O BRILHO ETERNO DE UM RAMBO SEM LEMBRANÇAS

Ao sair da sala de cinema depois de assistir a “A Origem” o espectador pode ver o copo meio cheio ou meio vazio. Se interessar ver dois filmes pagando o valor de apenas um ingresso, o otimista sairá satisfeito. Já para o pessimista, pode parecer que não viu nenhum dos dois filmes completamente. O longa […]

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Ao sair da sala de cinema depois de assistir a “A Origem” o espectador pode ver o copo meio cheio ou meio vazio. Se interessar ver dois filmes pagando o valor de apenas um ingresso, o otimista sairá satisfeito. Já para o pessimista, pode parecer que não viu nenhum dos dois filmes completamente.

O longa conta a história de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), uma espécie de espião industrial, e seus conflitos psicológicos, na maioria das vezes ligados à sua mulher, Mal (Marion Cotillard). Seu trabalho é roubar informações sigilosas de grandes executivos por um modus operandi que difere dos demais, invadindo o subconsciente destes executivos enquanto eles sonham. É daí que retira, a partir de situações vividas durante os sonhos, o que procura: dados, números, senhas e o que mais seus contratantes pagam para saber.

No filme, os personagens podem sonhar juntos, o que facilita o trabalho da equipe. Até uma estudante de arquitetura, interpretada pela atriz Ellen Page, é contratada para que recrie lugares e cidades para que as histórias que se passarão durante os sonhos se identifiquem com o mundo real.

O filme, do diretor Christopher Nolan (o mesmo de “O Cavaleiro das Trevas” e “Amnésia”), segue a linha das megaproduções capitaneadas por Nolan, como as de “Batman”, e a linha de pensamento de outros filmes do diretor, como o próprio “Amnésia” e “Insônia”, utilizando elementos psicológicos como fio condutor da trama.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=m9TAv-04qSs] “A Origem” pode ser considerado um bom filme. Tem um roteiro corajoso para um blockbuster – que lembra as boas histórias do roteirista Charlie Kauffman (de “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” e “Quero Ser John Malkovich”). Por outro lado o filme segue o padrão hollywoodiano para prender o espectador, ou seja, o abuso dos tiros, sequências de lutas e as piadinhas como “quebra gelo” para o excesso de ação – como os filmes estrelados por Sylvester Stallone (de “Rambo” e “Stallone Cobra”).

Nos exageros de tiro, tanto em número de balas e homens atirando, como no tempo que as cenas de ação tiram da trama bem feita, o longa perde a chance de marcar seu lugar na pequena lista de filmes com histórias profundas que fazem sucesso comercial.

Filme: “A origem” Ano de estreia: o mesmo de “Os famosos e os duendes da morteDireção: o mesmo de “Insônia” e “Amnésia” Roteiro: o mesmo de “O cavaleiro das trevas”.

BRILHO ETERNO DE UM RAMBO SEM LEMBRANÇAS (A Origem), pelo viés de João Victor Moura e Bibiano Girard

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