“DEIXA O PRETO ESTUDAR”

Foi o que gritou Nei D’Ogum ao ver passar a marcha do Exército Anti-Cotas de Santa Maria.

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O denominado "Exército Anti-cotas" percorreu ruas e avenidas centrais da cidade. Aos gritos de "cotas para quem estuda", o movimento pedia a redução ou a anulação do projeto que destina 50% das vagas em universidades federais para quem cursou o ensino médio integralmente em escolas públicas. Metade dessas vagas será destinada a estudantes cuja renda familiar é igual ou inferior a 1,5 salário mínimo por pessoa. Foto: Liana Coll

O EXÉRCITO ANTICOTAS DE SANTA MARIA

A ascensão das mídias digitais nos últimos anos permite que, a partir de diversos compartilhamentos, um grupo de pessoas se identifique com uma “causa” e busque – com o contato virtual – uma organização disposta a lutar por aquilo que defende. Foi assim que, logo após a aprovação no Senado de 50% das vagas em universidades federais para cotas raciais e sociais, no dia 7 de agosto, estudantes de todo o Brasil formaram o grupo do Facebook “Contra os 50% das COTAS”.

A maioria das pessoas que ingressaram no grupo são jovens que estudam em escolas particulares e cursinhos pré-vestibulares pagos, com representantes do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Bahia. Além de compartilharem indignações e argumentos contrários à lei aprovada, os participantes do grupo estimulam a organização de manifestações nas cidades, exigindo o veto da presidenta Dilma ao projeto de lei já sancionado pelo Senado.

O ato ocorrido em Santa Maria impulsionou a mobilização em demais cidades brasileiras, como no Rio de Janeiro, que já tem o dia 26 de agosto confirmado para a realização do protesto anticotas.

 “As cotas geram ainda mais preconceitos, queremos direitos iguais!”, gritavam os estudantes. O argumento, que parecia superado, volta em uma das discussões mais polêmicas da atualidade. Ora, se a política de ações afirmativas aumentasse, de fato, a discriminação racial, o movimento negro reivindicaria essa causa? É apenas mais uma contradição que se espelha entre aqueles estudantes que, antes mesmo de dialogarem com a população negra da cidade, foram apontando ofensas e comentários de tom racista pelas ruas de Santa Maria.

Jogar a culpa na democracia brasileira parecia a melhor escapatória ao Exército Anti-Cotas, como se autodenominavam os jovens que participaram da manifestação, já que a aprovação da lei foi uma decisão “unilateral”. Mais uma vez, entretanto, os jovens da classe média e média alta se esqueceram de ir além da famosa frase “todos somos iguais perante a lei”.

Esse argumento pode ser refutado pela própria votação do Supremo Tribunal Federal na ação movida pelo Partido Democratas contra o sistema de cotas raciais adotado pela Universidade de Brasília, decisão essa que impulsionou a votação do Projeto de Lei da Câmara 180/2008, que definiu agora esse novo sistema de cotas. A defesa dos DEM alegava que o sistema criaria um Estado racionalizado, em que surgiriam identidades paralelas, o que afetaria a formação de uma “identidade nacional”.

O STF, no entanto, votou por unanimidade pela manutenção do sistema de cotas da UnB., julgando-a constitucional. Todos os ministros fizeram falas ressaltando a necessidade de ações afirmativas para a eliminação das desigualdades raciais no Brasil, o que, segundo o próprio Ministro Marco Aurélio, ainda está muito longe de ocorrer na nossa realidade. Por sua vez, o Ministro Gilmar Mendes afirmou que o baixo número de negros ocupando as cadeiras das universidades deve-se ao modelo de desenvolvimento escravocrata adotado no nosso país, à péssima qualidade do ensino público brasileiro e também à dificuldade, quase que comparável à de uma loteria, do acesso por meio do vestibular.

Ao referendar uma Constituição Federal que prevê os direitos à educação, saúde e moradia, percebe-se, novamente, o quão contraditório é o movimento impulsionado por pessoas que pagam para ter acesso aos “direitos constitucionais”. Esses são os reflexos de uma das gerações mais balizadas pelo individualismo e pela meritocracia.

Após a marcha - a qual predizia querer o debate com a sociedade - grupos, coletivos e movimentos sociais favoráveis às cotas iniciaram um debate em praça pública sobre o tema. Na imagem, a cientista social Suelen Aires Gonçalves fala sobre o projeto e os porquês da associação de movimentos negros ao projeto de lei. Foto: Liana Coll

O DEBATE

Após o protesto, ocorreu uma roda de debate na Praça Saldanha Marinho, puxado por jovens a favor das cotas, para discutir com aqueles que impulsionaram o movimento.  Deu-se o diálogo que o Exército Anti-cotas tanto reivindicava. “O movimento defende que decisões desse âmbito não fiquem a cargo dos congressistas, mas que sejam passadas ao povo, em referendo, onde poderemos todos analisar as propostas e discutir civilizadamente. Por que o protesto? Porque o povo está de fora”, disse Mateus Albuquerque, um dos organizadores da marcha.

A conversa foi um episódio democrático dentro de toda a polêmica que o assunto instiga. Muitos negros e negras ali presentes faziam parte do Coletivo de Estudantes Afro da UFSM (AFRONTA) – grupo auto-organizado que estuda e promove ações acerca de pautas do movimento negro nacional e local.

Ao ver e ouvir os manifestantes erguendo cartazes aos gritos de ordem contrários às cotas, Nei D’Ogum, membro do movimento negro da cidade, indignou-se: “Isso é um disparate, é uma vergonha vermos jovens querendo proibir esse sistema que só agora deu a opção de nós, negros e moradores dos bairros periféricos, entrarmos numa universidade”.

Ao pedir a fala, após várias histórias de vida de estudantes brancos contrários às cotas, os quais articulavam sobre as dificuldades enfrentadas para estudar, Nei sentenciou: “Meus pais, meus avós, meus bisavós foram arrancados do continente de origem, do continente africano, foram trazidos à força para o Brasil e construíram esse país 350 anos sem direito à hora extra, sem direito à carteira de trabalho, sem direito à insalubridade, sem direito a uma vida digna. 350 anos depois, quando os países não negros, quando a Inglaterra, quando a França, quando toda a Europa resolve que não é mais interessante o tráfico negreiro, suspende isso e liberta os negros escravizados e coloca-os onde eu estou atualmente, na favela de Salvador, do Rio Grande do Sul, em todo o Brasil. Os negros só estão em um espaço, que são as favelas, os subempregos. Existe um extermínio da juventude negra no Brasil e nada disso é apontado. Quando o movimento social negro organizado em todo o Brasil aponta que os negros não estão nos bancos escolares fundamental, médio e no nível superior, o movimento organizado nacional está exigindo reparações”.

O Exército anti-cotas gritava por igualdade e dignidade. Os jovens que caminhavam pelo centro da cidade, porém, não sabiam responder por que havia apenas uma estudante negra no meio de suas reivindicações. No dia 15 de agosto de 2012, antes de a passeata ganhar as ruas, foi necessário dizer ao microfone: “Pessoal, sem frases racistas, por favor”.

Quando questionado sobre a exclusão do sistema de cotas frente a um plano de melhorias na educação que demoraria anos para ser concretizado, Mateus Albuquerque, um dos organizadores da passeata afirmou: “A questão é que os cidadãos brasileiros, nascidos e registrados aqui, merecem ter os mesmos direitos. E se o direito de estudar com grande qualidade não é dado a todos, tu não pode descontar no aluno que tem boa condição de estudo. Isso não é culpa nossa, todo movimento reconhece que o aluno de escola privada é mais favorecido a passar no vestibular, mas também aponta a gravidade de descontar esse favorecimento em nós mesmos. Isso deveria ser uma medida governamental, o aluno de escola pública que entra pelas cotas no futuro será um pai de família bem influenciado, mas o problema é que não podemos apostar no futuro descontando no presente. Não podemos fazer o presente sofrer para ter um futuro mais próspero.“

O movimento negro também impulsionou a luta a favor das cotas porque sofre, diariamente, discriminação racial em muitos lugares que frequenta. Sabe-se que a realidade da educação brasileira não está boa, contudo dificultar o acesso de um grupo historicamente desfavorecido ao espaço público das universidades não é a solução.

“Nós não queremos esperar mais 350 anos. A universidade tem problemas educacionais? Tem. Faltam professores? Faltam. Falta qualificação? Falta. Mas nós também queremos estar lá”, disse Nei em meio aos mais de cem presentes.

Assistindo a passeata e o debate desde o início, a senhora Joana Ribas opina: "Se querem igualdade, que saiam do cursinho". Foto: Liana Coll

O NOVO SISTEMA DE COTAS

A defesa da lei aprovada pelo Senado ressalta, principalmente, a diminuição da desigualdade e injustiça social presentes na sexta maior potência econômica do mundo.

Depois de 13 anos parado, o Projeto de Lei da Câmara 180/2008, que trata de um novo sistema de cotas para Instituições de Ensino Federais, foi aprovado no Senado e segue agora para a sanção da presidenta Dilma Rousseff.

O PLC 180/2008 – apresentado em 1999, pela deputada federal Nice Lobão (atualmente do PSD/MA) – estipula que 50% das vagas para ingresso nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) sejam destinadas a alunos que tenham realizado todo o ensino médio em escolas públicas, assim como 50% das vagas para instituições federais de ensino técnico de nível médio sejam ocupadas por estudantes que tenham cursado integralmente o ensino básico na rede pública.

Metade dessas vagas seria ocupada por estudantes vindos de famílias com renda per capita de até 1,5 salário mínimo (R$ 933,00) e a outra metade seria destinada às cotas raciais. As cotas raciais, por sua vez, seriam divididas entre pretos, pardos e indígenas, respeitando a proporção de cada uma dessas etnias dentro de cada estado, segundo os dados do IBGE. No caso da não ocupação das vagas destinadas às cotas raciais, as vagas remanescentes seriam destinadas ao critério geral, ou seja, ser oriundo da rede pública de ensino.

Um ponto polêmico do projeto é o que pede que a seleção dos estudantes para as IFES não se dê mais através de exames, como o vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), mas sim pelo Coeficiente de Rendimento (CR) do aluno. O índice, a ser implantado pelo Ministério da Educação em todos os currículos comuns, é calculado através da média das notas ou menções do aluno durante todo o Ensino Médio. O MEC, porém, deve pedir à presidenta Dilma que vete esse artigo e que o critério de seleção continue sendo o ENEM.

Se aprovado pela presidenta, as universidades deverão ter quatro anos para adaptarem-se ao novo sistema de cotas, sendo obrigadas a implantarem no mínimo 25% dessa reserva de vagas por ano. Além disso, a lei valerá por apenas 10 anos após ser sancionada, tempo certamente insuficiente para acabar com a desigualdade racial no país. Após o término desse prazo, a situação deve ser reestudada e não se sabe ao certo que rumos a lei deve tomar.

O novo sistema de cotas será um avanço na luta pela igualdade social e racial. Dados apresentados pela Folha de São Paulo mostram que apenas 32 das 59 Instituições Federais de Ensino Superior adotam atualmente o sistema de reserva de vagas. Das 244.263 vagas ofertadas em IFES hoje em dia, 52.190 são destinadas para cotistas. Se a nova lei fosse implementada agora, esse número subiria para 122.131 vagas reservadas, ou seja, um aumento de mais de 134%.

Outro dado expressivo refere-se à porcentagem de alunos vindos de escolas públicas de ensino médio dentro das universidades federais. Embora 85% do total de estudantes brasileiros matriculados no ensino médio estude na rede pública e apenas 15% na rede privada, essa lógica praticamente inverte-se no nível superior. Nas universidades federais, apenas 25% dos alunos são egressos do ensino público, contra 75% de alunos vindos de escolas particulares, segundo dados do Censo Escolar realizado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC).

Porém mesmo sendo um grande passo rumo a uma sociedade mais igualitária, a PLC 180/2008 ainda traz consigo algumas limitações, que também podem ser apresentadas em números. Embora represente um aumento considerável de ingresso de pretos, pardos e indígenas nas universidades, os 25% de vagas reservadas a eles ainda não é condizente com o tamanho dessa população: 51,1% da população brasileira (sendo 50,7% de negros, aqui considerados pretos e pardos, e 0,4% de indígenas).

Outro ponto bastante frágil do projeto diz respeito à falta de qualquer artigo que defina políticas para manutenção dos cotistas dentro das universidades. Sendo que todos virão do ensino público e pelo menos metade deles terão renda inferior a 1,5 salário mínimo, como garantir que esses estudantes terão condições de se manter? Será que as políticas de assistência estudantil de cada universidade darão conta de impedir uma grande evasão?

Entre histórias próprias de vida, alunos de cursinhos pré-vestibular da cidade reivindicam: "Minha família também rala para me manter no cursinho. Eu não tenho a culpa - nem devo pagar - pelo cotista que não consegue ter uma boa educação". Foto: Liana Coll

DO PASSADO SE EXPLICA O PRESENTE

Desde o início da colonização portuguesa no Brasil, mais precisamente desde 1550, os negros africanos encontraram nas terras para onde foram trazidos uma estrutura produtivista instituída, onde o lugar do viajante dos navios negreiros estava resguardado à mão-de-obra árdua – escravagista – de dominação étnica.

O negro, comprado e vendido pelos senhores da casa grande, açoitados quando não correspondiam aos interesses dos brancos, eram dominados não somente pela força dos grilhões ou pela coerção sob a chibata, mas também pelo sistema consolidado no qual nenhum escravo ou nenhum cidadão periférico pobre teria condições de sobreviver e fazer-se socioeconomicamente estável sob a força de quem os explorava.

A partir do século XIX, a escravidão começa a ser contestada no Brasil. Os motivos basicamente não se fundamentavam em perceber a exploração do homem sobre o homem como um ato desumano, mas sim por ser uma vergonha para qualquer sociedade civilizada da época. O processo iniciado em 1888, com a abolição do regime de escravidão, apenas formalizou uma liberdade que demoraria muito tempo para existir. O processo ainda continua. O regime escravocrata brasileiro, que teve como peculiaridade aspectos do regime maometano, combinou certa proximidade com um violento abismo no que tange à igualdade. Ao mesmo tempo em que estavam próximos das famílias donas de terras, dentro das casas servindo aos patrões e até sendo usados como objetos sexuais às escuras, os escravos estavam muito longe no patamar social. A relação entre patrões e escravos aliava essa proximidade a uma violência psíquica e física, num jogo em que, se o escravo não incorporava os desejos dos patrões como se fossem seus, recebia castigos e outras violências.

Ainda, a mesma elite que abandonou convenientemente por uma alforria incompleta os negros, depois de consumidos, depois de chacinados, lavou as mãos denominando-nos livres. Até os dias atuais, a mão do pai lava a mão do filho. “Libertamos os escravos, eles que agora lutem pela igualdade”, diz a hegemonia branca do passado e do presente, mesmo que o ponto de partida seja incontestavelmente diferente.

A desigualdade brasileira existe há mais de 500 anos, e nela, os injustiçados foram sempre os negros, os descendentes destes, os marginalizados do caráter social vigente. Tem força quem tem dinheiro. Na ocidentalização do capitalismo que vigorava na Europa, o Brasil criou até mesmo leis que evidenciavam o caráter excludente. A Lei de Terras, lei nº 601 de 18 de setembro de 1850, portanto 38 anos antes da Lei Áurea, que extinguia a escravidão no Brasil, regulamentava a estrutura fundiária, asseverando o formato econômico de como a terra deveria ser utilizada: estabelecia a compra como a única forma de acesso à terra. Os negros, como já afirmado, adentravam a urbanização brasileira e ao sistema capital depois de mais de três séculos de trabalho compulsório, retirados de seu continente de origem, desfalcados pela servidão aguda, pelas vendas – literalmente – de irmãos, pais, mães, filhos. O produto negro representava aproveitamentos e interesses únicos e exclusivamente econômicos.

Jessé Souza, no livro “A construção social da subcidadania”, analisa a naturalização da desigualdade brasileira, que pode, por exemplo, ser observado nas formulações de muitos jovens que estavam protestando naquela tarde. O escravo nunca teve margem para pensar no que seria bom para ele, no que de fato ele queria, uma vez que o seu trabalho e a sua vida devia estar combinada às vontades e aos interesses do senhor de terras.

Sem dinheiro, sem bens econômicos, negros e mestiços filhos das gerações híbridas que criariam o Brasil do futuro, chegaram para morar e estabelecer a vida numa urbanização edificada pelos brancos. Sobrou-lhes a periferia, os locais afastados, os morros. Atualmente, o país onde mais de 50% de sua população auto afirma-se descendente daqueles que colaboraram, em escala gigantesca, no acúmulo da riqueza nacional – ainda que esta tenha sido revertida sempre aos cofres dos mesmos senhores – necessita de cotas sociais para tentar democratizar a universidade pública, por exemplo. A superficialidade se contenta em denominar revanchismo, vingança, enquanto o sistema de cotas sólido busca, na verdade, uma forma de reestruturação social.

As negras e os negros trataram de mostrar bem a realidade para todos que quisessem ouvir o debate na praça pública. Ser perseguido por causa de uma cor não é uma questão de “sangue afro-descendente”, e sim uma questão fenotípica de “que cor temos na pele” e o que isso representa a partir da história de uma população e da sociedade ocidental em que vivemos. A exploração da mão de obra negra e indigente existiu e ainda existe, quando vemos o patrão de uma empresa apontar o dedo para a funcionária negra que limpa o chão onde se pisa.

Muitas situações parecem distantes da realidade que vemos no caminho.  A política de ações afirmativas existe para tentar incluir mais pessoas em uma realidade que hoje é exclusiva para a população branca com boas condições financeiras.  O ensino superior público deve ter acesso universal, que incentive jovens de qualquer etnia a ter acesso à educação. Os problemas educacionais brasileiros são muitos, mas a partir de leis como essa o Brasil poderá lembrar seu passado, sem que manchas dessa história prejudiquem seu futuro. ”Se o racismo está na organização social, a questão passa a ser do Estado”, diz o historiador Joel Rufino Santos, em recente matéria para a revista Caros Amigos. Ou seja, os aproximados 400 anos de uma pirâmide formada majoritariamente por brancos em cima e negros embaixo torna-se um problema a ser vencido pelo Estado. “Racismo é fenômeno social”, diz ele, e as cotas são nada mais do que uma medida para intervir nessa ferida brasileira. 

Nei D'Ogum, com sua tatuagem "Todo poder para o povo preto", falou aos manifestantes no debate: "Vocês contam histórias de família para defender a sequência do que existe. Eu falo sobre mais de 350 anos de negros vendidos, massacrados, enviados depois para a periferia." Foto: Liana Coll

 

 

“DEIXA O PRETO ESTUDAR”, pelo viés de Bibiano Girard, Felipe Severo, Liana Coll e Marina Martinuzzi

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  • Marcos

    Excelente!

  • Angelita F. Rezende

    È triste, os políticos Brasileiros querendo corrigir um erro com o outro.
    Essa cota de 50% não vai melhorar a qualidade do ensino de milhares de crianças negras que então entrando hoje nas escolas com 6 anos. Para esconder uma grande falha na educação, cria-se um lei. Em quanto, isso nas escolas públicas falta de tudo, professores são judiados com salários e condições de trabalho. Não melhorou nada, só criou uma falsa esperança para os novos universitário , que por sua vez já votam, o governo precisa manter o poder. Se crianças votassem, ai sim as escolas de ensino fundamental seriam vista com mais atenção. Essa lei é eleitoreira!!!! Isso é manipulação!!
    Sou mãe de estudante de cursinho caro? Sou!! Mas pago imposto de renda na fonte, sustento esses políticos que recebem uma fortuna, para não fazer nada! Minha filha merece, no mínimo, o direito de igualdade de concorrência. Não sou culpada se o governo não oferece para todos uma educação compatível com a que eu pago para meus filhos com o suor do meu trabalho. Que o governo use o imposto que pago para bancar a educação dos seus futuros eleitores.

  • Daniel Isaia

    Parabéns pelo texto e pela melhor cobertura realizada dessa marcha – que, apesar de absurda na minha opinião, serviu para trazer o tema para um debate mais profundo e abrangente.

  • http://queerandpolitics.wordpress.com/ Luiz Henrique Coletto

    Parabéns pelo ótimo texto, pessoal. Foram abordados vários pontos importantes. Abraços.

  • Rodin Altieri Lenine

    Todos tolos. O governo repassa em forma de inclusão social, a despreocupação que é secular com o ensino básico e médio. Escancara as portas do ensino superior a uma massa de analfabetos funcionais e/ou medianos. Faz números grandiosos e fundamenta tudo numa questão (que tomam por guerra étnica) da cor da pele.
    Os tolos e intele’qui’tuais não percebem. Estão embebidos deste ‘preconceito positivo’.
    Soma-se o senso comum de que todo estudante de cursinho é rico, magnata.

  • Julia do Carmo

    Texto maravilhoso! E olhando a primeira imagem não pude deixar de perceber no canto direito que aquele nosso conhecido cão que sempre nos acompanha nos protestos do ME está mostrando a língua pra esse vergonhoso “protesto”..hehehe.

  • Vilnes Gonçalves Flores Junior

    Obrigado pela excelente Matéria e por esta Revista se posicionar e ser ALIADA de NEGR@S que historicamente tem sidos discriminados neste País que constroem desde sempre. Abraços a todos e um forte AXÈ !!!

  • MÁRCIA SEVERINO DE OLIVEIRA

    QUE IGUALDADE É ESTA QUE QUEREM – SENDO ESTES SUA MAIORIA BRANCO-BRASILEIRO E DE CLASSE MEDIA ALTA ???? “””NESTE , MOMENTO VEMOS ONDE GUARDAMOS O RACISMO !””” ( QUEBRANDO A CULTURA DO MEDO BRASIL – DIGA , SIM ÀS COTAS AOS NEGROS, INDÍGENAS E BRANCOS SENDO TODOS ESTES POBRES OU MAIS DE “DEZ ANOS NAS ESCOLAS DO GOVERNO ” – DIREITO À UNIVERSIDADE… SIM ! )

  • rafael rangel winch

    Ótima matéria!

    Acredito as pessoas que contestam a política de cotas, não possuem consciência da realidade social brasileira. É lamentável evidenciarmos que há jovens com uma mentalidade tão individualista e limitada.

    E logicamente, o racismo está sim embutido nesses protestos anti-cotas!

  • Pingback: O Exército Anti-Cotas e as vagas no ensino superior brasileiro | Hum Historiador()

  • Bruna Luiza

    Só consigo ver contradições nesse texto, sinto muito

    • NARESCA

      Excelente , principalmente pela contextualizacão histórica do texto, o que marca o viés ideológico da matéria , lógico que depende da visão do leitor…..os míopes terão suas contradicões…..

  • Tassi

    Todos tem direito a se manifestar, sendo contra ou a favor, sobre qualquer tema relevante para a sociedade. Como alguém falou acima, algumas partes do texto são contraditórias, querendo justificar atos do passado [escravidão] com o presente [pra mim, as cotas são tão discriminatórias quanto o tempo da escravidão]! Gente… reclamar, protestar pela ponta do iceberg… é complicado! O fim da fila [entrar na universidade] é mais importante do que todo o descaso que existe com a educação no país?? Falta escolas públicas de qualidade [de nível fundamental e médio], faltam escolas técnicas, faltam principalmente professores motivados e interessados, com salários dignos para realizarem o trabalho fundamental que exercem em nossas vidas!!!!!! Porque não reivindicar por isso?? A base de tudo! O fim vai justificar os meios?!?! Se os meios continuarem do jeito que estão… não duvido muito que vá melhorar, somente gerar mais discriminação com os cotistas, que, não por serem negros ou pardos ou indios, mas sim, por que não tiveram acesso a uma escola de qualidade, que lhes garantisse o direito por mérito, por esforço próprio, de passar em um vestibular em qualquer universidade que fosse! Todo mundo precisa estudar, e estudar muito pra passar num vestibular… uma cota vai fazer eu estudar?? OU se me garantirem um escola com toda a estrutura que um estudante precisa, com professores motivados, com uma educação de qualidade!, eu não estarei apto a estudar e garantir minha vaga na universidade, assim como qualquer outra pessoa, independente de cor, raça, credo, cultura?!?!?… Sinceramente, não entendo!

  • osmar gatinha

    Pode ter certeza que os 50% que entrarem por cotas se esforçaram muito mais do que os outros que simplesmente estudaram a vida toda em colégio particular, com ótimos professores e material. Digo isso porque eu estudei em colégio particular, mas convivi a vida toda ao lado de gente que estudou em colégio público, e mesmo tendo interesse em aprender, nao conseguia porque muitos professores faltavam ao trabalho, ou nao davam a materia direito, além do material ser bem precário também.

  • Leonardo

    Texto unilaterial que esquece que muitos dos alunos de cursinho e escolas pagas penam anos e diariamente pra obterem educação boa paga com o salário de pais trabalhadores. E além de tudo, acha lindo ter uma política de cotas que mete alunos (que não possuem culpa pela educação pública ruim, é verdade) desqualificados à força numa porcentagem de 50% na faculdade!!!!! Eu só tenho uma pergunta: queria é saber o motivo dos defensores das cotas não lutarem por um ensino médio e fundamental de boa qualidade tanto quanto lutam avidamente em favor das cotas? Afinal, poderiam cobrar além da permanência das cotas, a implementação de ensino público bom na mesma intensidade com que berram por essa “política de inclusão” para num futuro bem próximo não mais precisarem dela. Mas sabem o motivo de não fazerem isso? Porque é muito bom ter um benefício desses na mão, e por outro lado, os políticos e reitores de faculdade são outros espertos que nunca vão acabar com as cotas, pois sabem que perderiam dezenas de milhões de votos desta população beneficiada que acha que isso é igualdade.

  • Francis L.

    Artiguinho panfletário esse, hein.

    Eu estava nessa passeata! Lá numa determinada altura quase no final da passeata um grupelho de 4-5 PTistas ativistas do movimento negro começara a gritar “Racista! Racista! Racista!” numa atitude provocatória para os jovens que faziam essa passeata.

    Olha que curioso. Adultos, filiados a um partido político (PT) e a um movimento (que eu considero muito racista) e com curso superior começaram a provocar e a tentar intimidar jovens de 15-18 anos. Eu vi isso, ninguém me contou! Não deu nada porque eram jovens com um sentimento bem legal. Se fosse uma passeata de adultos muito provavelmente os provocadores teriam sido agredidos (e na real, eles nem teriam coragem de fazer esse tipo de provocação barata).

    Esse senhor que gritou ‘deixa o preto estudar!’ tem lá os seus 40-50 anos, é PTista, ativista do movimento negro e ativista do movimento lgbt da cidade. Fez um discurso bastante intimidatório (falando muito alto, gesticulando) logo no início do “debate”. Eu considero que parte da sua motivação em discursar daquele modo e de defender com aquela ênfase as cotas e tudo o mais é devido a perspectiva de se tornar um super-cidadão intocável, incriticável e portador de privilégios especiais já que é ‘preto’, homossexual e provavelmente pobre. Curiosamente ele discursou e sumiu não se dignando a ouvir o que o outro lado tinha para dizer (esperar o que de alguém que tem uma tatuagem racista dizendo ‘todo poder para o povo preto’ ?! rs).

    No mais o próprio debate foi de uma covardia única. PTistas e ativistas do movimento negro e lgbt adultos tarimbadíssimos nesse tipo de coisa de um lado tentando argumentar (e argumentando muito mau por sinal) contra jovens inexperientes em debate político que recém saíram do ensino médio e que estão tentando entrar no ensino superior. Bem coisa de esquerdista mesmo! Quando chegou minha vez de falar falei algumas verdades para o pessoal desse movimento, que por sinal se ‘arrepiaram’ e começaram com conversinha paralela. Eu também não tenho prática, mas tenho 29 anos na cara e estudo esses assuntos nas minhas horas vagas. Ou seja, sou um pouquinho mais osso-duro-de-roer do que um jovem que ainda não entrou na faculdade.

    Aliás, o gurizão que ajudou na organização do protesto é filiado ao PT. Sabendo das artimanhas desse pessoal esquerdista nada me tira da cabeça que ele ajudou a fazer esse protesto justamente com a finalidade de usar dele para que seus camaradas escrevessem artigos panfletários como este aqui, para tirarem fotos de jovens ‘burgueses’ brancos, louros, de origem européia (o que não espanta pois é a formação étnica do Rio Grande do Sul!) e ficarem mostrando por aí em sites da esquerda que ficam acusando os outros de ‘racistas’ e enaltecendo políticas que institucionalizam o racismo no Brasil.

    Tanto é panfletária essa coisa publicada aqui que se deram ao trabalho de transcrever e citar parte do discurso do cara da tatuagem racista mas não colocaram uma única linha das coisas que eu disse. Mais do que isso! Criticaram como racista uma orientação feita em tom de BRINCADEIRA (o gurizão do PT mencionado no parágrafo anterior disse: “galera, vamos começar, não se matem, nada de comentários racistas, hein?! hehehe”) mas não criticam a tatuagem racista do cara negro e muito menos os discursos racistas e acusatórios que ouvimos lá dos integrantes do MOVIMENTO NEGRO!

    • Regina

      Meu amigo, releia o seu texto antes de publicá-lo em qualquer lugar. Preconceito disfarçado é uma das coisas que mais pegam mal hoje em dia. E não adianta esbravejar mesmo, a lei será aprovada e ponto. Um pouco mais de solidariedade com as pessoas que passaram por 350 anos de desvantagem em relação aos brancos seria bom, já que História não é o seu forte mesmo…

  • Manoel

    Texto patético e pobre! Mas é isso aí, mais uma forma de isentar o estado de toda a responsabilidade repassando a você cidadão. O investimento em uma educação adequada dá muito trabalho em “todos os sentidos”, manter o povo ignorante é mais prático e MUITO MAIS VANTAJOSO! Como alguém pode ser tão cego sem perceber a catástrofe que isso representa. Uma barreira para o progresso, será que precisa ser representado numa “NOVELA” para que a massa entenda o quanto isso é prejudicial, até mesmo para essa massa desfavorecida? Então foi decidido e assim será.

    Foi assinado mais um atestado de regressão do pais.

  • Rogério moraes
  • Paula Grazielle

    Ótimo texto! Ao lê-lo vi muitas semelhanças com o que ocorreu dia 15/08 em BH, onde houve uma manifestação contra o projeto de lei organizada por alunos e professores das principais escolas particulares da cidade. Aqui também houve a tentativa de diálogo das pessoas a favor das contas com alunos e professores das escolas particulares.

  • Robson

    muito legal. parabéns demonstrou dados históricos e contemporâneo sobre o assunto.
    espero que as pessoas reflitam sobre a importância das cotas no brasil.

  • Dieison Marconi

    Excelente texto! Quanto aos comentários, por qual motivo alguns insistem em confundir dois problemas? Porque usam como argumento contra as cotas raciais o fato de que o governo tem de investir mais no ensino para dar a todos o acesso a educação? Sim, o poder público tem de investir mais no sistema educacional, acontece que o problema aqui é outro, com outra solução: é o precário acesso de negros aos bancos universitários. Para uma educação de maior qualidade? Sim, mais investimentos em educação. Para dar acesso a educação aos negros e indígenas? Sim, ações afirmativas! O quanto forem necessárias. Para estes alunos que dizem que a culpa de negros e indígenas não estarem nos bancos das universidades é tão somente de escolas defasadas, quero perguntar: onde vocês estavam quando aconteceu a marcha pela educação em santa Maria? Será que não percebem que esses direitos iguais que vocês clamam só vão concretizar-se quando negros e indígenas estiverem ao lado de vocês na universidade? São eles que estão em desvantagem aqui, são eles que ainda sofrem com resquícios de 350 de subordinação, preconceito, falta de vez e voz, não vocês. Mas como disse a senhora ali em cima, se não querem as cotas e querem igualdade, saiam de seus cursos pré-vestibulares, vão para a periferia, vão para os guetos, aí sim vocês estarão em pé de igualdade. Apoio as cotas raciais pelo simples fato de apoiar direitos humanos.