A BREVE HISTÓRIA DE UM TIME ESQUECIDO DO FUTEBOL

Pegamos um time. Ele tem uma grande torcida, mais de um milhão de torcedores. Apaixonados que lotam o estádio em todos os jogos. O que faz o time ter a segunda maior média de público do Campeonato Brasileiro. E então pegamos outro time. Derrotas em sequencia. O fundo do poço não chega numa descida violenta. […]

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Pegamos um time. Ele tem uma grande torcida, mais de um milhão de torcedores. Apaixonados que lotam o estádio em todos os jogos. O que faz o time ter a segunda maior média de público do Campeonato Brasileiro.

E então pegamos outro time. Derrotas em sequencia. O fundo do poço não chega numa descida violenta. Três rebaixamentos consecutivos no Campeonato Brasileiro. Da Série A em 2006 para uma eliminação precoce na Série D em 2010. Um time que hoje disputa um campeonato semi-profissional e que luta para que voltem as glórias de tempos atrás.

Como é possível que realidades tão distantes convivam em um mesmo clube? A paixão, as glórias e as derrotas do Santa Cruz Futebol Clube.

Ano após ano o mesmo script. Com o início do Campeonato Pernambucano, torcida, diretoria e jogadores sentem que a hora da virada vai chegar. Esperança dos desesperados, daqueles que preferem fechar os olhos para a dura realidade e continuar sonhando. E o script segue. Cenas daqueles filmes que não dão importância à luta ou à força de vontade. O tipo de drama que quebra o esperado, que não acaba com final feliz, mas só um final e o pano preto. E as decepções para torcedores, jogadores, diretores, aumentam ainda mais. Justo por esperarem que, talvez, aquele era o momento da virada. Um momento que teima em não chegar.

Dali em diante nada poderá dar certo. A torcida ainda comparece, enche o Arrudão, o segundo maior estádio privado do Brasil, mas a força dos milhares de apaixonados não se mostra capaz de reverter a situação. Restam expressões tristes, choro, a mão na cabeça daquele que não acredita e a mão nos olhos daquele que prefere não ver.

Foram vinte participações na elite do futebol brasileiro, principalmente nos gloriosos anos 70. Uma quarta colocação no Campeonato de 1975, depois de uma derrota nas semifinais para o Cruzeiro marcada pelo “apito amigo” à favor do time mineiro, foi a melhor classificação do time em competições nacionais. Mas os 24 títulos estaduais transformam o Santa Cruz em uma força do futebol local.

Já a vigésima segunda colocação no ranking da CBF mostra que, mesmo na Série D, o time tem um histórico de conquistas superior à sua situação. As antigas glórias marcam as histórias dos torcedores mais velhos. Em apenas quatro anos tudo veio abaixo. Sem explicação aparente o time continua amargando a torcida. Sem explicação aparente a torcida continua dando força, comparecendo. Como em um pesadelo que só pode piorar.

Sem expressão nacional na década de 90, mas com muita história. Assim o time me foi apresentado há muitos anos atrás. Nada de “O Terror do Nordeste”. Ele era o Tricolor Cobra Coral, que me foi apresentado entre peripécias do meu pai tricolor para ver os jogos. Era o time que goleava, que fazia os desavisados perderem a conta na contagem dos gols, que enfrentava de igual para igual times cariocas e paulistas, que viajou ao Oriente Médio e à Europa e voltou sem perder nenhum jogo contra seleções nacionais e contra times do primeiro escalão europeu. Um tempo no passado, como o verbo. Ficou. Não volta mais.

Enquanto isso os rojões são comprados, as camisas preparadas, as bandeiras hasteadas para que outro ano comece. 2011 pode ser o momento da virada (?).

As pinturas no decorrer da matéria são de Roberto Ploeg, pintor holandês radicado no Recife e torcedor do Santa Cruz.

A BREVE HISTÓRIA DE UM TIME ESQUECIDO DO FUTEBOL, pelo viés de João Victor Moura

joaovictormoura@revistaovies.com

Para ler mais perfis acesse nosso Acervo.

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