A PARTIDA ACABOU BEM

A infelicidade é cômica, já dizia Nell de dentro de seu latão.O MOSAICO acabou bem. O público foi grande e variado. Queremos mais, queremos ouvir falar, conhecer e desenvolver.

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público do MOSAICO, por Aline Ribeiro

O MOSAICO terminou com a surpresa de Fim de Partida. Surpresa porque, aos que já tinham assistido ao espetáculo antes, o crescimento foi notável. Aos que assistiram pela primeira vez, rendeu risos e tensão. Luiza de Rossi, a diretora de André Galarça, Cauã Kubaski, Felipe Martinez e Rafaela Costa, conseguiu aproximar o texto de sua ideia – a do texto. A infelicidade é cômica, já dizia Nell de dentro de seu latão.

Na primeira versão, as personagens pareciam criaturas saídas de um imaginário particular, porém agora encontram o espectador sendo mais humanas em seu figurino, decadentes, mas humanas, próximas de quem estava ali sentado.  Uma vó falando cansada de existir, de fazer as mesmas coisas; um vô iluminado pelo seu passado, de dentes podres e colher para a sua papa. O filho manco mais parecido com um clown, atrapalhado e impaciente, sonhador deprimido. E o cadeirante, o pai rabugento.

Na hora do texto, alguns axiomas, as frases de impacto, foram postas sutilmente, oferecendo uma possibilidade, não ordenando uma atenção. “Alguma coisa segue o seu curso”, antes dita em um momento só dela, agora é sussurrada como quem ergue as sobrancelhas e constata perigosamente. Ficou dado o prazer e não o cansaço de uma peça de Beckett com mais de uma hora de duração. Os tempos de pausa foram reduzidos adequadamente no todo e nos casos específicos. Nell e Negg, em seus latões, têm vez, não são esquecidos como eram antes, ofuscados pelas conversas de Clov e Hamm.

Isso não quer dizer que se alcançou o máximo, porque ele se constrói na prática. No debate, os familiarizados com o grupo falaram sobre a fluência que O Abajur Lilás tem, mas que Fim de Partida ainda não alcançou completamente. Talvez, como disseram, por ser menos apresentada e também não ter participado de mostras disputadas, quando críticos opinam construtivamente, Fim de Partida caminha mostrando a inteligência cênica dos componentes do grupo de teatro Teatro Por Que Não?.

O MOSAICO acabou bem. O público foi grande e variado, o espaço do TUI receptivo. Queremos mais, queremos ouvir falar, conhecer e desenvolver. Trabalhamos, nós do Viés, para isso também; somos uma janela aberta às iniciativas do grupo. Queremos movimentar a cidade e a gente mesmo. Acreditamos na arte como porta. Esse é mais um caminho do que segue seu curso. Agora, mais!

A PARTIDA ACABOU BEM, pelo viés de Caren Rhoden

carenrhoden@revistaovies.com
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