ADELE LAURIE BLUE ADKINS NÃO É AMY JADE WINEHOUSE

ESTANTE: Seria burrice querer comparar o talento de Adele com Amy. As duas são excepcionais. Pelo viés de Bibiano Girard.

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Adele é fotografada em Nova Iorque em junho de 2008 (AP Photo/Jim Cooper)

Alguns críticos vêm ultimamente errando em suas análises e resenhas sobre Adele, nome artístico da cantora britânica que só cresce nas paradas e que vem estourando no mundo da música pop. Adele é linda, carismática e, sim, tem uma voz arrebatadora que deixa muita gente de queixo caído quando a escuta pela primeira vez. Depois que “Someone Like You” disparou na linha do sucesso, não por superficialidades ou fatos peculiares na maneira de cantar, mas sim pela excelência e inclinação para ser mais uma grande cantora, críticos e público em geral vêm ligando a postura de ídolo de Adele com a notoriedade e o talento indiscutível de Amy Winehouse. As duas são britânicas e têm características únicas. É bom saber e viver esta década que, entre o surgimento de centenas de boas cantoras e uma outra centena de mulheres que acham que cantam, temos a possibilidade de discutir sobre duas grandes vozes surgidas nos anos 2000.

Amy Winehouse será eternamente extraordinária. Como as grandes, rapidamente aqui lembradas por Ella Jane Fitzgerald, Sarah Vaughan e Billie Holliday, se nos trancarmos apenas às cantoras estrangeiras geograficamente, Amy morreu, gravou apenas dois discos, mas ninguém mais conseguirá ser similar a esta surpresa de cantora que tivemos chance de apreciar em pleno início do século XXI. Amy Winehouse sustentará seus “socos, pontapés, escândalos, brigas e idoneidade” para o resto dos tempos. Ninguém pode, nem deve, pois seria deficiência de inventividade crítica, tentar igualar quem vier pela frente com Amy. Amy foi a  cantora e compositora britânica que nos fez reviver para a boa, e popular, música de grau inquestionável em tempos de “estrelinhas” que mais sacodem os quadris do que podem mostrar com a voz e a personalidade. Sei que não se pode comparar, pois fazem parte de dois ramos muitíssimo diferentes da música, mas Amy não precisava se vestir de carne para aparecer. Seus encontros conturbados em pubs da capital inglesa ou seus shows inusitados fizeram da britânica um ícone como há muito não se via. Além disso, seu jazz misturado às inovações musicais e seu estilo junkie de viver a vida não serão passíveis de cópia. Por isso, Adele e Amy não podem ser confrontadas.

A inesquecível Amy Winehouse

Adele chega agora para inaugurar seu próprio estilo e mostrar que sua voz é realmente digna dos primeiros lugares nas paradas. Adele merece respeito próprio e nenhuma comparação. Canta e emociona. Mereceu o prêmio de “artista revelação” em 2008 pelos críticos da BBC e, certamente, será premiada pelo resto de sua vida, seja ela curta, como a da conterrânea, ou longa, como esperamos. Aclamada pela crítica, foi sucesso em vendas já com as primeiras canções. Seu álbum “19” estreou em número um e recebeu, por mérito, três vezes a medalha de platina no Reino Unido.

Vale lembrar que Adele é a primeira artista a alcançar, ainda viva, uma canção e um álbum como número um ao mesmo tempo na Inglaterra. Os últimos detentores dessa façanha foram – nada mais, nada menos – do que os meninos de Liverpool em 1964.

Ganhamos neste início de século a oportunidade de distinguir duas grandes vozes da música internacional. E a comparação entre as duas, além de ser uma falha improdutiva, diminui nossa riqueza em saber que ganhamos esta conveniência de termos duas grandes vozes tocando em nossos aparelhos.

ADELE LAURIE BLUE ADKINS NÃO É AMY JADE WINEHOUSE, pelo viés de Bibiano Girard

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  • Ivan Nagy

    Sensacional, elementar genial.
    Adorei a matéria