THEO, O ELETRICISTA SOCIALISTA

Problemas na fiação. Chama-se um técnico. Ele vem e se apresenta com um sorriso no rosto. Mas por trás de seus gestos e apetrechos existe algo diferente, bem diferente. Uma camiseta amarela que chama a atenção de quem passa por ele. Uma camiseta com o desenho de uma arma que tem como bala uma flor […]

A+ A-

Problemas na fiação. Chama-se um técnico. Ele vem e se apresenta com um sorriso no rosto. Mas por trás de seus gestos e apetrechos existe algo diferente, bem diferente. Uma camiseta amarela que chama a atenção de quem passa por ele. Uma camiseta com o desenho de uma arma que tem como bala uma flor vermelha, e com um grande FORA SUELY VILELA no peito. Suely Vilela é reitora da Universidade de São Paulo, e ele, o eletricista, correligionário do maior movimento de oposição a ela. Ele é Theodoro Picaz, o Theo, um santa-mariense de 49 anos que dedica sua vida à tentativa de melhorar o Brasil.

Theo chega para ver o problema de iluminação no hall da casa. Logo dá seu veredicto e, com a mão esquerda, começa a escrever em uma folha de caderno o que tem de ser comprado. No dia seguinte Theo chega um pouco atrasado, estava no cartório, dando início ao processo de emancipação da filha Maria Helena, de 17 anos. “Ela quer vender um terreno nosso em Tramandaí, pra quê fazê-la esperar mais um ano?”. Ele vem com sua caixa de ferramentas, trancada por um pequeno cadeado, cuja chave está em um enorme molho que ele carrega na outra mão. Senta em uma cadeira próxima a uma enorme janela e, enquanto vê as pessoas passando, começa, em um silêncio tranqüilizante, a consertar a velha luminária do hall. Fica ali por quase uma hora. Entre olhares para a janela e trocas de ferramentas, algumas reclamações sobre o fabricante da luminária.

Theo tem a pele morena e as mãos calejadas por causa do trabalho que lhe fez rodar o Brasil. Usa seu cabelo, um pouco grisalho, dividido ao meio, e tem a barba por fazer. Traz consigo, além da caixa de ferramentas e do molho de chaves, um óculos pendurado no peito, que, de vez em quando, é usado para o trabalho mais miúdo. Veste All-Star branco e calça jeans. Já é noite quando o hall volta a ser iluminado, e Theo não tem mais tempo para conversar, tem que ir para sua casa, no Cerro Azul, em Santa Maria.

A casa de Theo está em perigo. A cada chuva mais forte, vem o alagamento: um córrego passa a menos de quatro metros de sua porta. Agora, ele mora sozinho. Suas filhas Andrea e Maria Helena se mudaram para um condomínio mais próximo do centro da cidade. Theo agradece que elas não tenham que passar por mais esse problema gerado por um salário que “não dá pra viver, dá pra sobreviver”. Theo não tem TV em casa. Passa um pouco de suas noites na sede de seu partido, o PSOL, para assistir aos telejornais. Também cozinha no pequeno fogão que há por lá. Depois deixa suas ferramentas e vai para casa, dormir. “Meus clientes estão todos por aqui, não tem por que eu levar a maleta pra casa”.

Theo é eletricista há pouco tempo, fez um curso em 2007. Sua real profissão é letreiro, ofício que aprendeu com “os velhos da fábrica da Pepsi, lá em Porto Alegre, os mais velhos”. Theo foi para a capital do estado com 12 anos, por causa de seu pai. Theótimo Picaz era um uruguaio nascido no Brasil por acaso. Rodou nosso país como artista do Circo Continental do Rio de Janeiro, e numa dessas andanças, parou em Tupanciretã (RS). Parou por causa de Donatila da Silva, que estava em uma das apresentações do circo. Nasceu Theodoro, e Theótimo passou a trabalhar no ramo dos restaurantes, e foi justamente esse trabalho que levou a família Picaz para Porto Alegre. Lá Theo, o filho, estudou até o Ensino Médio, o qual abandonou justamente para trabalhar como letreiro, para ajudar na renda familiar. Até que ele se mandou para o Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro? “Eu ficava indo e vindo entre Santa Maria e Porto Alegre, meus pais tinham voltado pra cá. Tinha uma tia lá, que morava em Copacabana, e resolvi me mudar. O que eu ganhava, dava pra ela, pra ajudar”. Na capital fluminense, Theo manteve seu ofício, trabalhava no bairro da Cinelândia, numa pequena empresa de um velhinho “que não deve estar mais lá”. Depois foi trabalhar na Praia de Ramos, onde pesava taras numa empresa de transporte. Theo então, sem mais nem menos, foi para São Paulo, fato que trata com a maior naturalidade. “É… Eu vinha sempre visitar meus pais aqui no Rio Grande do Sul, e São Paulo estava ali, no meio do caminho, fui parar lá meio que sem querer”. Ele ficou dois anos na maior cidade do Brasil. Morava no coração histórico da cidade, em uma pensão no bairro do Brás, e trabalhava como entregador de tapete. De manhã, saía com o caminhão do centro da cidade, e rodava toda aquela metrópole, chegando até as cidades satélites. Mas sua vontade era trabalhar como letreiro, e em São Paulo era muito mais difícil. Aquele jovem do interior do Rio Grande do Sul simplesmente não via como fazer publicidade por lá, onde não há espaço para nada. Em suas palavras e gestos percebe-se a imagem que tem de São Paulo, aquela cidade cheia de gente, cheia de tudo, que assusta quem vem de fora. Mas também se percebe certa saudade, daquele tempo de viagens e mudanças, do tempo de juventude. Theo voltou então para seu estado, e trabalhou mais dois anos pela grande Porto Alegre, do jeito que gostava.

Em 1984 Theo veio mais uma vez para Santa Maria, para um velório “é, de uma sociedade secreta, sou gnóstico”. Reencontrou uma colega de escola, Terezinha, apaixonou-se e se casou rapidamente. “Aí fui proibido de viajar, né. Tive que parar quieto, pela minha mulher”. Terezinha – “esse é o nome dela mesmo,Terezinha,  sem H” – já tinha uma filha de seu primeiro casamento, Andrea, hoje com 26 anos, e Theo a adotou com o maior gosto. Há dezessete anos nasceu a irmã de Andrea, Maria Helena, aquela que quer se emancipar. Terezinha também acabou levando Theo para a política: “lá por 98 eu me filiei ao PT, minha mulher era filiada, foi ela que me levou, mas minha carteirinha de filiado só chegou em 2000, pelo correio.” Como grande parte dos partidos de esquerda, o PT tem correntes internas, uma espécie de agrupamentos políticos, quase como mini-partidos. Theo iria entrar na corrente do então deputado Marcos Rolim, a Nova Esquerda, mas leu a tese da corrente de Luciana Genro, o Movimento Esquerda Socialista, e gostou mais.

Quando Theo fala em Luciana Genro seus olhos brilham. A cada frase ele deixa claro que estava “na corrente do MES, a corrente da Luciana Genro”. Percebe-se o orgulho de pertencer ao agrupamento da deputada: “eles sempre foram os mais coerentes. Entrei no MES oficialmente em 2000, e veio aquilo tudo, aquela vergonha, aquela corrupção, a decepção do governo Lula”. Theo não estava entre os expulsos do PT pelo “radicalismo” quanto à Reforma da Previdência, mas, como muitos, seguiu Heloísa Helena e Luciana Genro e decidiu pela desfiliação. Enquanto no grande cenário político se armava a construção de um novo partido, Theo estava em Santa Maria, tentando sobreviver.

“Fui convidado pelo (Cezar) Schirmer (atual prefeito de Santa Maria, do PMDB) e pelo (Tubias) Calil (atual vereador) parar pintar muros na campanha de 2004. Aceitei. Eles queriam minha militância, mas só aceitei se fosse algo profissional, sem política no meio”. Em 2005 o PSOL conseguiu seu registro eleitoral, o que alegrou a Theo: “eu queria ir pra Porto na mesma hora, descobri que tinham sede lá, queria ir me filiar, queria voltar para o MES (a corrente mudou de partido após as expulsões de seus líderes e é uma das maiores do PSOL atualmente)”. Mas ele não precisou enfrentar a estrada. Encontrou seu antigo companheiro Carlão na rua, e descobriu que o PSOL tinha sede até em Santa Maria. “Ficava lá na (rua) Floriano. Mas tava sempre fechada. Descobri que o Gil, que cuidava de lá, passava o dia inteiro na universidade. Então fui num sábado de tarde, e encontrei a sede aberta”. Theo voltou a militar. Recebia de Gilvandro, hoje assessor da vereadora Fernanda Melchionna em Porto Alegre, os documentos e textos “da corrente do MES, da Luciana Genro”.

No meio de toda essa euforia política, a decepção e a tristeza pessoal. Terezinha, de quem ele tinha se separado em 2003, falece. Em menos de um ano, Theo também perde sua mãe, e entra em depressão. “Eu estava muito mal, muito deprimido, tomava muitos remédios”. Sua filha mais velha, Andrea, mãe de dois filhos, se separa e volta a morar com ele e com Maria Helena. “Eu estava atordoado, preocupado, minha filha tinha 15 anos e tinha perdido a mãe. A Andrea ajudou muito nisso”. Theo tinha que se apegar em algo para superar tudo isso. No meio de tantos problemas seus para se preocupar, tentava se preocupar com o dos outros, militava por um Brasil melhor. “E isso me levantou, pouco a pouco. Eu queria mostrar pra esse povo que o socialismo não é esse bicho papão que dizem, que nós somos muito incompreendidos”.

Theo se emociona com a construção do partido na cidade, e lembra-se de quase todas as datas importantes “15 de dezembro de 2007 foi a fundação do Diretório Municipal, lá no Prédio de Apoio (da UFSM)”. Cita quem participou de cada reunião, os locais, e se mostra envergonhado quando se esquece de algo. “Não consigo lembrar o nome da mulher do Etevaldo… Mas isso tu procura pra colocar direitinho. E as datas da minha vida, aí é muito difícil lembrar tudo, meu pai teria que estar aqui, tudo passou por ele”. Seu Theótimo faleceu em 1996.

Theo lembra com muito orgulho do ano de 2008. “Foi uma grande vitória a campanha da Sandra (Feltrin, à prefeitura). Fizemos 10 mil votos. Ninguém tinha muita certeza de como fazer campanha, todo mundo era inexperiente.”. Mas o ano também marca a saída de Theo do MES. “Não sei como, o poder subiu à cabeça deles lá em Porto. Fizeram aliança com o PV. O PV é um câncer que está se alastrando no partido! Tentaram contato com a gente aqui, mas nem conversamos. Eu disse pro Gil que se o PV entrasse na campanha, eu saía. E digo o mesmo sobre a Marina Silva ano que vem”.  Abalado com mais uma notícia, a de que Luciana Genro tinha recebido dinheiro de multinacionais (Gerdau, Marcopolo…) para a campanha à prefeitura de Porto Alegre, Theo deixou o MES. “O pior é que a gente ia nas reuniões em Porto e ninguém avisava nada, ficamos sabendo pela imprensa mesmo”.

Sentado na sede do partido que ajudou a construir, em meio a bandeiras e pinturas que ele mesmo fez, Theo sorri. Deixa escapar que conheceu o amor de sua vida logo que se separou de sua esposa, mas que não estão juntos, agora, “ainda”. O letreiro e eletricista de poucas palavras desvia o olhar e o assunto. Olha para as fotos na parede, e vê Che Guevara, Allende, Lênin. Pensa em um Brasil melhor, onde todos vivam e não apenas sobrevivam. Tem consciência de que é por isso que milita. Theo se despede, tem um cliente a visitar. A porta da sede é fechada. Agora, aquele FORA SUELY VILELA, escrito na camiseta amarela do eletricista, passa a fazer mais sentido. E se entende quem é ele. É um brasileiro pobre, de vida difícil, mas que ainda acredita em um futuro melhor para todos. É Theo.

THEO, O ELETRICISTA SOCIALISTA, pelo viés de Mathias Rodrigues

mathiasrodrigues@revistaovies.com

Para ler outras reportagens, acesse nosso Acervo.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this pageEmail this to someone
  • Sabrina Kluwe

    Nossa! A história de vida do Theo é linda!!! E de fato, muito bem escrita, parabéns Mathias!

  • Henrique Cignachi

    Pei Mathias, muito lindo, fiquei emocionado com a vivacidade do texto, ainda mais conhecendo a personalidade que o theo tem…mto fidedigno…parabéns!

  • Demétrio Cherobini

    História muito interessante e texto muito bem escrito. É bom deixar registrados esses relatos da experiência dos trabalhadores, sua luta, seus anseios e aspirações, pois tudo isso servirá, certamente, para inspirar a luta de muitos outros trabalhadores que se encontram em posição semelhante.

    Um abraço paro o Theo e o Mathias.

  • Roberta Smiderle

    Parabéns Mathias conseguiste expressar uma vida em poucas palavras… belíssimo texto! Realmente emocionante!

  • Rondon de Castro

    Construistes muito bem a trajetória do sujeito, Mathias. Gosto muito dessas histórias de vida, que nos levam adiante ou nos estimulam a lutar por algo. Foi gratificante e (depois, me passa o contato dele que preciso dos serviços – elétricos – dele)me leva a questionamentos jornalísticos: já que falas que ele é socialista, o que ele f(e)az que o coloca nesse patamar? O fato dele ser filiado ao Psol? Certamente, existem alguns socialistas, MAS também temos as Sandras Feltrins da vida, bem longe dos ideais marxistas (aliás, totalmente contrárias). Ele militou? Aonde? No movimento social, sindical etc…ou só dentro do partido (ou do MES, blargh!). Afinal, ele é socialista por quê? Poderia ter alguma declaração e não apenas olhares para cartazes do Che, Allende (bem coerente com o Psol, já que este se aliou com o próprio carrasco, Pinochet, em uma frente…) e o velho Lênin.
    Sem ser chato, mas sendo (que é meu papel, afinal das contas, já que priorizastes o “gancho” da matéria com o fato dele ser socialista (está no título e o leitor procura essa ligação nos primeiros parágrafos do texto), deverias ressaltar essa faceta do entrevistado (e/ou objeto da reportagem), dando umas dicas sobre isso, mesmo que mesclando com outras informações. Outra coisa é a questão da camiseta e do “Fora Suely Villela”, que não ficou clara a ligação dele com o caso. Aliás, creio que o caso da USP não é tão conhecido pelo público para ficar no ar, exigindo o conhecimento anterior do leitor.

  • Rondon de Castro

    Ah!, as fotos! Gostei da imagem dos detalhes, mas elogioso é a colocação de fotos de acordo com a situação. Ficou agradável e explicativo.

  • Henrique Cignachi

    Professor Rondon, péssimo questionamento…agora vamos criar um tribunal superior marxista para julgar os socialistas verdadeiros dos falsos…isso é perfeito…

  • Rondon de Castro

    Caro Henrique, existem verdadeiros ou falsos socialistas? Existem socialistas e outros. Só isso. A discussão dele ser socialista é que foi levantada essa questão a partir do título da reportagem. Assim sendo, o leitor tem o direito de saber essa informação sim. Não se trata de um tribunal (já que quem é socialista, deve ter obrigatoriamente contato com escritos marxistas. Caso contrário, é mero “tarefeiro”), mas da obrigação do jornalista esclarecer todos os pontos que são levantados pelo texto. Se não, ele é socialista por que é socialista? Não, ele é socialista por que essa informação tem uma origem, causas e conseqüências. Ademais, se ele é socialista a ponto de ser uma informação relevante para o texto, tal coisa deve ser explorada pelo jornalista. Além disso, um socialista não precisa de carteirinha, mas pressupõe uma série de conhecimentos e acesso a informações que são dados através da militância, estudo etc. Não esqueçamos: ser socialista, seja qual seja o viés, significa a mudança radical nas relações econômicas, sociais e políticas. Ao se investir dessa missão, o cidadão assume um embate contra o capital. É diferente ao dizer que o sujeito é pagodeiro, ou colorado, por que nesses casos significa (simplesmente) gostar de um tipo de ritmo musical ou torcer para o Internacional. Mas dizer que é socialista, não é simplesmente ser contra isso ou aquilo: significa saber para onde se quer levar a sociedade. Além disso, estamos acostumados a pensar a esquerda como oposição, e não é! Ela é adversária do status quo capitalista (nesses tempos em que pessoas ditas de esquerda administram o capitalismo, pode parecer que é tudo igual). E tem propostas para a mudança.

    O “péssimo” questionamento nada mais é que a preocupação jornalística de esclarecer o leitor. Repare, Henrique, que mesmo tendo sido dada como uma informação relevante (“ele é socialista”) constante no título e insinuações no texto, nada é escrito para definir isso. Logo, nesse texto, fica somente a afirmação: ele é por que é. Nada jornalístico por que deixa no ar essa informação.
    Além do mais, o dado “ser socialista” nos leva a pensar no que esse cara faz… e nada disso é repassado.
    Agora, pessoalmente, eu fico realmente pensando na superficialidade de aceitar uma declaração dessa sem questionamento. Afinal, Henrique, quantos sujeitos que conhecemos que compram uma camiseta (com o Che, Marx e outros símbolos socialistas) e assumem levianamente o “ser” socialista? Mesmo não tendo a mínima idéia do que seja.
    Minha crítica ao texto não é sobre a pessoa em si, podes perceber. Ele bem que pode ser socialista (ou não), mas já que esse dado me é passado como relevante jornalisticamente, ele deve ser explorado (o título, saiba, é o chamariz da matéria. Caso o leitor não encontre a informação do título que o atraiu para a leitura do texto, ele perde o interesse e o abandona. Alguns dizem até que a informação do título deve ser confirmada no primeiro parágrafo.
    É isso.

  • http://floreias.blogspot.com Camila

    encontrei este sítio por acaso… muito bom. gostei da narrativa.

  • Henrique Cignachi

    Agredeço os comentários, explanativos. Certamente, pelo viés jornalista, vão acrescentar muito à experiência de nosso jovem, mas brilhante, jornalista. Todavia, induzem a uma leitura bem diferente do teu questionamento inicial. Este parecia mais ter sido uma crítica ao PSOL, inclusive a pessoas físicas, como a Sandra Feltrin, que julgas longe de ser marxista, sem contudo, explicar ou evidenciar o que significa ou pq ela não é, com evidencias concretas. Gostar de uma pessoa, isso é outra história, e sei que a Sandra garante inimizades por sua personalidade forte, mas isso não é critério para debater nada.

    Bem, mas levando em conta tuas explanações, posso dizer com certeza, até por ter maior experiência e militância com ambos, que são socialistas. Certamente não leram Marx de cabo a rabo, mas leram Marxistas e conhecem um pouco da história de lutas – o último livro que emprestei para o Teo foi de Engels, a origem da propriedade privada e da família -, e são convictos defensores de uma sociedade fundamentada na socialização dos meios de produçao da vida humana. Ou seja, por estes dois critérios, diríamos, que você nos deu, digo que são socialistas. Acrescentaria outros, da prática cotidiana, militante, muito importante. Mas quem conhece o PSOL e a militância de Santa Maria, pode garantir a participação quase sempre presente, apesar das dificuldades, dos camaradas citados, apesar de não vermos tanto assim outros que falam bonito mas agem pouco.