Não deixe o carnaval acabar!

Era uma quarta-feira, mas sem cinzas. Quatro de dezembro: Dia do Samba. No Mercado Público de Pelotas, tambores, pandeiros e passistas pediam NÃO DEIXE O SAMBA MORRER/NÃO DEIXE O CARNAVAL ACABAR.

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Era uma quarta-feira sem cinzas. Na verdade, era pelo direito até às cinzas. Dois de dezembro: Dia do Samba. No Mercado Público de Pelotas, tambores, pandeiros e passistas de todas as escolas e de mãos dadas pediam: NÃO DEIXE O SAMBA MORRER/NÃO DEIXE O CARNAVAL ACABAR. Resposta ao anúncio da prefeitura de Pelotas, que há algumas semanas anunciava o cancelamento do carnaval neste ano, como resultado de remanejo da verba do evento para a saúde. Entra em debate, portanto, a questão da cultura popular, de uma festividade que é expressão não só da arte, mas também de religiosidade e de força social da uma prática de resistência.

Certo é que ambos o temas são de extrema importância à sociedade. O debate em questão é: onde está a verba da saúde, se é preciso retirá-la da cultura? Em um orçamento em que atividades culturais não correspondem a nem a 1% do total da verba arrecadada, porque precisamos retirar tão pouco de uma área que representa o modo como nossas pessoas se relacionam com seu mundo? E, embora sejamos uma cidade com um passado elitista que perdura, em certos pontos, até hoje, que tipos de cultura merecem apreciação e proteção e que tipos não merecem nem comemorar uma de suas principais festividades anuais? É preciso espaço, é preciso incentivo e é preciso, sobretudo, resistência. E a resistência esteve nas ruas nesse dia.

Abaixo, um pouco dos registros realizados nestes dias.

   
   
                              

Não deixe o carnaval acabar!, pelo viés de Liana Coll

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