GA’INJA: NELL

ESTANTE: Nell, com Jodie Foster interpretando uma mulher selvagem. Pelo viés de Bibiano Girard

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Jodie Foster é Nell, filme de Michael Apted

Vocês acham que têm o direito de privá-la de viver?

É uma retardada, que vive na selva, é uma mulher selvagem que nem inglês fala. Passa quase todo o dia dormindo depois que a mãe morreu. Ela é como qualquer outro animal da selva.

O filme Nell trata da história de uma mulher isolada que viveu com a mãe em uma floresta até seus aparentes trinta anos. Após amorte da mãe, a qual Nell a coloca deitada no chão com flores sobre os olhos, a personagem passa a viver sozinha. O enredo do filmemostra a tentativa de civilizá-la, ou melhor, torná-la mais um humano domesticado nas cidades através de um estudo que um laboratório pretende fazer com Nell.

E é a partir de tais concepções que dá-se início à história de Nell, nome da protagonista do filme de nome homônimo. Interpretada por Jodie Foster, bem mais nova, já que o filme foi gravado nos idos de 1994, Nell é uma mulher selvagem. A área de estudos do corpo têm o filme como uma das amostras de como o ser humano vive envolto por seu ambiente, e não o contrário, como muitos ainda pensam.

Nell não fala nenhuma língua certificada pelos órgãos oficiais do mundo, mas fala pela maneira mais animal possível, assim como todos nós. Nell conversa, tem sua própria língua e seus trejeitos e características deixam claro o que o filme quer mostrar: há muito mais de bruto e selvagem em nós do que podemos imaginar. Somos animais adestrados, vivendo em cidades, com luz elétrica e computadores. Água encanada, banho quente, tarefas. Achamos que o trabalho é a salvação, pensamos que labutar e viver em grupos é necessário. É, para não nos sentirmos sozinhos e inúteis, mas inúteis para quê e para quem?

O que representa a palavra “vida”? Viver, correto? Agora, questionarmos o que representa a palavra “viver” é muito mais complicado. Viver é tornar algo vivo abastecido de suas necessidades básicas – para o homem seria a alimentação e a água – e deixar que este ser sobreviva pelo tempo que conseguir.

Mas não é assim que vivemos e por isso mesmo vivemos mal. Inventamos coisas para facilitar a vida mas no fim sempre complicamos. Colocamos rótulos em enlatados, enlatamos pessoas, criamos nomes para coisas que não necessitariam de nomes. Por que? Por que precisamos da comunicação entre os seres para sobreviermos em conjunto. Mas e se vivêssemos sozinhos, seria necessário nomearmos tudo?

É o corpo e seus movimentos que fazem de Nell um ser comunicativo. Assim como todos os animais, Nell cria seu próprio mundo através daquilo que tem mais próximo, como as àrvores, o vento e a água. A noite, explicada no decorrer da história, é o instante em que Nell se liberta de medos e cantando vai banhar-se em cenas extraordinárias.

Assista ao filme Nell e descubra que suas mãos tem poder de fala, seu rosto explicita muito mais que várias palavras, e que o mundo ao seu redor não passa de uma criação de seres imaginativos.

Filme: Nell Ano: o mesmo de “Entrevista com vampiros” Diretor: o mesmo “As crônicas de Nárnia, a viagem do peregrino da alvorada” Elenco: Jodie Foster, indicada ao Oscar por melhor atriz, Lian Neeson, de “As crônicas de Nárnia, a viagem do peregrino da alvorada” e Natasha Richardson, de “Ao entardecer”.

GA’INJA: NELL, pelo viés de Bibiano Girard

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