Plenária Pública debateu ações contra o aumento da passagem do transporte em Santa Maria

Primeiras atividades serão em conjunto com luta por justiça de pais e familiares das vítimas da tragédia na Boate Kiss

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Na tarde da quinta, 14, ocorreu no Auditório do DCE da UFSM a primeira plenária pública de 2016 para debater o transporte público na cidade de Santa Maria e se opor ao aumento da tarifa já solicitado pela Associação dos Transportares Urbanos, ATU, à Prefeitura.
Em um debate aberto e com a participação de diversos coletivos, entidades e movimentos sociais da cidade, a discussão girou em torno das pautas dos movimentos para o transporte na cidade e as alternativas para mobilizar e barrar o aumento da passagem.
As primeiras atividades contra o aumento já estão definidas e ocorrerão em paralelo às atividades que marcam os três anos da tragédia da Boate Kiss. No dia 26, o movimento se soma à vigília dos pais e amigos das vítimas da tragédia, que tem como ponto de encontro o lonão do movimento, na Praça Saldanha Marinho, a partir das 20h, seguindo, mais tarde, para a frente da Boate.
No dia 27 as atividades programadas são uma aula pública com o tema do direito à cidade e a carência de espaços públicos para a juventude, organizada em conjunto com o 21º Congresso Nacional de Estudantes de Geografia, também na Praça Saldanha Marinho. Oficinas, apresentações musicais e um culto em memória das vítimas da tragédia da Kiss também estão programadas. As atividades ocorrem a partir das 15h.
Após os eventos já está programada uma nova plenária de avaliação e construção de novas atividades contra o aumento da tarifa. A Assufsm e os Técnico-Administrativos em Educação da UFSM foram representados durante a Plenária, e o sindicato se comprometeu a contribuir, – dentro de suas possibilidades, na promoção e construção das manifestações.
 
Falta de transparência
Entre os tópicos debatidos na plenária desta quinta, um dos pontos mais destacados e de maior consenso foi com relação a falta de transparência no processo que leva ao aumento da passagem. A falta de licitação do transporte – prevista desde a Constituição de 1988-, e a a ausência de um controle mais efetivo do cálculo da tarifa, que não tem seus dados divulgados e abertos para a população da cidade, foram alguns dos tópicos citados para apontar a existência de uma “caixa preta” do transporte público na cidade. Ao que tudo indica, a transparência total do processo deve ser uma das reivindicações mais presentes nos protestos deste ano.

Empresários já solicitaram revisão do cálculo  da tarifa

A ATU protocolou na prefeitura no último dia 06 pedido de revisão da planilha de custos do transporte público da cidade. Em nota oficial, o consórcio das empresas que exploram o serviço na cidade culpa a política econômica do governo federal pelo aumento. As gratuidades e meias-passagens também foram usadas como justificativa.

Apesar de não falar em valores, a ATU solicita à prefeitura a revisão da inflação do período, próxima dos 10% no último ano, o que elevaria de R$2.90 para cerca de R$3,20 a passagem nas linhas comuns e de R$3,50 para R$3,85 nos chamados “seletivos”.

No ano passado a passagem aumentou 11,5%, bem acima da inflação do período entre um aumento e outro, de 8,37% segundo o INPC (Indice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a inflação no consumo das famílias, e de 4,26% segundo o IGP-M (ndice Geral de Preços do Mercado), que mede a inflação na produção de bens. Um novo aumento da tarifa elevaria ainda mais a diferença entre a inflação dos últimos anos e o preço praticado pela ATU no transporte da cidade. 

Plenária Pública debateu ações contra o aumento da passagem do transporte em Santa Maria, pelo viés de João Victor Moura
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