DEMOCRACIA É A GEOGRAFIA DAS RUAS

Em pleno encontro regional de estudantes de geografia, a rua se tornou o ambiente do debate: ela é nossa?

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Aconteceu hoje, na Praça Saldanha Marinho, Centro de Santa Maria, um encontro para debater a ocupação dos espaços públicos. Carina Mignon, mãe integrante do movimento “Santa Maria do Luto à Luta”, formado por familiares de vítimas do incêndio da boate Kiss, falou sobre a tragédia e lembrou a negligência política por parte do poder público a favor do estabelecimento privado. Nei d’Ogum, do Museu Treze de Maio, falou como afro-gay periférico, lembrando a exclusão que o sistema heteronormativo branco causa àqueles que são diferentes desse padrão. Lembrou também a história da própria Saldanha Marinho, que já foi um ambiente onde os homossexuais, como grupo oprimido, se encontravam e ainda se encontram, e também ressaltou a importância da falta que o passe-livre, retirado do programa da cidade pelo governo Schirmer em seu primeiro mandato, faz à população dos bairros periféricos.

Suelen Aires, Cientista Social, endossou o discurso, lembrando, como acadêmica recém formada, que não temos parques ou espaços públicos para o entretenimento e encontro da juventude da cidade. Claúdia Zeferino Pires, doutora em Geografia e professora da UFRGS, assinalou “a rua por direito” e as táticas de começar uma utilização do espaço público pelas pessoas, estando na praça e fazendo acontecer o encontro e a troca do povo pelo povo. O debate foi promovido pelo EREGEO, Encontro Regional de Estudantes de Geografia, e ocorreu exatamente sobre o viaduto Evandro Behr, ponto central da cidade.

O “Geo na Rua” vem a fim de se aproximar da cidade, ultrapassando os limites da Academia. O espaço público é o centro da discussão, já que a realidade atual da cidade, bem como seu histórico recente com a Boate Kiss, apresenta o modo como o governo não fiscaliza locais privados, bem como o crescimento desses locais em detrimento de um espaço coletivo que possa ser usufruído pelo povo.  Como consequência, a Justiça às irreparáveis perdas segue como reivindicação mais importante nos movimentos sociais da cidade.

Depois da mesa, seguiu-se uma manifestação da Praça Saldanha Marinho para a frente da SUCV, prédio onde está localizado o gabinete do prefeito. Lá, gritos de ordem foram entoados e cartazes foram colados nas paredes. Novamente foi dado um banho de tinta vermelha em repúdio ao desinteresse do governo por iniciativas públicas e em alusão aos 242 mortos da noite de 27 de janeiro. A manifestação seguiu pela Rua do Acampamento, passou pela rua 24 horas, seguiu na Astrogildo de Azevedo e parou em frente à Casa do Estudante, na Professor Braga, onde, depois de discorrerem sobre o fechamento da boate do DCE, anterior ao incêndio da Kiss, houve uma pequena confraternização do evento. A boate do DCE foi fechada em janeiro de 2013 pelo poder público, mesmo em melhores condições que a Boate Kiss, que não foi devidamente fiscalizada.

  

   

  

  

   

  

 

DEMOCRACIA É A GEOGRAFIA DAS RUAS, pelo viés de Bibiano Girad, Caren Rhoden e Mariana Hélio

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