduzida: é basicamente branca e cheia de papeis, mapas, edições anteriores, jornais de todo o mundo, revistas, blocos de anotação, computadores e telefones. À época, a revista o Viés tentou entrevista com o redator-chefe Maurice Lemoine, que não atendeu o telefone, pois, segundo a secretária da redação, estava de férias.

O Le Monde Diplomatique Brasil é publicado pelo Instituo Pólis, uma organização não-governamental que fomenta os estudos de políticas sociais. Nos útlimos anos, todas as edições do diplô pelo mundo sofreram com o baque impresso-internet, perdendo muitas assinaturas. Neste ano, foi lançado o novo sítio da edição brasileira, com vídeos, blogs e acesso integral aos textos de todas as edições brasileiras, desde 1999.

O mais importante no Le Monde Diplomatique, seja o brasileiro, o francês, o argentino, o italiano, o egípcio ou o russo, é a visão crítica e esquerdista explícita dos textos. O diplô não se vende como um jornal generalista que informará sobre tudo com suposta “imparcialidade e objetividade” ou qualquer outra mentira jornalística. É um jornal de esquerda: contra o neoliberalismo, contra a hegemonia, contra a política israelense e a favor da integração regional, da quebra de estereótipos (terrorismo, Oriente etc.) e do desenvolvimento sustentável.

O diplô é para quem quer ter visão crítica, pois, de neutro, ele só tem o nome.

*UN AUTRE MONDE: um outro mundo

UN AUTRE MONDE, pelo viés de Gianlluca Simi

gianllucasimi@revistaovies.com

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this pageEmail this to someone