A VELHA E A CABANA

  Humildes servos despertam De um sono de semblante sereno Que esconde o tumulto Obscurecido por pálpebras cerradas. De repente os servos quedam-se arruinados Por um golpe racional E independente das horas e dos locais põem-se a maquinar à luz, pupilas dilatadas   o tumulto lance-se para frente e eles acompanham o frenesi a corrida […]

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Humildes servos despertam

De um sono de semblante sereno

Que esconde o tumulto

Obscurecido por pálpebras cerradas.

De repente os servos quedam-se arruinados

Por um golpe racional

E independente das horas

e dos locais

põem-se a maquinar

à luz, pupilas dilatadas

 

o tumulto lance-se para frente

e eles acompanham o frenesi

a corrida frenética

de fazer.

Se inabalavelmente desocupados

Perdem as horas na falta de sentido

Sempre servindo sua mente ao futuro

Ainda que nostalgicamente reconstituíndo o passado

De seus lábios

(De espessos a imperceptíveis)

rugem equívocos e inequívocos

Quase um susto a romper o silêncio

Feito luz a romper a sombra: há vida! ávida.

E luz e som sempre serão bambos sinais de vida

Eles são fuga, tangente:

Por vezes atrever-se

Às sombras e ao silêncio

E mergulhar e mergulhar-se

Sem saber se existir dói mais

Ou menos.

E no passo surdo

Montar tragédias

Rancor

Embevecer

Simultaneamente.

 

Matutar banalidades

Na falta de uma lista infindável de referências

Porque cada um em seu compasso

Sentirá algo inexplicável

E dará jeito de montar suas ocas ocas

Com confeitos de ilusão, críveis.

As crianças perdidas serão santificadas

Por não terem sido corrompidas pela dor

Que trava luta ofensiva

À raça que tão bem raciocina

Mas sempre queda-se

À três possíveis pedidos

De seu criado gênio da lâmpada.

Somos tristes órfãos

Que têm uns aos outros, apenas

Mas que não se reconhecem

Somos órfãos e por isso

Preservamos nossa história e nossos santos

Através de ouro e altares.

Pendidos às nossas criações

Somos órfãos preparando o próprio martírio

Lutando por topos

Servos órfãos paridos

Alimentados por uma velha senhora

Que mora em uma velha cabana

Olhando silenciosa do redor de sua fogueira

Aguardando nosso engorde

Para que enfim

Nos reincorpore a eterna solidão dela.

 

[Abrasa-se a liberdade

As crianças não serão mais santificadas]

 

A VELHA E A CABANA, pelo viés de Caren Rhoden

carenrhoden@revistaovies.com

Para ler mais poesias acesse nosso Acervo.

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  • Douglas L. da Silva

    Perfeito. Chorei!!!