ENTREVISTA COM JOSÉ CARLOS VALENZUELA

Diga seu nome completo, data de nascimento e naturalidade. José Carlos Vargas Valenzuela, 1º de novembro de 1953, Rosário do Sul. O senhor não trabalhou na Swift, mas numa empresa com ligação à ela, que é a Cabanha Azul de Porto Alegre. Sim, sim, eu trabalhei na Cabanha Azul, que forneceu “anos” gado pra Rosário. […]

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Diga seu nome completo, data de nascimento e naturalidade.

José Carlos Vargas Valenzuela, 1º de novembro de 1953, Rosário do Sul.

O senhor não trabalhou na Swift, mas numa empresa com ligação à ela, que é a Cabanha Azul de Porto Alegre.

Sim, sim, eu trabalhei na Cabanha Azul, que forneceu “anos” gado pra Rosário. Mandava cerca de 2 ou 3 mil bois por mês pra Swift, lá por 70 e poucos, 74… Eu trabalhei lá de 85 a 91.

E tendo trabalhado na Cabanha Azul quando a Swift já não era existente, o conhecimento sobre o assunto se deve à quê?

Ah, desde roda de amigos até os assuntos da Cabanha Azul. A Swift era a coisa mais importante de Rosário e ainda era muito presente na firma.

Fale-me sobre esse final da Swift…

Ah, primeiro que os pequenos frigoríficos começaram a se movimentar, e começaram a tirar o movimento da Swift. Quando os americanos resolveram desativar ali é que não era mais tão rentável. Faz o número, fecha a conta e manda embora.

E a Swift era uma empresa extremamente organizada. Havia preocupação com o empregado, coisa que não existia, “né”. Ela vestia do pai ao funcionário, ao filho do funcionário. Era de primeiro mundo. Pra trazer um diretor de grande porte, eles necessitavam, tipo… Aquele Golf* que tem lá, aquilo não é da cidade, aquilo era da Swift.

 

*Nota: “Golf” é uma alusão ao “Golf Club Rosário do Sul”, um clube da cidade com campos de golfe muito bem tratados eelaborados, com uma construção usada como sede no mesmo terreno e ainda piscinas e salão de festas. O clube é muito valorizado pelos apreciadores do esporte mas muito pouco utilizado.

Sim, eu sempre achei o “Golf” meio “fora” de Rosário, nunca teve muito “a ver” com os costumes da cidade…

Não tem “nada a ver”. Aquilo é cultura americana. Então era pra motivar os diretores… Porque os que vinham para o Brasil não eram os melhores, era quem ninguém queria, mas ainda assim eles eram bons e precisavam de atrativos aqui. E chegavam aqui eram os “Mister” e tal, da Swift ou da Armour.

Que tinha a Swift e Armour de Livramento. Swift era uma empresa, Armour era outra, e se reuniram pra produzir mais. Então a Swift era uma coisa, a Armour era outra, mas era a mesma empresa. E aí é onde o tio Neca* falhou, algumas empresas deram incentivo pra “sul americana” ficar, e o tio Neca, naquela conduta do PDT, na época a mentalidade do Brizola, poderia até “ta” certo, de “nós não ´damo´ nada, quer ficar fica, não quer não fica”. Livramento bancou…

 

*Nota: “Tio Neca” é o apelido do prefeito da cidade à época, Rossignollo.

Mas fechou em Livramento também…

Fechou 10 anos depois. Iria fechar de qualquer maneira. Seria um respiro a mais, um oxigênio a mais. E esse oxigênio a mais, o Rossignollo não deu. Porque ele acreditou que com as empresas que tinha, pela formação que tinha na cidade, acostumado com nossas empresas que não poderia perder, que se manteriam. E tchau. Levantaram arado e deixaram tudo lá… Essa a realidade da coisa. Deixaram uma estrutura completa lá. Faltou política.

Teve um prefeito que depois liberou pra retirar material de lá…

Foi a Alson*. Ele fez de tudo pra reativar…

*Nota: Alson Pereira da Silva, Prefeito Municipal de Rosário do Sul na gestão de 1973 a 1977, e depois, no evento em questão, na gestão de 1993 a 1996.

Pra reativar? Mas teve alguém que liberou pra retirarem o material que ficou da Swift?

Não sei, mas o Alson fez de tudo pra reativar a Swift ou pra outras empresas “pegarem e tentarem” reativar.

Agora, a melhor produção de carne e de enlatado era da Swift. Até hoje, tu vai no mercado, tu pode comprar “um” Swift que é melhor que os outros.

E essa produção da Swift de hoje é aonde?

Não sei, mas deve ser Brasil.

Bom, acho que é isso. Tem mais algo que o senhor possa dizer?

Não, não, é isso mesmo.

Muito obrigada, então!

Tá certo.

Entrevista concedida à historiadora Tainá Valenzuela.

 

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