ESTICA E PUXA

Tira isso!/Arte de Rafael Balbueno.

Tira isso! Remenda aquilo! Aumenta ali! Diminui aqui! Esculpe de cima a baixo! Tem muita gente por aí precisando, literalmente, fazer algum tipo de cirurgia, mas têm outras… que fazem o contrário e negam o ditado popular “mente sã, corpo são”. Essas pessoas estão mais para “mente insana, corpo sabe-se lá com quantos remendos”. Tudo pelo padrão de beleza que domina a sociedade e é difundido pela mídia.

Me pergunto, diariamente, ao passar os olhos por manchetes rotineiras que deflagram: “Fulana coloca 550 mililitros de silicone em cada nádega”, “Beltrana coloca 5,5 litros de silicone em cada mama”, porque ninguém fala para elas: “Ah! Vá se tratar!” ou quem sabe “Arranje um horário no psiquiatra!”. Falo isso, pois existem pessoas que, ao invés de tratar sua psique e buscar a felicidade para além da forma física, tratam logo de entrar ‘pra faca’, desconsiderando, muitas vezes, a falta de preparo psicológico e mesmo os riscos padrões deste tipo de procedimento cirúrgico.

“Não gosto desta gordurinha aqui, preciso tirar isso doutor!” “Tá muito pequena a minha bunda, então, aumenta!”

Em meio a essa corrida desenfreada por um padrão estético, confesso que preferiria ouvir comentários menos voltados ao ter (o corpo ideal) e mais focados no ser:

“Não gosto de ser preconceituosa, tem tratamento para isso?” e “Tá muito pequena a minha autoestima, tem como aumentar isso no processo inverso: de dentro para fora?”

É possível que psiquiatras e psicólogos concordem comigo que alguns valores vêm sendo deturpados sob a égide de uma forma perfeita, impossível e torturante. Ter um corpo saudável é realmente importante, mas estamos em uma era de absurdos quando a questão gira em torno da vaidade e, muitas vezes, da paranóia em busca de um corpo ‘perfeito’.

O mais incrível de tudo isso é que tem gente fazendo terapia de uma maneira, no mínimo, inusitada: via internet! Redes de relacionamento como o Orkut, Facebook, MySpace e principalmente o YouTube, viraram o divã do psicoterapeuta. Não tá acreditando? As pessoas postam vídeos dos mais variados, contando sua história, falando da sua experiência com algum tipo de cirurgia, falam da sua trajetória antes, durante e depois da ‘faca’, mostram os resultados (em especial das cirurgias de redução de estômago). O espaço virtual também virou confessionário! Há casos recorrentes de pessoas que cometem um ‘pecadinho’ e correm para postar um vídeo na internet pedindo redenção pelo pecado cometido.

Para quem faz, por exemplo, uma cirurgia de redução estômago, os pecados são os culinários: chocolates, sorvetes, frituras, enfim, tudo aquilo que, em excesso, traz malefícios até mesmo para quem tem o corpo ‘em dia’. Posso dizer, por experiência própria, que ouvir alguém falando: “Será que estou comendo as coisas certas? Será que estou comendo pouco? Será que deveria comer um pouco mais? Qual será a reação do meu corpo se eu comer doces?”… Traz um certo grau de conforto, pois, só assim, nessa terapia incomum tem-se a chance de perceber que todos lutam com os mesmos fantasmas.

O que torna esta questão intrigante e polêmica é pensar que a sociedade não perdoa quem está acima do peso. Somos bombardeados com imagens de corpos esculturais (e diga-se de passagem, muitos deles totalmente modificados pelo ‘tio do photoshop’). E, sinceramente, é horrível ver alguém declarando que: quando se é gordo “você está só existindo, você não está vivendo. E eu quero viver!”. Um radicalismo que beira à patologia, pois está atrelado a um modo de ver o mundo e a si mesmo focado na aparência em demasia.

Posso dizer, com certeza, que quem tem problemas com seu peso, tem problemas psicológicos (em especial de autoestima). Podem negá-los, mas os tem e essa negação é parte do problema. Sendo assim, creio que os candidatos à intervenção cirúrgica têm de passar por avaliação psicológica e por acompanhamento durante todo o processo. Nessas horas eu me pergunto, novamente, por que as intervenções estéticas não pedem essas avaliações? Muitas delas causam impactos na autoestima e na autoimagem e repercutem no convívio social desses pacientes. Mesmo no caso de cirurgias urgentes, indicadas para casos em que o sobrepeso causa risco de morte, como é o caso da cirurgia de estômago, não há uma orientação incisiva para que o paciente receba acompanhamento psicológico antes e depois do procedimento cirúrgico. Há uma banalização sobre as mudanças provocadas pelas cirurgias, seja de que gênero for. Nem todos conseguem se adaptar ao novo corpo. Para aceitar a transformação é preciso considerar a necessidade de acompanhamento psicológico antes e depois da cirurgia.

ESTICA E PUXA, pelo viés da colaboradora Janayna Barros, estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria.

Para ler mais crônicas acesse nosso Acervo.

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